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Exames a tudo e a todos. Faz sentido?

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É inegável a pressão que os exames nacionais trouxeram às escolas. Em conjunto com os rankings escolares, os exames tornaram-se prioritários para os diretores, professores e alunos.

Sou da opinião que os exames têm uma função reguladora, que obriga professores e alunos a atingir determinado patamar, como uma “garantia” de qualidade e equidade. Sem dúvida que essa função é importante e afasta o desleixo e alguma incompetência…

Porém, os alunos não são todos iguais, e forçar alunos a atingir determinados patamares que divergem dos seus objetivos futuros são, na minha opinião, um erro.

Defendo que os exames devem ser realizados apenas para quem quer seguir o Ensino Superior, defendo que os exames devem ser obrigatórios apenas para as áreas inerentes ao curso que os alunos pretendem seguir. E se quisermos ir mais longe, podemos até passar a responsabilidade dos exames para as faculdades e deixar a escola livre para “apenas” ensinar os alunos, dando-lhes tempo para consolidarem conteúdos, abolindo currículos gigantescos. A escola é, atualmente, um meio que apenas se preocupa em enviar alunos para o Ensino Superior… onde os próprios Cursos Profissionais estão a ser pressionados para seguir o mesmo caminho.

Hoje foi conhecido um estudo que aponta o dedo aos exames,  que mostra o desequilíbrio entre pobres e ricos e que denuncia o mercado paralelo das explicações. Apesar de tudo isso ser verdade, não deixa de ser uma consequência natural da hierarquização social a que estamos remetidos.

É preciso pesar os prós e os contras do modelo de exames que temos implementado em Portugal e refletir se este está a ser benéfico ou prejudicial ao sistema educativo.

Eu por mim já não tenho dúvidas…

Exames agravam desigualdades entre alunos e alimentam mercado das explicações

(Liliana Borges – Público)

A conclusão, resumida nesta terça-feira em comunicado, é que apenas os jovens do agrupamento de escolas públicas pior classificado no ranking afirmaram não recorrer a explicações, porque “a sua condição socioeconómica não lhes permitia” pagá-las.

Para Andreia Gouveia, este é um factor que levanta “inquietantes preocupações de justiça social e equidade”, uma vez que nem todas as famílias podem suportar os gastos associados ao pagamento de explicações, uma quantia que pode ultrapassar as centenas de euros, dependendo do número de horas e de disciplinas a que os estudantes têm apoio.

Sem surpresas, são por isso os estudantes das escolas melhor posicionadas no ranking que mais procuram centros de explicações. Para a investigadora, isso permite ainda concluir que “o mercado de explicações influencia o sistema formal de ensino, pois ao frequentarem as explicações fora da escola os alunos deixam de frequentar os apoios oferecidos no interior da escola”.

“Os fins justificam os meios”

“A fragilidade dos exames começa pela descontextualização em que operam ao ignorar os espaços de ensino-aprendizagem: não importa o processo para chegar aos resultados, o que importa acima de tudo é o resultado”, diz a investigadora da Universidade de Aveiro. E, por isso, “se os fins justificam os meios, as famílias vão usar de todos meios ao seu alcance para atingirem o fim máximo da performance escolar que é aquilo a que se convencionou chamar a excelência escolar”.

Com o objectivo de garantir o acesso à universidade, muitas famílias com poder de compra querem “assegurar a frequência das ‘melhores’ escolas e dos ‘melhores’ explicadores e quanto mais cedo melhor”, contribuindo para a lógica mercantilista, sublinha, e acentuando o fosso entre estudantes.

1 COMMENT

  1. Os exames são imprescindíveis, enquanto instrumento fiável e barato, para que as escolas possam detetar e corrigir problemas.
    O problema reside na confusão entre exames do secundário e acesso ao superior.
    É mais do que tempo das universidades fazerem, elas próprias, o recrutamento dos seus alunos.

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