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A Educação é como os elevadores…

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… umas vezes sobem, outras vezes descem, mas raramente estão parados. Os que neles viajam sabem para o que vão e que o destino é normalmente previsível e repetitivo. Apesar de concordar com mais esta viajem, pois a anterior levou-nos para uma cave escura, masoquista e intelectualmente desonesta, não deixa de ser mais uma viagem. Começo a ficar cansado do sobe e desce desde elevador político e ideológico. Sinto-me um objeto abjeto, mero cumpridor de vontades, esperando pela chegada do elevador que nunca me leva a algo novo e intelectualmente refrescante.

Espero sinceramente que seja o início de algo novo, algo bom, onde a diminuição das discrepâncias curriculares, metas exequíveis e uma certa autonomia escolar seja uma viagem apenas de ida…

Escolas voltam a mudar currículos

Relacionado com o assunto do dia, fica um excerto da entrevista dada ao Expresso, de Andreas Schleicher, diretor do departamento de Educação e Competências da OCDE.

“As escolas portuguesas ainda não fizeram a transição do ensino do século XX para o século XXI”

Que competências devem ter os alunos no século XXI?

o mundo já não recompensa as pessoas apenas por aquilo que sabem — o Google sabe tudo — mas por aquilo que conseguem fazer com isso. Por isso, a educação tem cada vez mais que ver com o desenvolvimento da criatividade, do pensamento crítico, da resolução de problemas e da tomada de decisões; e com formas de trabalho que implicam comunicação e colaboração.

Os alunos portugueses têm mais horas de aulas do que na Finlândia, o país europeu com melhor desempenho no PISA. Isto prova que mais horas não é sinónimo de mais sucesso?

Na Finlândia, a qualidade das experiências educativas é muito alta, pelo que os estudantes conseguem ter bons resultados, mesmo tendo um horário mais curto do que outros países.

Daquilo que conhece do currículo educativo em Portugal, o que lhe parece que falta ou que deve ser mudado?
Se olharmos para os dados do PISA, os alunos portugueses tendem a ter boas prestações em tarefas que exigem uma reprodução dos conteúdos ensinados na escola. Mas não são tão bons ao nível da aplicação criativa dos conteúdos. Nesse sentido, as escolas portuguesas ainda não fizeram a transição do século XX para o século XXI.

Que fatores mais contribuem para os países terem bons resultados no PISA?

dão aos docentes a autonomia para definir que conteúdos e que tipo de ensino precisam de dar aos seus alunos. Muitas vezes alunos diferentes são ensinados da mesma forma. Mas as melhores escolas aceitam a diversidade, usando práticas pedagógicas diferenciadas. No passado o ensino era centrado no currículo; no futuro, será centrado no aluno.

 

1 COMMENT

  1. Não há nada como um Doutor estrangeiro, este muito cheio de certezas, para que uma grande parte da maioria dos autóctones baixe a cabeça afirmativamente. O que o senhor Schleicherdiz profere ,sobre o ensino em Portugal, é o mesmo que já disse sobre muitos outros países. Ele usa os resultados do PISA para fazer afirmações , supostamente, indiscutíveis… Eu acho que poderíamos discutir, várias horas, sobre a sua metodologia do Pisa ; o que avalia, e também discutir as suas conclusões… O senhor Schleicher ama a Finlândia mas já lhe interessa falar menos da China… É que há um pequeno pormenor que muitos teóricos ”esquecem” , por convicções ideológicas, e para que todo o seu sistema seja perfeito, é que a a história e mentalidade dos países é muito diferente…
    Para mim, quando o senhor Schleicherdiz afirma, sem rebuçados, que a origem sócio-económica dos alunos é coisa de somenos, e o mesmo sobre a dimensão das turmas, estamos conversados ! Há por aí uma agenda ideológica carregada de suposta imparcialidade….

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