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Estimativa De Professores Que Querem A Pré-Reforma E Quantos Estão Dispostos A Perder Dinheiro

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Nem por acaso, no dia que ia publicar os resultados da sondagem ComRegras realizada aos professores sobre a temática da pré-reforma, a Fenprof diz que quer saber quantos são os professores interessados e até teve direito à primeira página no DN.

Vamos por partes…

Quantos são os professores em condições de ter a pré-reforma (55 anos ou mais)?

A Fenprof fala em 50 mil e não deve andar muito longe da verdade. Utilizando os dados que são conhecidos, no Ensino Público constatamos que existem cerca de 53000 professores e no privado cerca de 4500, todos com mais de 50 anos. O acesso à pré-reforma é aos 55 anos, por isso a afirmação de Mário Nogueira faz todo o sentido.

Fonte: Público

Mas afinal, quantos professores querem mesmo a pré-reforma e estão dispostos a perder dinheiro?

Tomemos o número de 50 mil como o universo de professores em condições de pedir a pré-reforma. Na sondagem realizada pelo ComRegras, metade (47%) dos visados não estão interessados, o que tendo em conta as notícias recentes, confesso que é um número bastante elevado e surpreendente, pelo menos para mim.

Julgo que a questão central estará na fatia do orçamento que ficará retido. É por isso natural que os professores aceitem com mais “facilidade” um corte até 25%. A nossa sondagem revela exatamente isso, com valores na ordem dos 38%, ou seja, cerca de 19 mil professores.

Claro que um corte de 25% será destinado aos professores mais velhos, provavelmente com mais 60 anos, e apesar das pesquisas que fiz, não consegui descobrir quantos professores têm 60 ou mais anos. Logo, os 19 mil professores que referi é um número que peca por excesso.

De realçar também que existem cerca de 11% dos inquiridos que aceitam um corte entre os 51% e 75% no seu vencimento. Um corte brutal!!! Fazendo mais uma vez uma simples extrapolação, estaremos a falar de cerca de 5500 docentes.

Em resumo e apesar da margem de erro que existe sempre numa sondagem não oficial, e de ainda não sabermos as condições do Governo, julgo que um “rombo” de 15 mil professores, será um número minimamente fiável. Mas mesmo que sejam 10 mil ou mesmo 5 mil, uma coisa é certa, são muitos e estes milhares vão causar uma falha significativa em diversos grupos disciplinares, agravando a situação atual que só por si já está presa por arames.

O Governo de certeza que sabe disto, não é por isso de estranhar o adiamente sucessivo da divulgação das condições para aceder à pré-reforma.

Fica o quadro da nossa sondagem e obrigado a todos os que participaram.

Alexandre Henriques


Professores. Fenprof estuda apresentação de pedidos de pré-reforma “em massa”

(Observador)

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7 COMENTÁRIOS

  1. Se tiver fortuna pessoal ou viver de rendas não há problema nenhum.
    Se viver do seu trabalho nem aos 66 convém a reforma visto os atuais professores com 50 anos nunca mais saírem do 4 escalão.
    E não vão viver com 600€ , certo?

  2. Alexandre,

    O resultado 47,42% que afirma não estar interessado é perfeitamente normal.

    Como escreveu o Lutero, para quem não tenha fortuna, viva de outros rendimentos ou tenha ascendência endinheirada esta hipótese não seria disparatada.

    Para a grande maioria é algo a recusar. A gente tem de aguentar ao máximo nem que vá “ensinar e aprender” de andarilho e fraldas de incontinência. Um momento de ternura, sem dúvida, de grande cidadania intergeracional a nível de relacionamento de crianças e jovens e seus putativos bisavós.
    A brigada do reumático veio para ficar e Strikes Again.

    May the Force Be With Them!

  3. Por acaso saberão quantos professores puderam usufruir dos 2anos,9…., atendendo à contabilização o tempo de serviço (artº2º, DL36/2019)
    Mais simples: quantos não poderão usufruir ? (todos os que estavam no 9º escalão até 31 de dezembro de 2018).
    Obrigado
    EA

  4. Há algum tempo atrás, o colega Alexandre Henriques até reconhecia vantagens para todos, erário público incluído, na aposentação antecipada. Agora, está muito preocupado com a falta de professores, etc., etc. Pois eu não tenho qualquer preocupação, visto não ter contribuído para o problema, se é que existe mesmo. As pessoas não aceitam horários incompletos longe de casa. A indisciplina grassa na escola pública, ir para certas turmas é um tormento autêntico! Desgastam-nos, degradam-nos, infernizam-nos a vida e a de alguns miúdos que até querem aprender. Talvez seja diferente na sua disciplina, o espaço e grau de liberdade é outro, mas nas disciplinas mais teóricas é um horror! E não me falem em diversificação de estratégias, por favor. Nem filmes, nem pesquisas nos computadores, nada funciona com estes jovens. Conseguem abandalhar tudo!Para não falar na má criação com que se nos dirigem…
    Mais: com quase 60 anos, tenho mais turmas e alunos do que aos 40!
    Caro colega Alexandre, perante este panorama acha que devemos trabalhar até aos 80? É que o problema do desinteresse por esta profissão vai prosseguir e, se não for agora, havemos de chegar à aposentação daqui a 6 ou 7 anos. Nessa altura, o que fazer?
    Entretanto, vamo-nos arrastando pelas escolas, a ansiar por um atestado.

    Deixem-nos ir embora e melhorem as condições para os mais novos. Eles aparecem, vão ver.

    • Estava e estou de acordo com a aposentação antecipada dos professores. Não quer com isso dizer que não esteja preocupado com a falta de professores no presente e no futuro.

  5. Tudo o que diz o ou a colega Nascimento é verdade. Eu consegui sair a tempo, até por achar que era nessa altura (2010) ou nunca. É inaceitável esta situação dos professores ficarem retidos no 4º escalão. No “nosso” tempo havia o exame de acesso ao 8º escalão. Não dependia de vaga, ou se passava ou não. Isto que estão a fazer à carreira dos docentes é que vai criar problemas de escassez. Quem quer uma carreira assim? Por outro lado, muitos dos professores mais jovens ou melhor, menos velhos, olham de lado para quem recebe pelo 9º escalão (professores com mais de 55 de certeza, mais ninguém conseguiu escapar às malhas de Sócrates e da sua ML Rodrigues e Walter Lemos), até acham que ganham muito. Eles não ganham muito, os colegas com 25 ou 30 anos de serviço deveriam obviamente ganhar o mesmo , mas esse mal estar senti-o na pele, um dos fatores que pesou para a reforma, outros foram a degradação dos cursos profissionais, o facilitismo, a obediência cega dos diretores às ordens de passar tudo e todos no ensino profissional , ordens vindas por via oral,a burocracia idiota, a recolha de evidências para tudo e para nada !!!!!! . Por isso acho que é mais do que natural que esses professores se queiram ir embora.

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