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Estratégia Para Recuperar O Tempo De Serviço

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As diferentes regras do Póker e estratégias,  podem ser utilizadas para atingirmos os nossos objetivos: o bluff, o saber quando sair, o saber quando fazer all in, faz parte do cardápio de um bom jogador.

A recuperação dos 6 anos que nos foram sonegados pelo anterior e atual Ministério da Educação, merece uma abordagem semelhante.

Julgo que estamos na fase de sair da mesa de jogo, de deixar a poeira assentar e perceber que os professores e os seus sindicatos foram derrotados pela jogada all in de António Costa, quando ameaçou sair do Governo a poucos meses das eleições, caso o Parlamento aprovasse a devolução dos 9 anos, 4 meses e 2 dias.

Todos nós, professores e sindicatos, precisamos de entender que os 6 anos que faltam dificilmente serão recuperados, até pela previsível recessão mundial que se avizinha a breve trecho. Porém, a toalha não deve ser atirada ao chão, até porque os “planetas” podem alinhar-se novamente e levar à recuperação do que é devido.

A população precisa de estar ao lado dos professores

É essencial! António Costa fez o que fez, pois sentiu que tinha a população a seu lado e não ao lado dos principais sindicatos. Ano após ano apresentam o mesmo discurso, com ações que até os próprios professores por vezes não compreendem.

As recentes denúncias de agressões a professores, podem alavancar um sentimento de empatia da sociedade para com estes, algo que precisa de ser inteligentemente “explorado” pelas estruturas sindicais. Só depois dos níveis de empatia estarem em níveis favoráveis, é que a cartada da recuperação do tempo de serviço deve ser apresentada.

Falta de professores

Julgo que é consensual por todos aqueles que estão de boa fé, que na próxima década a falta de professores será um tema rotineiro nas notícias, pelo menos em algumas disciplinas. Evidentemente que a recuperação dos 6 anos não afetará os novos professores, mas a sua devolução trará algo essencial para os futuros professores, a restituição da confiança no Estado como pessoa de bem e de palavra, bem como a valorização da carreira e dos seus profissionais.

Se queremos ter novos professores, estes precisam de sentir que serão respeitados no futuro e que vale a pena seguir esta carreira.

A discriminação perante as Ilhas

Somos todos filhos do mesmo Ministério, mas fomos tratados de maneira diferente. É impossível não sentir a discriminação que vigora pela recuperação que foi dada aos professores das ilhas, esquecendo os professores do Continente. Todos pagamos impostos e esta questão está longe de ser pacífica ou esquecida. Além de certos aspetos que falta esclarecer, como o que acontece a um professor das ilhas que daqui a uns anos fica colocado definitivamente numa escola do Continente? Devolverá os 6 anos? Devolverá o dinheiro que ganhou até então?

É possível recuperar o que agora parece impossível, mas para tal acontecer, será preciso muita paciência e principalmente muita perspicácia e inteligência por parte dos nossos sindicatos. Não é só o corpo docente que precisa de rejuvenescer, as estruturas sindicais também. Precisamos de algo diferente para reativar a vontade de lutar dos professores!

Alexandre Henriques

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