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Estará o Ensino Da Matemática Ajustado Ao Perfil Dos Alunos Atuais?

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Numa altura em que se fala em mudança de currículo e sendo a Matemática uma das disciplinas com maior taxa de insucesso, importa analisar estudos comparativos e refletir se a forma de lecionar a disciplina estará ajustada à realidade e perfil dos alunos atuais.

Não deduzam das minhas palavras que considero que se ensina mal a matemática em Portugal, a minha ignorância na matéria não me permite qualquer tipo de juízo de valor. O que pretendo é partilhar umas conclusões que encontrei no blog Edulog para que os visados analisem e opinem.


Como se ensina a matemática?

Explicam as metas de aprendizagem, põem os alunos a resolver exercícios até compreenderem os problemas e sumarizam os conteúdos. É assim que quase todos os professores ensinam matemática.

A qualidade do ensino depende do modo como os professores ensinam na sala de aula. Olhando em particular para os professores de matemática, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) quis saber dos próprios que estratégias utilizam para ensinar. Às opiniões de quem ensina, os autores do estudo somaram as de quem aprende. O resultado: 97% dos professores de matemática respondem que ensinam de forma clara e estruturada. Os alunos fazem exercícios parecidos até compreenderem a matéria.

O estudo cruza informações recolhidas durante o TALIS 2013 [Teaching and Learning International Survey] e o PISA 2012 [Programme for International Survey Assessment]. O resultado “foi um quadro rico e complexo sobre o que se passa nas salas de aulas”, realça a OCDE. Oito países participaram neste inquérito: Austrália, Finlândia, Letónia, México, Roménia, Singapura, Espanha e Portugal. Foram selecionadas amostras representativas de docentes e alunos de 150 escolas por cada país, um diretor de escola e 20 professores por cada escola. Dentro do corpo docente, os professores de matemática fizeram um questionário adicional.

Aulas estruturadas

Através das repostas de alunos e professores, os investigadores da OCDE identificaram três estratégias de ensino da matemática.

Na primeira, os professores utilizam práticas de estruturação. Significa que a lição é dada de forma clara e ordenada. O professor explica as metas de aprendizagem na aula, os alunos fazem exercícios até compreenderem a matéria e, depois, é-lhes apresentado um resumo dos conteúdos da aula.

A segunda estratégia está centrada no aluno. Os alunos trabalham em grupos pequenos para encontrar solução para um problema ou realizar uma tarefa. O professor pode atribuir problemas ou tarefas diferentes aos alunos, distinguindo os que têm mais dificuldades dos que estão “mais à vontade” com a matéria.

A terceira estratégia usada para ensinar a matemática recorre a atividades de ensino “melhoradas”. Os alunos podem trabalhar durante uma semana num projeto específico. Mas espera-se que sejam capazes de explicar os raciocínios usados na resolução de problemas complexos. Os professores encorajam os alunos a encontrar mais do que uma forma de resolver os problemas.

Depois de identificar as principais estratégias de ensino, os investigadores quiseram saber quais as mais usadas nos oito países participantes. Das três, as práticas de estruturação são a estratégia mais reportada, quer por professores, quer por alunos. Cerca de 97% dos professores respondem que lecionam de forma clara e estruturada. Explicam as metas de aprendizagem, deixam os alunos praticar até compreenderem a matéria e, depois, apresentam um sumário do conteúdo lecionado.

Muitos dos professores dizem recorrer a atividades de ensino “melhoradas”. Em particular, para encorajar os alunos a descobrir mais do que uma forma para resolver um problema (99%), na expectativa de os alunos serem capazes de explicar os raciocínios usados na resolução de problemas complexos (97%) e também para fazer com que os alunos trabalhem em projetos semanais (64%).

Das três estratégias, a menos usada é a que coloca o aluno no centro da aprendizagem. Isto se olharmos para as respostas dos alunos: 60% referem que os professores lhes atribuem tarefas diferentes de acordo com o seu grau de compreensão da matéria e que trabalham em grupo. No entanto, cerca de 90% dos professores dizem recorrer a esta estratégia.

Estratégias universais

Algumas estratégias de ensino parecem ser universais, no entanto existem diferenças no modo como os professores dos diferentes países ensinam, conclui a OCDE. Quase todos os professores de matemática utilizam práticas de estruturação na sala de aula, seja qual for o país onde ensinam. Mas dependendo do país, entre 98% a 100% dos professores dizem que “clarificam explicitamente” as metas de aprendizagem.

Os investigadores da OCDE encontram mais diferenças na forma como os professores dos vários países utilizam a estratégia centrada no aluno. Quem põe os alunos a trabalhar em grupos pequenos? Apenas um exemplo: 78% dos professores na Finlândia e quase 100% no México. Entre os professores que recorrem às atividades “melhoradas”, 20% dos professores finlandeses e 86% dos professores mexicanos afirmam que os seus alunos trabalham em projetos de uma semana.

As respostas dadas aos investigadores pelos alunos confirmam as informações recolhidas entre os docentes de matemática. Quase todos os professores ensinam da mesma maneira: usando práticas de estruturação, em que o professor clarifica as metas de aprendizagem e dá aos alunos exercícios para resolver até que estes compreendam a matéria.

Os investigadores da OCDE acreditam que esta estratégia de ensino possa ser vista pelos professores como a base necessária para o desenvolvimento de qualquer outra estratégia de ensino. “No entanto, o tempo de instrução na sala de aula é um recurso escasso e um foco excessivo nas práticas de estruturação pode limitar o uso de estratégias de ensino mais inovadoras”, conclui a OCDE.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Eu acho que as aulas de Matemática são uma seca! Afinal já existe há muitos milhares de anos é bué de arcaica, até antes dos tipos que faziam aquelas coisas, tipo das pirâmides… Até há gente que diz que não foi o tal Pitágoras que inventou aquela seca do teorema, mas uns tipos bué de barbudos , lá no Iraque que estão bué de mortos há muitos milénios…. Perante a pergunta: está a Matemática preparada para o perfil bué de moderno do aluno actual? A resposta é simples, fazendo outra pergunta… Está uma coisa que é marada de velha preparada para o jovem moderno que tem gente bué de criatividade, capaz de jogar trinta horas de fortnite de seguida, ou capaz de teclar à velocidade da luz? Não creio! Esta cena ainda é mais cota do que aquela cena da revolução industrial, ao anda quase pela mesma idade, e que nos obriga a estar todos sentados, tipo fábrica, a ouvir coisas bué de arcaicas como essas do Pitágoras, ou do Platão, ou de chatos da mesmo calibre! O mundo Actual não está para aí virado, cotas da Matemática, ou da História; ou da Filosofia! A malta quer libertar-se e ser bué de criativa e colaborativa, tipo em protejo e empreendedora! O que interessa não são essas coisas bué de bolorentas ,mas sim as as emoções , o que te vai lá dentro… Tipo amar o Planeta e salvar os golfinhos; trazer para as Escolas coisas muito à frente como a meditação, a força da natureza que é nossa mãe… Não oprimam mais o Mundo com a Matemática… Pintem as paredes de verde alface e saltem para cima das mesas como aquele professor bué da fixe que lia o livro dos poetas mortos. Tá-se!

  2. Tenho aqui o Santiago, um menino de 10 anos, super inteligente e criativo a dizer que não concorda de todo com este comentário, pois sem conhecimento não podemos partir para a criatividade e para a inovação! A questão está na forma como esses conhecimentos nos são apresentados …. o problema está na escola presa a programas …. e agora para nós professora e aluno o problema está em que não encontramos os emojis!!!!!!!! Chatice!

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