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“Eu, mãe de dois filhos pequenos, trabalhadora, decidi DESISTIR hoje do ENSINO À DISTÂNCIA”

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A opinião é válida e está devidamente fundamentada. O desabafo desta mãe serve também para lembrar que o ensino à distância precisa de conta peso e medida. Posto isto, não posso concordar com a tomada de decisão desta mãe, pois existe sempre a opção de colocar de parte o #EstudoEmCasa e de filtrar aquilo que os professores estão a exigir, principalmente quando se trata de uma criança tão pequena.

Esta mãe é das que se preocupa e tem um papel ativo perante a escola e a educação do seu filho, merece por isso o meu/nosso respeito. Numa altura em que mais do que nunca o Ensino está dependente dos pais, é imperativo uma simbiose entre Escola e Família de modo a evitar mais casos como este.

Mais do que nunca, convém realçar que estamos todos no mesmo barco…


Eu, mãe, RECUSO-ME

Eu, mãe de dois filhos pequenos, trabalhadora, decidi DESISTIR hoje do ENSINO À DISTÂNCIA.

Este texto não é para os pais que sentem que o ensino à distância, nos moldes em que lhes está a ser apresentado neste momento, está a funcionar lindamente. Este texto não é para os que conciliam perfeitamente teletrabalho, tarefas domésticas, gestão de vários filhos e sanidade mental.
Este texto não é para dizer que eu tenho razão. Este texto não é para desvalorizar o empenho extraordinário de imensos professores nesta época que vivemos. Este texto não é para criticar destrutivamente a telescola, as plataformas ou o zoom. Este texto não é uma competição parental para dizer que eu sou melhor ou pior mãe que as outras ou que os meus filhos são melhores ou piores que os vossos. Este texto não é, assim, para despoletar trocas argumentativas do que é que está certo ou errado. Todos temos crianças em idades diferentes, com autonomias diferentes, com ambientes familiares diferentes, com recursos diferentes, com pais que têm prioridades e formas de estar na vida diferentes.

Assim, este texto é para ajudar pais que hoje ou noutro dia qualquer anterior, sentiram o mesmo que eu. É para lhes dar força para fazerem aquilo que dentro deles sentem que está certo, tal como eu hoje decidi fazer o que sei no meu coração que está certo. Que deram por eles com a sensação de que isto não está a fazer sentido nenhum e que não querem, não conseguem fazer parte disto.

Até hoje eu estava a ser colaborante com o que era enviado pela escola. Os professores do meu filho do 1ºano (titular e AECs) têm sido incansáveis a relembrar que percebem perfeitamente as circunstâncias actuais e que só fazemos aquilo que conseguimos. Foi isso que fiz e embora me causasse algum stresse ver os emails de diferentes disciplinas a entrar e não exigir de mim mesma cumprir tudo, fui selecionando o que me pareceu mais relevante. Meti na cabeça que o importante era manter a serenidade familiar e que as aprendizagens do meu filho seriam ao nosso ritmo. Ele só há pouco começou a escola mas tem sido um excelente aluno, não me tem causado uma única preocupação na escola e portanto seriam apenas uns meses a fazer o que me fosse possível junto dele, mesmo não concordando com nada disto. Mesmo estando certa e convicta de que era importante parar. De que era importante deixarmos os pais respirarem. De que as crianças não deixam de evoluir por estarem uns meses sem conteúdos curriculares. De que estamos no meio de uma pandemia que nos diz que o mundo está quase parado mas que a regra continua a ser a de produzir a todo o custo, crianças incluídas. Não interessa como, de que forma. Não interessa se é útil. Interessa mostrar trabalho. Interessa o “the show must go on”.

Mas forcei-me. Insisti. Dei por mim meia perdida nas plataformas. Dei por mim a fazer uma gestão de separação entre os trabalhos de Português, Estudo do meio, Matemática, expressão plástica, educação física e educação musical. Dei por mim a fazer malabarismo entre os emails de pacientes, os emails da escola, as tarefas da casa e as constantes solicitações da mais nova enquanto o irmão fazia os trabalhos. Dei por mim a achar que até estava a correr bem, que conseguia organizar-me.

Sucede que hoje surgiu a novidade da telescola. Surgiram também novas indicações. Mais sites, mais links em articulação com a telescola. Agora seria mais uma frente. Para além das propostas via email, tínhamos também as fichas para descarregar dos conteúdos apresentados na telescola. O site entupido. Uma hora para imprimir uma ficha. Vou ao email e nesse espaço de tempo recebo três emails de diferentes trabalhos de expressão plástica. O 25 de Abril, o dia da Mãe e outro qualquer. Recebo também a indicação da ficha de matemática do manual para o dia de hoje.

Começo a sentir-me assoberbada, o cortisol a subir. Nisto passa uma manhã inteira e sinto que não fiz nada de jeito com eles. Entretanto há o almoço para preparar. Entro em piloto automático, até que decido parar. Respirar. O meu corpo começa a dar-me as respostas. O meu corpo começa a dizer-me que não se vai sujeitar a isto e que consequentemente não vai sujeitar os seus filhos a isto. O meu corpo decide. Sem saber bem quais as consequências, sem saber a reacção dos professores mas o meu corpo decide que não vou continuar nesta máquina. Que vou sair dela. Que já saí, que já saltei.

Peço à professora do meu filho para falar com ela por telefone quando for possível. A resposta foi rápida. Falámos bastante tempo, trocámos uma série de ideias sobre os tempos que vivemos e eu comuniquei-lhe calmamente a minha decisão. Ela foi, mais uma vez fantástica. O meu filho tem muita sorte e só desejo que mantenha esta professora até ao fim do ciclo.

Portanto, a partir de hoje, acabaram-se os emails das propostas diárias. A partir de hoje acabaram os links de articulação aos conteúdos da telescola. A partir de hoje acabou-se a gestão das disciplinas nas plataformas e o tempo enorme que perco a selecionar, visualizar, imprimir conteúdos sem grande relação entre si. A partir de hoje sou eu que vou ensinar o meu filho e dar continuidade, com aquilo que sei, consigo e posso, ao trabalho que a escola fez até esta ter fechado e assim será até esta reabrir.

Posso usar os manuais da escola para me orientar, posso dar-lhe fichas, posso manter alguns métodos mais tradicionais. Mas também posso decidir que naquele dia vamos à prateleira buscar um livro à escolha dele e explorá-lo à nossa vontade. Posso decidir não imprimir o desenho do dia da mãe e fazer plasticina. Posso decidir não ter tudo programado, posso não fazer absolutamente nada de planeado quando tenho mais trabalho ou estou mais cansada e deixar que brinquem livremente.
Cortei hoje pela raiz porque não me basta dizerem-me que faço aquilo que posso. Não dá para me dizerem que só faço o que posso quando não consigo deixar de ver tudo o que está a ser solicitado.

Pela minha sanidade mental, e pela deles, preciso de sentir total liberdade para estar disponível para os meus filhos, para cumprir rotinas básicas do quotidiano e para atender os meus pacientes. Libertei-me do planeamento da escola e isso por si só dá-me espaço para ser criativa com eles no tempo e capacidade que tenho.
O meu filho terá 12 anos de escola. Estes meses serão igual a zero na evolução de conteúdos escolares na soma dos anos. Mas não serão igual a zero no rumo que senti que isto ia tomar na minha realidade pessoal. Alguns meses de inferno são suficientes para perdurar demasiado tempo na nossa dinâmica familiar.

Hoje rasguei a ficha da “mosca fosca” da telescola, livro que temos e que eles adoram mas que simbolicamente metemos hoje de lado e fomos buscar outro livro, fomos buscar o scrabble e andámos a fazer palavras com as peças. Hoje apeteceu-nos fazer yoga do livro do tubarão apaixonado e hoje a mãe deles ficou aliviada porque sente que tomou a decisão certa.
A professora continuará a saber de nós estes meses, continuará a saber o que vamos fazendo, mas ao contrário.

Volto a dizer. Este texto não é para quem sente que está tudo bem (se está, continuem!) nem para dizer o que está certo ou errado. Este texto é para partilhar o que eu sinto que está certo para mim e para os meus filhos e para empoderar pais que estão a precisar de parar. Vocês podem parar. Vocês podem dizer não. Vocês podem recusar-se. Vocês podem sair desse filme em que se sentem engolidos por decisões governamentais formatadas e sem olhar para as diferentes realidades familiares. Vocês podem sentir que não estão a falhar em todo o lado. Na escola, no trabalho, nas refeições. Vocês podem libertar-se. Vocês podem decidir com base no que sentem estar certo e não com base no medo. Medo de ser diferente. Medo dos filhos não evoluírem. Medo de não cumprir.

Ouçam-se e decidam. Eu já decidi. Amanhã trabalho o dia todo e os meus filhos vão para casa do pai, que tem estado a trabalhar fora de casa a tempo inteiro, brincar. Sim, amanhã vão apenas brincar com pai! E na quarta-feira, eu logo decido. Temos até Setembro para aprender. Temos até Setembro para não fingir que temos uma escola em casa.

Ana Rita Dias

22 COMMENTS

  1. Tudo muito bonito, mas atenção!
    Pelo 14-G, será abandono escolar…
    Estará brevemente com a CPCJ e a Escola Segura à perna…

    • Não estará nada, a mãe continua ligada à escola, em diálogo construtivo e não destrutivo da sua família. Pelo seu discurso depreende-se que a mente da equipa de professores que a acompanha não foi oKupado pela burrocracia digital.

    • Parabéns. Não tomei essa decisão porque tenho filhos de 8 e 12 e é mais complicado tomar essa decisão. Mas sinceramente é o que gostaria de fazer. Parabéns pela coragem. Continuar a fingir esta normalidade aberrante é que é aberrante.

    • Não será abandono escolar pois a mãe deixou claro que a professora continuará a saber deles… O sentido da comunicação é que sofre uma “inversão”!

  2. A minha solidariedade para com esta mãe e o meu reconhecimento pelo seu equilíbrio, discernimento e coragem. Agora que se procedeu à transfusão da escola para os lares, constata-se que as famílias foram apanhadas pelo turbilhão em que se transformou a escola e que arrebata a vida dos professores e das suas famílias. Algures no tempo, no laboratório mental de MLR, foi criado um vírus chamado avaliação de desempenho, esse vírus comportava a exclusão, perversamente promovia a dança das cadeiras, não havia cadeiras para todos, por isso toda gesticulação contava para capturar a almejada cadeira. Assim se eu uso Teams, toda a gente tem de usar, seja ou não indispensável. Se eu uso o Zoom, toda a gente entra na onda, melhor cedo do que tarde, ninguém pode ficar de fora. Se eu recorro ao Moodle, todos têm que picar o ponto, e por aí fora…submergidos a nadar no mar de plástico tecnológico. Quando damos por nós, estamos esmagados por uma multiplicidade de estratégias tecnológicas, porque sim, e arrastamos todos para a nossa condição. Agora que esta escola transvasou para as famílias, compete às famílias, estranhas a este universo, conter este flagelo e manter a sanidade mental. Vocês estão certos, nós estamos errados. As famílias não têm a espada da ADD sobre as suas cabeças, são livres, mantenham o equilíbrio. Pensar, é saber dizer não. Nós por cá vamos andando, até que um dia do nevoeiro chegue um Ministro da Educação com discernimento igual ao desta mãe, não é preciso mais. Claro que há professores, como esta mãe disse, que mantêm vivo o espírito crítico, não estão alienados, e compreendem muito bem a situação desta mãe, proporcionado-lhe alternativas para respirar.
    É evidente que os alunos têm que continuar a ser estimulados, o ensino à distância é necessário, não se deve cortar com a escola, mas com ponderação e sensatez, sem invadir o espaço e o tempo das famílias, como estão habituados a fazer com os professores.

    • Subscrevo! Muito Bom!
      Quanto aos professores… felizmente ainda há gente sensata e critica, que se está a “borrifar’ para os simulacros das avaliações de desempenho e que percebem que o seu dever de “obediência” é para com a Lei e para com o servir, com justiça e equidade e, em conformidade com a CRP, a educação do País!

  3. Entendi que ia abandonar o Ensino à distância orientado e não que iria abandonar na totalidade…pelo que CPCJ não me parece.

    Concordo com esta mãe…e os vídeos são muito chatos…se nenhuma inovação….espero que o trabalho do actor seja mais valorizado a partir de agora.

  4. Estou inteiramente com ela … isto é insano … crianças de 1º ciclo a serem bombardeadas todos os dias NÃO É RACIONAL … acho que ela tomou a atitude certa … não parou, vai continuar a estimular o filho, mas com conta, peso e medida … as escolas e professores (eu sou professora!!) devem ser parcimoniosos nas solicitações … trata-se de tempos atípicos e um ano letivo absolutamente anormal … há que procurar equilíbrios!

  5. Bom dia,
    Sou professor do 1º ciclo…
    Seria fácil e muito “cool” vir aqui aplaudir a decisão desta senhora. Não o vou fazer! Não posso concordar com a situação de abandonar a escola. Pois neste momento é a “escola” que foi possível construir, dadas as circunstâncias. Estes gritos de “libertação”, podem ser facilmente confundidos por pessoas que não têm as capacidades desta família para depois recuperar ” algumas”, mesmo que sejam pequenas as pequenas aprendizagens, no final, conseguidas. Quando diz ” os meus pacientes”, supostamente será médica e se necessitar, como último recurso, colocará, logo que possível os seus filhos em explicações para o seu filho recuperar algumas aprendizagens, se isso se verificar. Ora, isto não acontece com a grande maioria das famílias portuguesas.
    Eu acredito que a senhora esteja muito assoberbada de trabalho. E também acredito que algumas escolas/professores, estejam a exagerar nos trabalhos que pedem aos alunos. Isto é uma situação que deve ser revista por alguns agrupamentos e professores. Os pais não podem ser transformados, exatamente em professores de Apoio Educativo, só que desta forma a operar em casa. E volto a relembrar, que o objetivo da criação do “estudoemcasa”, foi no sentido de chegar aos alunos sem internet, sem computador ou outra forma de ligação com a escola. No entanto, parece que as coisas estão a ser interpretadas de outra forma. Agora, ao tempo que os alunos estavam com o(s) seu(s) professor(es), parecem querer ainda juntar mais o tempo da”telescola” à festa. É demasiado tempo em contacto com esta “escola”. Ou se faz de uma forma ou de outra. A Teleescola para quem, infelizmente, não tem os meios acima descritos, e deixar o contacto com os professores para as plataformas, ou outras formas privilegiadas de comunicação entre escola e alunos. Juntar as duas coisas é um erro, principalmente para aqueles que levam tudo à letra e no final temos redundância de tarefas e atividades ao quadrado. Assim, de facto, no final tudo fica baralhado e torna-se absolutamente contraproducente.

    • Mãe de 3 filhos (em valências diferentes 3º, 6º e 11º anos), em teletrabalho, com
      o mais novo com PHDA e TOD, e a mais velha à beira de um ataque de nervos pelos exames do 11º ano.

      Como diz o Hélder, quem escreveu este texto será alguém que na necessidade poderá meter o filho num centro de explicações, e que esse alguém tem um filho que “tem sido um excelente aluno”.

      Mundos diferentes e a respeitar.

      Há pais que têm trabalhos precários, outros tantos deixaram de ter… Há alunos de quadro de excelência e há alunos para quem um simples rabisco é uma victória nas suas dificuldades na motricidade fina, por exemplo.

      Eu não, não vou deixar o ensino à distância / casa. Não quero e não posso!
      1º porque o meu filho precisa de um trabalho muito mais próximo e continuo, e a minha filha mais velha altera os pensamentos entre aulas online, trabalhos e médias de entrada para a faculdade.

      Agora deixar de ter controlo sobre todas coisas também não (e-mails, trabalhos, tele-escola, etc). A escola não se mudou totalmente para minha casa.
      Continuamos a não fazer tudo a “contra-relógio”, e se naquele dia não apetece de todo o mais pequeno trabalhar… lá se brinca mais um pouco e no outro dia com vontade e concentração (a possível num PHDA) trabalha-se mais a sério.

      Entendo e respeito o esforço que a grande maioria dos professores está a fazer, pais iguais como nós.
      A escola tem sido uma excelente aliada na educação dos meus 3 filhos.

      Confesso que os meus filhos nesta fase estão na Internet, no telemóvel e em consolas de jogos mais tempo que o desejado, mas a verdade é que eu também tenho que trabalhar e manter-nos os 4 em casa sem uma única saída da porta para fora há quase 40 dias, permite-me ser mais condescendente.

      No meio disto tudo, e não falo especificamente no texto em referência, lamento o não respeito pelo trabalho dos outros. (Na própria classe de professores é gritante)
      É novidade para todos esta situação, uns melhor, outros pior vamos adaptando-nos e re-inventando-nos no que for necessário e possível. Isto não durará sempre!!

      Enquanto a minha sanidade mental permitir irei ao “meu/nosso” ritmo mantendo o estudo que nos facultam e o meu teletrabalho.

      • Os meus aplausos para esta MÃE! Percebeu exatamente aquilo que deve fazer:

        1º- Continuar a lutar diariamente para que os seus filhos mantenham o contacto com os professores;
        2º- Dentro das suas possibilidades, vai filtrando e dando prioridade às tarefas enviadas pelos professores, concretizando-as, apenas gerindo-as e intercalando-as com as interações naturais de uma família;
        3º- Clarividência demonstrada!

        Nota: Passou com distinção no percurso de adaptação à nova realidade.

    • Nem mais, alguns esqueçam se que uma parte da população não tem as mesmas condições e até acesso a tecnologia, daí esta solução que permite chegar a todos.

    • Como sempre foi e continua a ser repetido por todos os professores, a escola é para ensinar português, matemática,história ( etc) , a educação é dada em casa.
      Exactamente!!! Eu sou mãe e não professora,a minha função é educar, transmitir valores, dar o colo e limpar as lágrimas quando está um.dia de sol mas não se pode ir à rua, quando é domingo mas não sabe ir ver os avós, quando é segunda-feira e se têm saudades dos colegas. É minha função gerir as minhas e as suas emoções numa situação que ainda ultrapassa o seu parvo entendimento. É também a minha função continuar a sustentar a casa financeiramente e em todas as tarefas diárias…
      As plataformas são as possíveis, os professores dão o seu melhor e merecem o devido respeito,mas escola vai mais devagarinho…aqui temos um lar não uma sala de aula, uma mãe que é professora de vida mas não das matérias escolares.
      Eu compreendo esta mãe, perfeitamente. Não tenho de achar certo ou errado, cada um com a sua realidade.

  6. A minha descendência já é adulta mas não é por esse facto que esqueci o tempo da sua infância e da sua adolescência, isto num mundo que, apesar de tudo, tinha mais tempo para a família e em que o equilíbrio entre família e trabalho era, inegavelmente, mais equilibrado e mais respeitado… hoje (quem sabe a actualidade fará os cidadãos pensarem de outra forma e serem mais exigentes) os indivíduos são, tão só, números que servem o trabalho/ economia/ finanças e pouco se servem deles, numa relação profundamente desigual que subordina a Vida de muitos à Ganância de poucos!

    Por tudo o que vivo, por tudo o que já vivi e pelo que perspectivo para o futuro, COMPREENDO, APOIO e SUBSCREVO, inteiramente, a posição desta mãe!

    Pois que compete-nos, a cada um de nós, tomar decisões que convictamente cremos para um colectivo e um mundo melhor! Pensar individualmente e agir colectivamente é difícil mas não impossível… basta exigir de volta o que nos tem sido, sorrateiramente, sonegado: TEMPO DE SILÊNCIO, TEMPO PARA PENSAR, TEMPO PARA SER!

  7. Bem-vinda ao Portugal do século XXI. Talvez o Sars-Cov-2 também tenha como efeito secundário afetar o cérebro e todos deixámos de pensar. Bom todos não. Mas muitos.Também eu comuniquei à escola C+S de uma das minhas filhas (são 3) que a iria proibir de assistir às aulas. Temos quatro filhos, eu sou docente do ES e dou também aulas remotas. Aí a coisa corre bem. São ADULTOS! Gerir tudo isto em casa é UMA INSANIDADE! E para quê??? Para que precisam crianças de 11 anos de completar o 3 periodo numa situação de exceção? Pq não serve a telescola? Quem estamos a formar nessa idade? Gente pensante ou imbecis que um dia mais tarde vão tomar as decisões que os agora responsáveis andam a tomar? Manter a mesma carga letiva presencial, mas agora em versão remota para crianças de 11 anos? Para quê confusões atrás de confusões com gente (vulgo muitos professores) que nem mandar um sms sabe quanto mais gerir uma plataforma de ensino à distância? Como se faz para explicar a uma criança de 11 anos que agora tem 10 plataformas diferentes que gerir (zoom, teams, skype, Webex…) e que dentro de cada uma tem várias palavras chave distintas e que muitas vezes tem de recorrer ao TM para validar um acesso? Como se diz a uma criança, tira lá uma foto do teu trabalho e agora faz upload na plataforma para o Prof. ver?? Como se diz a uma Prof. com 60 anos que agora vai começar a usar o teams e por isso aprenda? Como se diz a uma familia pobre que agora para além de internet rápida também vai arranjar computadores e telemóveis para todos?? Está tudo MALUCO. Depois admiram-se que os Xanax, Victans e outros que tais sejam vendidos como pães nas farmácias… Por que será?

  8. Será que esta senhora pensou em que situação coloca a professora titular de turma que tem de receber trabalhos e concretizar avaliação desse aluno decretado pela tutela?
    Penso que só olhou para o seu umbigo, não faz mais, faz menos, mas tem de fazer e apresentar a quem planifica e gere a aprendizagem do filho.

  9. Não se justifica, mas cada um sabe de si.
    Eu também tenho mais do que um a estudar, criei um email para o meu filho, para onde reencaminho os email’s que me chegam da escola. Criei uma pasta para cada disciplina, onde coloco os trabalhos para fazer, outra com os trabalhos feitos. Quanto ao Estudo em Casa, se não conseguir acompanhar à hora mencionada, pode gravar e ver a outra hora, de modo a que os Filhos não fiquem em aula e precisem de ajuda em simultâneo. As aulas são faladas e por vezes um pouco rápidas, assim, utilizo o botão “pausa”, para o meu filho fazer ou escrever o solicitado. É uma questão de coordenação. Aqui somos 3 a estudar, em 3 ciclos diferentes,universitario, secundário e primário, com necessidade de partilha de computador.

    • Ora, aí está!
      Organizem-se! (O que a dita não fez, foi pelo lado mais fácil, logo no primeiro dia, 20/04: umas lérias, pouca responsabilidade, a cachopada para casa do pai e… assunto arrumado, até ao verão).
      Estes tempos diferentes continuam a implicar, entre outras coisas, ASSIDUIDADE e AVALIAÇÃO: CPCJ, Ministério Público…
      Há por aí gente a dar tiros nos pés que, mesmo que fossem umas centopeias, já andavam de cadeira de rodas… Outros, são um “pau de dois bicos”!

  10. já se pensou que a “telescola” surge essencialmente para as crianças e adolescentes que não têm os recursos necessários para o estudo fora da escola? os restantes têm o devido apoio dos respectivos professores, e devem, até, estar gratos por terem mais um recurso disponível na televisão, se o quiserem e/ou souberem gerir…vamos parar pensar, ser generoso e solidário; menos stress

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