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Falta contraditório ao “argumento” do pontapé na cabeça…

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Hoje circula um vídeo que até teve “honra” de abertura nos telejornais. Em resumo, por uma questão de namoricos um jovem foi barbaramente agredido por uns quantos cobardes, onde a sua cabeça foi pontapeada por inúmeras vezes com uma força que nem a uma bola se aplica, é CHOCANTE!!!

Seguramente que esta não é uma prática diária, e violência desde calibre não é comum nas nossas escolas. A questão é saber se estes fenómenos estão a ser mais recorrentes ou não.

O problema é que este diálogo com os punhos começa em tenra idade. E se ficamos chocados com estas imagens, parece que não sentimos o mesmo quando vimos alunos de palmo e meio a fazerem a mesma coisa, mas à escala do “portugal dos pequeninos”. A expressão “deixa lá isso, são coisas de miúdos” é das frases mais batidas nas escolas e em casa. “Deixa lá isso, nós também éramos assim”, mas a marca dos dentes, as nódoas negras na barriga, nas costas, os galos na cabeça não aparecem por acaso e marcam, não só o corpo, como deixam uma impressão digital no consciente e subconsciente… Mas deixem lá, faz parte do crescimento dizem alguns…

É que a violência não é como o iogurte, não é por terem 12 ou 13 anos que de repente, às 12 badaladas, os jovens passam a meninos de coro. A violência gera violência, a impunidade, a falta de censura parental/escolar, o NÃO a seu tempo, tudo isto somado, alimenta o comportamento desviante como algo aceitável, que na cabeça dos mais novos torna-se legítimo até.

Portugal está com um problema nas mãos, os dados da escola segura têm vindo a piorar, os números de violência doméstica estão a seguir o mesmo caminho e os dados que irei apresentar a seu tempo mostram, que nas escolas, a situação também não é melhor.

E quem sabe qual é a dimensão real da indisciplina em meio escolar? Não existe uma entidade que faça o levantamento dos dados disciplinares, houve um observatório mas o governo fechou-o. Além disso, muitas escolas optam por não divulgar/registar situações de indisciplina pois sabem que se o fizerem e se os dados forem públicos, estão a dar um tiro nos pés, pois a sociedade irá acusá-la de incompetência, tenha ou  não condições para lidar com a indisciplina escolar.

Talvez se começássemos a valorizar mais as questões da cidadania e não nos focássemos tanto nas questões programáticas, exames e rankings escolares, fosse possível inverter este rumo, apostando numa sociedade mais respeitadora e harmoniosa.

Tenhamos a consciência que temos criminosos sentados dentro da sala, sim criminosos… pois quem chuta a cabeça de alguém, quem incentiva a agressão, quem filma, quem ri, quem assisti ao espetáculo, não é aluno, não é cidadão, não é digno de pertencer a uma sociedade que deve cooperar entre si.

Por fim, o mais importante… E os pais? Onde andam os pais destes jovens? E a escola? Que condições tem a escola e seus professores para lidar com a indisciplina?

Somos todos responsáveis e seremos ainda mais se não optarmos por um contraditório a curto, médio e longo prazo…

PSP e Ministério Público investigam agressões brutais entre menores

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(Observador)

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