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Estudos Provam Que O Elevador Social Funciona Com Deficiências Na Escola Pública

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Um estudo analisa os resultados obtidos a partir de dados relativos aos alunos que no ano letivo de 2011/2012 frequentavam o 6.º e 9.º anos em escolas públicas, como explica ao EDULOG um dos seus autores, Luís Nunes, investigador da Nova School of Business and Economics, Universidade Nova de Lisboa.

Olhando para a dimensão da turma, mas também para a sua composição – através de indicadores relacionados com os alunos, como a idade, o sexo, o escalão de apoios sociais escolares, o acesso a Internet em casa – “o efeito do tamanho da turma não é significativo, enquanto os outros fatores que têm a ver com a própria composição da turma acabam por ter mais influência relativamente ao seu tamanho”.

Nos últimos dias, foi-nos também apresentado pelo Jornal Público um estudo feito pela Edulog, Fundação Belmiro de Azevedo,  que vem reiterar que a escola como elevador social apresenta deficiências.

Segundo o estudo, o nosso sistema de ensino reproduz desigualdades económicas e sociais, ou seja, quem é pobre terá menos oportunidades com o atual sistema de ensino, quem rico é, terá mais hipótese de acesso aos cursos superiores mais procurados e com maiores médias. Por exemplo 70% dos estudantes de medicina são filhos de pais com formação universitária e somente 8% têm bolsa de estudo.

Estes estudos mostram-nos que a igualdade de oportunidades começa na formação de turmas e quanto mais homogéneas forem em termos de realidade social melhores podem ser os resultados, mas mais se reproduz a sociedade ficando os pobres sem hipótese de ascensão social. Esta é a estratégia dos privados (também de algumas públicas nos centros urbanos), fazem turmas homogêneas, selecionando alunos.

Estes resultados sobressaem depois no ensino superior em que os melhores alunos vão para os cursos como medicina, algumas engenharias e arquitetura. Os alunos das classes mais pobres tem tendência a ir para os politécnicos, segundo o estudo divulgado pelo jornal Público.

Concluindo, estamos pois a reproduzir a sociedade e não a alterar a estrutura social através da educação.

Rui Ferreira

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1 COMENTÁRIO

  1. Há muito que descobri esta realidade. Urge apostar na formação de professores, estes não são capazes de dar respostas aos mais carenciados. Legislação não falta, é preciso,antes de mais, lê-la.

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