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Existe um fosso enorme entre a teoria e a prática na Educação Especial.

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O caminho percorrido pela Educação Especial é significativo, mas também é verdade que o ponto de partida era a sua não existência. A educação inclusiva, foi e tem sido um desafio para a Escola Pública e temos que reconhecer que não tem sido fácil quer para alunos, quer para professores.

Curiosamente, hoje assisti a uma conversa sobre as dificuldades na aplicação dos Programas Educativos Individuais, onde alguns colegas punham o dedo na ferida, afirmando, que o que está escrito não passa de teoria não aplicada. Nem por acaso, ontem na Assembleia da República, a questão foi abordada e a falta de meios foi uma das principais queixas, mas há mais…

Mesmo para quem está de fora como eu, é por demais evidente que é preciso reformular métodos de diagnóstico (aqui a culpa é mais do SPO), preparar os professores para realidades que não foram abordadas na formação de base, melhorar a articulação entre a Educação Especial e restantes professores, e por último, desburocratizar a Educação Especial. A quantidade de papel que existe na Educação Especial é algo “digno” de se ver…

Alexandre Henriques

“Bem-vinda ao inferno!” Foi assim que Maria Manuel se sentiu quando o seu filho de 16 anos ingressou no ensino secundário e todas as portas se começaram a fechar. “As escolas secundárias não têm capacidade para acolher deficientes profundos”, como é o caso do seu filho, disse num dos muitos testemunhos de pais e jovens com necessidades educativas especiais (NEE) que foram apresentados nesta quarta-feira na Assembleia da República, numa iniciativa promovida pelo grupo de trabalho da educação especial da comissão parlamentar de Educação.

 

É o caso de Inês, que tem 13 anos e que desde há muito chega a casa a chorar: “Fico todos os recreios sem brincar”, conta. E na aula o que fazes? Pergunta-lhe a mãe: “Fico a olhar para o professor.”

 

Este diploma “foi uma tábua de salvação para os pais, mas as escolas não têm meios para intervir”, contou no Parlamento Eduarda Melo, mãe de um filho com dislexia. Muitos outros dirão que existe um “fosso enorme” entre o que a lei determina e aquilo que na prática acontece nas escolas.

Necessidades Educativas Especiais: “Sinto-me excluído de tudo”

(Público – Clara Viana)

2 COMMENTS

  1. “… preparar os professores para realidades que não foram abordadas na formação de base, …” – Bom, quanto a mim, o princípio deve ser outro. Ou seja, antes de preparar os professores para realidades que não foram abordadas na formação de base, e aqui, julgo que se refira aos professores que não sejam da EE, devem os professores da EE lecionar em turmas ditas normais. O critério para essa atribuição de componente letiva seria, obviamente, as suas habilitações literárias, chamemos-lhes, também, de base. Isto porque todos os professores da EE são, antes de o serem, professores de inglês, história, francês, 1º ciclo, educadores…
    E por que razão se impõe, quanto a mim, essa necessidade? Porque tem de se saber estar e gerir uma turma onde haja alunos com NEE para se falar do assunto. As estratégias e metodologias sugeridas pelos professores do EE deveriam ter sido sempre, antes, experimentadas pelos próprios em situação real. Isto para que, depois, com o saber de experiência feito, aliado às especializações que fazem na área da EE, possam os colegas, de facto, orientar-nos em concreto nas práticas pedagógicas.
    Talvez assim se percebesse, por exemplo, por que é que andar anos e anos e anos a dar materiais do 1.º ciclo a alunos do 3.º ciclo que tenham, por exemplo, dislexia, não funciona.

  2. Seria bom também que os critérios para ser NEE não se baseassem só em “QI médio inferior ou não”. Há tanto fator influente de dificuldade de aprendizagem, por exemplo, que rotular um aluno, apenas porque naquela altura escolar não alcançou o limite exigido para não ser NEE é castrador. O que por sua vez será influencia do resto da vida estudantil.

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