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O que faço aos miúdos durante as férias escolares?

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confusedOnde é que deixo os miúdos? Como é que os vou entreter? E principalmente… Quanto é que me vai custar? Estas são as preocupações que férias após férias apoquentam os pais que ainda têm a seu cargo crianças de tenra idade.

Alguns de vocês podem achar que se trata de uma preocupação infundada, pois existem os irmãos, os avós, os tios, os primos, etc, estes são sempre uma escapatória para a vigilância dos “piquenos”. Sim, sem dúvida! Ter uma retaguarda familiar é claramente uma mais valia, então se estiverem reformados/desempregados em regime de serviço 24 horas por dia, ainda “melhor”.

Só que nem todos têm um plano “B”, e numa sociedade em que muitos abandonaram o seu porto de abrigo, onde pai e mãe trabalham em simultâneo, fica sempre aquela preocupação com quem deixar as crianças.

Nós professores temos tendência a desvalorizar esta situação, mas é um problema genuíno e só não encaramos como tal por andarmos ressabiados com os pais que encaram a escola como um depósito para a sua negligência.

ATLs, Campos de Férias, Serviços de Babysitting existem, e existem um pouco por todo o lado. E são todos fantásticos com ultra-híper-mega atividades que nos fazem roer de inveja por já não sermos crianças. Pois… mas quem já deixou os seus filhos nestes entretenimentos “educativos” sabe bem que são responsáveis por um rombo ao estilo Titanic no orçamento familiar e nos tempos que correm, nem todos têm salva vidas para naufrágios dramáticos.

O que fazer então?

A solução mais à mão – levar as crianças para o trabalho.

Ui, não se metam nisso, conciliarem paternidade com horário laboral é financiamento garantido para um dia de stress que termina normalmente em gritaria, castigos e quiçá umas palmadas à moda antiga(?).

A solução desejada – manter as crianças na escola.

Parece lógico e é uma ambição antiga, mas acreditem que não seria benéfico. As infraestruturas de regime letivo, não se compadecem com as atividades de ocupação de tempos livres, e aqui parto do principio que ocupação de tempos livres não é passar o tempo a fazer TPC ou exercícios de reforço cognitivo. É preciso dar tempo às crianças de serem crianças, pelo menos nas férias. E a nível emocional traria uma saturação e consequente aversão. Os alunos precisam de se afastar da escola e neste ponto professores e alunos sofrem do mesmo mal.

A solução low cost – ocupação de tempos livres a cargo das Autarquias

Sim, muitas já fazem esse papel. Ainda na semana passada assisti à chegada de um autocarro carregadinho de “pilhas sobrecarregadas” que era proveniente de uma junta de freguesia. Os “coelhinhos duracel” foram passar 2 horitas de loucura em trampolins, piscinas de bolas e labirintos para ratinhos em ponto gigante.

Esta é uma medida que mostra a preocupação autárquica para com os seus munícipes e não estou a falar dos miúdos. A utilização de infraestruturas e consequente contratação de monitores, prova que quem lidera os municípios está a par da realidade e evoluiu com os tempos. Mas nem todos os municípios têm esta opção e por vezes a procura suplanta largamente a oferta.

Três opções, umas mais viáveis/salutares que outras e para quem não tem plano “B” nem plano “E” de euros.

Mas haveria outra solução? Sim, para mim existe.

Trata-se naturalmente de uma mudança estrutural da nossa sociedade. Já afirmei quando comentei a opção pela escola a tempo inteiro, que a ideia é ajustada à realidade, mas a conceção em si está completamente invertida. A família devia estar na linha da frente e não a indiferença do capitalismo. Uma simbiose entre ambos devia ser o caminho, onde pai e mãe pudessem ter condições para serem eles a 1ª opção quando a escola está ausente. Infelizmente a família é hospedeira de um parasita alimentado por uma ideologia de consumo e que distorce a própria palavra em que assenta o nosso quotidiano – sociedade.

A família precisa de voltar a assumir o seu papel enquanto tal, mas para isso é preciso criar condições, estabelecer compromissos.

Lírico? Utópico? Sim estou a ser, mas acredito que é esse o caminho ou pelo menos não vejo outro que se coadune com o que é necessário.

Não deve ser a escola, os ATLs, ou os Campos de Férias, a substituírem algo que nunca foi e não deveria ser seu. Precisamos de mais família, mais valores, mais sociedade, mais desenvolvimento… desenvolvimento afetivo, desenvolvimento emocional.

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