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O Excel não sente, não reage, não conhece o contexto escolar e familiar do aluno…

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Apesar de estarmos a atravessar a fase mais crítica para os professores, em particular para os diretores de turma, hoje nas escolas, por este país fora, foi dia de festa, festa de natal. Chegou ao fim o período mais longo, demasiado longo, pois teimamos em não reconhecer os benefícios de uma paragem lá para meados de outubro, algo que pela Europa fora acontece e que permite aos professores e alunos refletir e recarregar energias.

 

A questão do calendário escolar devia ser debatida com seriedade e estabelecido um consenso entre os diferentes intervenientes, não faz sentido que o calendário escolar seja o artigo mais visto deste e outros blogues de educação, é sinal que ninguém sabe a quantas anda e a instabilidade é a norma.

Para os pais surge o problema, “e agora o que faço aos miúdos?” Há sempre uma solução, mas quem sabe se este não é o último ano em que a escola não irá ocupar essa função, a chamada escola a tempo inteiro. Existem tantas associações e clubes desportivos que precisam de ser dinamizados, porque não valorizar as instituições da terra e deixar a escola e os alunos respirarem um pouco…

Agora é tempo de “julgar” os alunos e os filhos pelo trabalho realizado, lembrando sempre que as notas que vão ver na pauta não são o fim, são sim um caminho para um fim… Cada nota tem uma mensagem pedagógica e nós professores temos a obrigação de ensinar/orientar os nossos alunos pela classificação que lhe vamos atribuir. É preciso ponderar o efeito que a nossa classificação irá causar no aluno, enquadrar a mesma e abrir a porta da melhoria, incutindo-lhe motivação e esperança que é possível fazer melhor.

Costuma-se dizer que em caso de dúvida deve-se beneficiar o aluno, nem sempre, por vezes o que aluno precisa é de um abanão para voltar aos índices de concentração e trabalho exigidos.

Quem é professor sabe o que é ficar a remoer uma nota… a pensar se é justa, se não está a cometer um erro, se deve “apostar” no aluno, se a classificação atribuída não irá criar injustiças dentro da própria turma… Avaliar é muito difícil, para mim, o mais difícil…

Cada um é como cada qual e o Excel, o tão útil Excel, é apenas um conjunto de logaritmos… não sente, não reage, não conhece o contexto escolar e familiar do aluno, por isso caros colegas e se me permitem, olhem para o Excel como um treinador adjunto, ele sabe muito, dá uns bons palpites, mas são vocês que sabem qual a melhor decisão a tomar, são vocês que passaram horas e horas a trabalhar com o aluno, são vocês que vão voltar a trabalhar com ele daqui a 15 dias…

Bom trabalho a todos e já agora, bom descanso meninos, até para o ano 😉

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3 COMENTÁRIOS

  1. A expressão “treinador adjunto” encaixa na perfeição! As grelhas com os critérios de avaliação sumativa são instrumentos orientadores (ao contrário do que alguns pensam)… O professor é quem decide o nível a atribuir e, por isso, não é preciso “manipular” as grelhas para que as contas batam certo!

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