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Fake, fancaria, fantochada…ou porque gostava de ser o cãozinho Boo…

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Pelos vistos vai haver jornalistas a dar formação a professores para combater fake news. Boas intenções, daquelas que no inferno proliferam. Pouparia na formação e sugeriria umas boas leituras no quentinho da lareira.

Naturalmente que a formação não vai ser gratuita para os formadores. E, por isso, uma pergunta de escrutínio imediato (porque combater fake news, manipulação ou o que lhe quiserem chamar, é fazer perguntas chatas) e quanto vão ganhar os formadores e as organizações que criam tal louvável, oportuna e “trendy” iniciativa.

Outra pergunta que eu faria é se vão escrutinar e analisar na formação as causas de tantas notícias fake sobre professores e escolas. Os 600 milhões, as velhas notícias do tempo da lurditas sobre faltas e atestados, o enfoque excessivo na personalização sindical (Nogueira é o líder de todos os professores? mesmo os não sindicalizados?), o enfase nos rankings pouco rigoroso…e que, em si, é fake news…

A ILC nas televisões… antes fossemos o Boo

Por exemplo, irão analisar porque motivo nenhuma televisão (tirando uma local no cabo) deu qualquer notícia da 1ª Iniciativa legislativa de cidadãos realizada por via eletrónica, desde que ela começou em abril?

E não foi por falta de contactos com agendas ou comunicados. Mas claramente por ser de professores. Os tais que agora se quer formar.

Ou por que motivo o Boo, o cãozinho mais bonito do mundo, teve mais espaço nas televisões de notícias, na sua morte inglória e depressiva de cãozinho mais fofinho do mundo, que um pioneiro ato legislativo de cidadãos, provocado por um movimento que reuniu 20 mil e que afeta mais de 100 mil.

Ou porque falaram dela indiretamente quando a Fenprof a criticou, mas sem explicar a origem da crítica direta que difundiram?

Está em apreciação pública no Parlamento: já viram na televisão? Viram em jornais (Público, Correio da Manhã, JN, DN, Expresso e I). Ouviram em rádios nacionais (Rádio Renascença). Houve 2 ou 3 notícias Lusa sobre ela. Mas a televisão ainda pesa muito e consta por aí que há 5 canais de notícias no Cabo…(Portocanal, RTP3, SicN, TVI24 e CMTV).

As redes sociais passam à frente da televisão e a culpa é da televisão

Sem redes sociais, este movimento da sociedade civil e da cidadania não existia. Ponto. Às tantas, deviam discutir este paradoxo lá na formação. Ou porque são hoje obstáculo à participação em vez de adjuvante?

Ou esclarecer porque respondem os jornalistas, contactados nos serviços de agendas das televisões, que o assunto “foi para as chefias que não o acham relevante”…. 20 mil cidadãos fazem pela primeira vez um projeto de lei por via digital no site do parlamento, mas não interessa nada. Depois falem-me de democracia e participação dos cidadãos comuns…

Um deles ficou muito irritado quando lhe disse que se eu fizesse um striptease na escadaria do parlamento com um colete amarelo abria noticiários… Achou uma falta de respeito. Que vos parece? Ou como diz o outro: acham normal? Lembram-se da excitação do dia dos coletes amarelos?

Além da falta de sentido de humor, ficou o registo da sobranceria e falta de educação generalizada para cidadãos que ligam pelo telefone geral e que só podem chegar à fala com o jornalista (às vezes maldisposto) que está de serviço à agenda.

Um tema agendado menos para as TV’S

O tema até está agendado (aparece nos jornais e inclui-se no centro de um tema fundamental de política, que deu um veto presidencial e grave perturbação na coligação que governa; é uma novidade na ação política; a primeira ILC digital e, mesmo não digitais, não há assim tantas; suscitou a adesão de 22 mil pessoas; comunicados sindicais e de partidos políticos).

Tem interesse, atualidade e é verdade. Não é notícia para as televisões.

Os serviços do Parlamento funcionaram muito mal com ela (até de batota se poderia falar) e com a agravante de que toda a discussão da sua admissão demorou 6 meses e andou à volta de assinaturas (tema que, no que diz respeito à AR, está automaticamente agendado). Ângulos não faltam…

E imaginem como teria sido muito mais fácil reunir as assinaturas se, quando Nogueira fazia comunicados contra a ILC, esta tivesse tido uma noticiazinha, pequena que fosse, numa SIC ou TVI….até para o famoso contraditório….E, geracionalmente, boa parte dos professores ainda vê televisão.

O serviço público….e a regulação

Outra pergunta pode ser porque nem mesmo o serviço público de Rádio e Televisão pegaram no assunto. Afinal, noutras circunstâncias (se não fosse uma coisa de profs a lutar por salário…) lá diriam ser uma “louvável iniciativa de cidadania que aproveita e potencia as possibilidades da democracia e participação eletrónica” (blá, blá…ar e tom de enjoo).

Individualmente, como cidadão que paga taxa e impostos para a Rádio e Televisão de Portugal, queixei-me em julho à Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) do (nenhum) tratamento da RTP ao tema. 6 meses passados, espero resposta.

Sei que a RTP foi contactada, porque o senhor que me atendeu na agenda da última vez (quando saiu o comunicado a dizer que a ILC tinha entrado no parlamento) me falou disso, muito zangado….arranjei um amigo.

E já sei que os comentadores de serviço a este blogue dirão que estou a falar disto porque quero aparecer na televisão. Fiquem lá com a bicicleta…O grupo tem gente mais interessante para falar. E realmente não fico bonito na televisão (o problema é estrutural meu, não da televisão) e acho que meto os pés pelas mãos. A única vez que conseguimos furar a barreira, deu nisto (revi e achei curioso como, quase 8 meses depois, ainda o que se disse continua tão atual, apesar de o meu ar zangado passar mal no pequeno écran).

Sobre a formação, prescindo. Se ainda me explicassem de onde nasceu a “barreira”….ou será que a formação é realmente doutrinação para aceitarmos que isto que descrevo está bem e deve ser assim….

Uma especialização em marketing público, 3 anos de trabalho em comunicação social, primeiro numa rádio local e depois na Rádio Renascença (só não tive carteira porque, nos inícios de 90, a coisa não era como hoje) e 6 anos a fazer assessoria, acho que me chegam para ver quando me estão a deitar areia para os olhos.

E depois, fake news, não é muito diferente de documentos apócrifos ou mesmo falsos. E essa é a matéria de uma formação sólida em História. Falsos sempre houve…E o poder sempre os usou (vide o milagre de ourique, a doação de constantino ou as cortes de lamego…).

O problema agora é a escala e a lata despudorada de quem fala disso…. sem olhar para si próprio, antes de pensar em vir ensinar os outros.

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