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Exemplos De Mudanças Nas Escolas

Nas escolas Ferreira de Castro, em Sintra, “todos os alunos contam” e para combater o insucesso escolar os professores criaram novas disciplinas que agora vão testar como “Ciência da Terra”, que funde Ciências Naturais, Geografia e Físico-Química

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No início do ano letivo as notícias sobre educação são em catadupa, felizmente que este ano estão centradas mais no ensino do que na colocação tardia de professores.

O que vão ler de seguida são apenas alguns exemplos do que é feito em algumas escolas deste país. Mas afirmo com toda a convicção e também com algum conhecimento, que a iniciativa, a criatividade e a diferenciação de pedagógica, são prática comum em muitas outras escolas.

As próximas linhas são dedicadas em particular para aqueles que ainda afirmam que em Portugal temos um ensino do século XIX ou XX…


Ano letivo. Nas escolas “onde todos os alunos contam” mais de metade do currículo foi mudado

O Agrupamento de Escolas de Ferreira de Castro cresceu entre bairros carenciados da freguesia de Algueirão-Mem Martins, em Sintra. Ali, muitos alunos são filhos de desempregados e os que têm a sorte de terem pais a trabalhar acabam por ficar demasiadas horas sozinhos. Invariavelmente, é quem está na escola que cuida e educa.

As escolas do agrupamento estão sobrelotadas e as instalações bastante degradadas. Os problemas económicos e sociais são uma realidade muito presente – quase 40% dos alunos têm Ação Social Escolar – e a indisciplina nas aulas é uma constante. Mas o diretor garante que os professores gostam de ali trabalhar. “É um desafio diário”, disse António Castel-Branco à Lusa.

Professores, psicólogos, assistentes sociais e restantes funcionários lutam diariamente para que os seus alunos tenham sucesso e não desistam de estudar. “O nosso principal objetivo é conseguir que aprendam. Temos de inovar na sala de aula e fazer experiências para que o ensino seja apelativo e os alunos consigam passar”, contou o diretor do agrupamento.

Por isso, assim que souberam que este ano poderiam ter mais liberdade na elaboração dos currículos, o diretor e professores desenharam um projeto com novas disciplinas e pausas letivas. Apresentaram o projeto ao Ministério da Educação que deu luz verde para avançar.

Este ano, os alunos já não terão três períodos de aulas mas sim dois semestres. Os estudantes do 7.º ano vão deixar de ter Ciências Naturais, Geografia e Físico-Química para passar a ter “Ciências da Terra”, que vai fundir as matérias daquelas três disciplinas.

A ideia partiu dos professores que desenharam as novas disciplinas. Se a experiência correr bem, no próximo ano, os alunos do 8.º ano terão “Ciências do Ambiente”, que será uma mistura de Ciências Naturais e Geografia, contou António Castel-Branco, explicando que este é um projeto em constante avaliação que pode sempre ser melhorado.

O Plano de Inovação prevê também que os alunos do 1.º, 2.º e 3.º ciclos passem a ter “Comunicação”, uma nova disciplina que durante uma hora por semana junta na mesma sala de aula as disciplinas de Português e Inglês.

No total, o projeto prevê mudanças em 28% do currículo dos alunos do 1.º ciclo, 52% do currículo do 2.º ciclo e 60% do 3.º ciclo.

A modéstia ou anos de experiência levam o diretor a vaticinar que “não vai funcionar a 100%” e que em alguns pontos poderá “ter de se regredir”. Mas Castel-Branco acredita que não será suficiente para desmotivar a sua equipa.

O agrupamento tem 204 professores, uma psicóloga, duas assistentes sociais e uma animadora sociocultural, que contam ainda com a ajuda de dez assistentes técnicas e 63 assistentes operacionais.

Esta equipa olha diariamente por mais de 2.000 alunos, dos quais quase 10% tem necessidades educativas especiais de caráter permanente.

Das 50 turmas de 2.º e 3.º ciclos, duas serão este ano de Percursos Curriculares Alternativos, ou seja, composta por alunos que já chumbaram ou que apresentam elevados riscos de abandonar a escola.

São crianças com dificuldades de aprendizagem, problemas de integração na comunidade escolar, risco de marginalização, de exclusão social ou abandono escolar. Os problemas estão identificados e o diretor promete que ali “todos contam” e, por isso, ninguém é deixado para trás.

Para motivar estas crianças e adolescentes, o diretor diz que o essencial é ter “vontade e querer”. Testemunho disso está no sucesso dos alunos nas provas finais de Português do 9.º ano: “Atingimos a média nacional”, aplaudiu o diretor de um agrupamento composto por uma comunidade escolar muito heterogénea e intercultural, com muitos imigrantes.

As escolas de Ferreira de Castro são um dos agrupamentos que aderiram ao alargamento do projeto de flexibilidade curricular que começa agora em setembro. Entre os objetivos estabelecidos pelo agrupamento de Sintra, está aumentar em 5% o sucesso académico e diminuir os chumbos em 10%.

O projeto de flexibilidade curricular começou com a atual equipa ministerial como projeto-piloto em algumas escolas do país e, depois de uma avaliação dos resultados, o Governo decidiu alargar a mais escolas dando mais autonomia para que pudessem desenhar os currículos adaptados à comunidade escolar.

Até agora as escolas tinham autonomia para mexer em 25% do currículo, mas este ano essa percentagem foi alargada.

Segundo o Ministério da Educação, cerca de 50 projetos de inovação apresentados por escolas no âmbito do alargamento da flexibilidade curricular foram já aprovados.

Fonte: Expresso

1 COMMENT

  1. É o Admirável Mundo Novo… As condições sócio-económicas dos alunos continuam exactamente o que eram mas uma miraculosa intervenção educativa vai salvar os filhos da miséria… É pensamento infantil? É! É uma intervenção condenada ao fracasso? É! A Escola Pública vai fornecer um ensino de qualidade reduzida aos mais pobres e marginalizados, mascarando-o com um intervenção de sucesso?Vai! Irá ser aprofundado o fosso entre as zonas mais favorecidas e as zonas mais pobres do país através de um currículo desigual?Irá! Mas que importa isso??? Que importa tudo isso se a propaganda é mais forte que a racionalidade??? Que importa se os alunos mais desfavorecidos ainda sejam mais descriminados se há o batom da nova caridadezinha politicamente correcta?
    Não deixar ninguém para trás é aplicar um currículo exigente e pedir a cada um o máximo de si; não deixar ninguém para trás é não pagar sal salários de miséria aos progenitores dessas crianças e integrá-los socialmente; não deixar ninguém para trás é não permitir o caminho da criminalidade com um Estado forte; não deixar ninguém para trás é ter sobre a mesa a crua verdade que mudar a realidade social é um trabalho de gerações e não com uns happenings de suposta pedagogia moderna que fazem manchetes de jornal mas nada mais do que isso!!! A ignorância vai desbragada num suposto tempo do conhecimento acessível a todos….!
    Há um Clube dos Poetas Mortos a brotar por toda a Lusa Pátria e um John Keating a medrar em cada diretor , outrora, reaccionário… Não há paciência para tanta demagogia !

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