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exames, provas de aferição ou a regulação externa da ação interna.

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Exams-Juan-V-LopezSexta feira passada (ainda bem que não foi dia 13) foram anunciadas algumas das novas regras pelas quais os alunos do ensino básico (atenção a este pormenor, os alunos do ensino básico) irão ser sujeitos a novas e outras regras de avaliação ainda no decurso deste ano letivo.

Os exames do 4º ano já tinham sido suspensos, esperavam-se orientações e/ou decisões quantos aos demais, nomeadamente ao nível de 6º e 9º. A opção vai no sentido de substituir os exames existentes até ao final do ano letivo anterior por provas de aferição ao nível do 2º, 5º e 8º e manter os exames de 9º ano.

Como sempre, poucos estranham, lá aparece o rosário habitual de críticas ao facilitismo e laxismo da esquerda educativa, ou e em contrapartida, os comentários revigorantes e afirmantes das opções de equidade e igualdade pelas quais o sistema público deve pugnar. Para além destas, foram ainda introduzidos, recentemente, novos elementos de argumentário. Por um lado, relativos à avaliação que deve ser feita ao sistema antes de qualquer decisão, antes de qualquer opção. Aí, cruzam-se olhares e esquerda e direita (entendam-se os comentadores de um lado e do outro, se bem que poucos, muito poucos, assumam ideologicamente o seu lado) comungam da indicação que a coisa deve se avaliada, ponderada e, só depois desse efeito, retiradas as más partes (como que coado o leite) assumir novas opções. Por outro, um outro que diz respeito ao timming da decisão. Como se existisse um timming mais certo ou mais adequado que outro, como se a agenda política se deixasse condicionar ou influenciar por uma qualquer pretensa agenda pedagógica.

Uma leitura, ainda que em diagonal da informação enviada às escolas dá conta de diferentes ideias.

Uma primeira, já com barbas e perante a qual os professores sempre se reviram, a avaliação é uma coisa de especialistas. A ideia de especialista surge em dois momentos chave. Um a abrir («ouvidos vários especialistas) outro a fechar, sobre o grupo de trabalho a criar especialistas em…» qualquer coisa.

Para além destas, há uma ideia que se me afigura cara. Enquanto «proposta» (ideia que não é reforçada mas que ali se encontra), surge uma afirmação que talvez seja a primeira vez que leio em contexto normativo (ainda que habitual no argumentário do diálogo ou nas ideias que depois dos diplomas se apresentam). Uma ideia que diz respeito ao facto da complementaridade entre avaliação interna e externa. Dado “algo” óbvio para muitos, mas que agora surge claro, na afirmação que «a avaliação contínua deve ser o instrumento por excelência da avaliação interna, devendo os instrumentos de avaliação externa atuar como recurso que potencie a avaliação interna realizada na escola».

Esta ideia torna-se central em face da assunção, ainda que algo esbatida que, se por um lado, é «um dever da administração educativa monitorizar» os desempenhos de todos, por outro se afirma algo que apesar de propalado é de difícil execução e que passa pala implementação de «estratégias diferenciadas que integrarão a prática letiva subsequente».

Em síntese, uma vez mais não se agrada a todos e se afirmam as múltiplas alternativas de trabalho que existem na área educativa e escolar. Mas também se afirma a preponderância do Estado central, ao afirmar as suas opções e a sua agenda. Minimiza-se e secundariza-se todo o trabalho local, das autonomias profissionais e locais. Pode estar certo, precisamos de orientações. Não estará totalmente certo. Considero que há espaços locais próprios onde é possível rivalizar e/ou complementar o protagonismo central.

De resto tudo correrá como sempre, elogios de uns, críticas de outros, indiferença de muitos.

 

Manuel Dinis P. Cabeça

11 janeiro, 2016.

2 COMMENTS

  1. Aproveito para informar que é falsa a afirmação no início do “comunicado” de foi ouvido o Conselho de Escolas. Faço parte deste órgão e posso garantir que nunca fomos consultados sobre este assunto.

    • agradeço a indicação, pode ser oportuna para esclarecer orientações e opções e estratégias, contudo considero não ser o alvo mais adequado ainda que perceba que seja utilizado para veicular uma posição;

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