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Este mundo está perdido e com falta de educação (?) (!) mas eu tenho um herói da bola….

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Título de velho? Já vão perceber porquê se lerem até ao fim. Afinal já estou na média etária da classe.

Neste blogue falamos de educação e, todos os dias, por esta hora, fazemos destaques das notícias do dia sobre educação.

A educação é a vida e, por isso, tudo tem a ver com esta nossa área de atividade. As notícias de economia já tiveram mais saída e, quem assumiu a obrigação de ver notícias sobre o tema educação todos os dias, vai percebendo que as nossas começam a suscitar mais interesse nos jornalistas.

Mas, mesmo as que não são, no imediato, de educação podem ter a ver com isso. Por exemplo, é uma falta de educação o que se diz que se passou, quanto ao pagamento de impostos, de alguns jogadores (tema com que o Correio da Manhã fez destaque hoje).

Não percebo nada de futebol, e nem o conhecia antes de hoje, mas já escolhi o meu herói da bola: chama-se Martin Rafael Ødegaard.odegaard_efe2

Pelos vistos, foi-lhe proposto aderir a um sistema de fuga ao fisco e paraísos fiscais e recusou, por si e por conselho do pai. Alegadamente, aos seus ouvidos nórdicos soava-lhe imoral, diz o mesmo Correio da Manhã na edição de hoje em papel.

Tanto referencial de educação para tanta coisa e andamos mesmo a esquecer a educação cívica que, pelos lados da Europa gelada, nunca passou de moda.

E ora digam lá que a Educação não melhora o mundo: se são jovens os únicos que recusam a imoralidade que todos os outros normalizam.

Ao contrário do que muitos dizem o mundo talvez não esteja nada perdido…..(nenhum professor pode acreditar nisso, certo?)

Dose diária de Marcelo, racismo e diarreia legislativa

Olhar diariamente as notícias que tenham a ver com educação obriga também a falar muito do Presidente da República que hoje deitou o olhar para o ensino superior (aquele de que é, de origem, bom professor). Apelou a mais dinheiro, diz o Correio da Manhã. Era preciso que as organizações representativas da nossa área o fizessem ver o básico e secundário com lentes de mais proximidade e talvez saíssem outras frases, a merecer a atenção noticiosa e que pusessem na agenda os nossos problemas.

Por exemplo, será que, se lhe perguntassem, dizia que tinha vontade de dar aulas numa escola básica, no fim de mandato, como vem dizendo que tem, num Instituto Politénico? Disse hoje outra vez.

O Público fez destaque com várias notícias que tem a ver com educação: as queixas sobre problemas de discriminação e racismo de associações de afro-descendentes, que incluem referências às questões escolares. Tema que merecia muito debate (mesmo se alguns, há uns tempos, tentaram instrumentaliza-lo, como é costume, fazendo arremesso contra os professores).

O BE veio anunciar uma proposta legislativa para dar direitos a pais que sejam estudantes.Ideia simpática, e que qualificaria de boa, se não soubesse, como sei, que os direitos vão ficar muito lindos no papel. Como os deputados do BE (e dos outros partidos me geral) pouco sabem de como administrar operacionalmente, o que quer que seja, a lei vai ser linda, mas de concretização inviável. É o costume e, desta vez, dificilmente escapa. Direitos na lei já todos temos muitos…..Vejam lá a trapalhada que são os direitos dos pais professores para irem à escola dos filhos.

Espingardas ou manteiga? Desportos marciais ou preservativos?

5820c0e9caea0O ministro participou no anúncio de que o judo vai entrar no desporto escolar em 10 escolas diz o mesmo Público. Acho bem, mas já agora porque só o judo merece tal destaque?

A associação de planeamento familiar (APF), a instituição da sociedade civil mais prestigiada na área, veio esclarecer melhor a questão do referencial sobre educação sexual e falar, bem, de problemas práticos do tema, que a polémica fácil e a lógica de leitura da papelada teórica fazem esquecer.Fazer bem implica algo menos proclamatório.

Além da educação sexual, as escolas parece que também vão tapar a “lacuna” da educação para a segurança, paz e defesa, diz o ministro da área.

Nós, faz-tudos que nos amanhemos….. com estas novidades levianas ejetadas da boca de quem acha que, pondo mais coisas em cima das escolas, a educação melhora.

Uma que nos carregou bastante, nunca se penitenciou disso e agora fala como especialista encartada, é Maria de Lurdes Rodrigues. Não li a prosa (abstenho-me bastante, desde que verifiquei que fala de educação, como se percebesse mesmo) mas deixo o link porque o tema pode ter interesse: manuais escolares.

Tudo isso são opiniões, me dirão, mas remeto para outras 2. Uma de Joana Petiz no DN, que começa num tom que me alarmou (a elogiar o sistema educativo chinês), mas acaba a salientar problemas reais dos professores portugueses (mesmo se me parece que o texto leva água no bico):

“Mas nunca se chega ao essencial: a criação de um entendimento alargado que permita um compromisso real para a educação. E que tem de ter uma componente muito forte de respeito e atenção à carreira de docente. Num estudo da Fundação Varkey – que decidiu contribuir para aumentar o respeito pela profissão e distinguir os melhores com um milhão de dólares -, Portugal surge entre os países onde o salário de um professor é menor, há menos compensações e recomendações para seguir esta carreira. Melhorar esta realidade incentivá-los-ia a trabalhar de forma diferente. É aí que começa a verdadeira mudança.”

Cantinas, professores velhos e a melhor escola é a da Shakira….

Noutra onda, destaco os problemas relacionados com refeições escolares relatados por um texto de opinião, em Coimbra, no Diário das Beiras.

Mas, alegremo-nos, tudo na escola vai mudar porque, com grande sentido de oportunidade, um secretário de estado veio dizer que até queria injetar sangue novo no sistema de ensino só que os professores estão envelhecidos. Como os governantes não abrem espaço a aposentações e a malandragem morre tarde, talvez só a exaustão lhes dê abertas ao tal sangue novo.

refeicoes-escolaresSangue, sangrar, fazer sangue ,esta área de palavras é capaz de não ser a mais feliz para um governante se situar nestes temas (sangrar lembra-me logo a Milu) mas, desde que se fale do tema e se ouçam os problemas dos próprios professores (como a peça até faz), deixemos.

Podemos não ser a Jennifer Lopez, que pondera abrir uma escola de dança, ou a Shakira, que financia a melhor escola da Colômbia dizem as notícias, mas acho que não merecíamos ouvir ou ler que o nosso envelhecimento é a causa de obstáculos às reformas, como se vai dizendo em tom de desculpa, sem resolver o problema real.

E, afinal, as duas artistas que referi acima até têm, mais ou menos, a idade da maioria dos professores portugueses (a Shakira já tem 39 anos e JLo passou os 45)

Se os professores estão velhos, aos 40 e 50 (e caminham para mais porque ninguém se reforma e ninguém entra), e se isso parece ser problema, que até o Secretário de Estado tenta uma piadinha, dizendo que há velhos muito jovens e jovens muito velhos, a nossa resposta vai na linha das metáforas anatómicas. Aqui fica uma que a minha mãe dizia perto da reforma: quem lhes comeu a carne há-de lhes roer os ossos…….

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