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Estar distraído é um ato de indisciplina?

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Ao ler a notícia do jornal Público sobre o inquérito realizado pelo ComRegras, fiquei com a sensação que há uma tendência para considerar a distração como se não fosse um ato de indisciplina.

Quando um trabalhador está no mundo da lua e não está a desempenhar a sua função, considera isso um ato de indisciplina?

Quando um pai diz a um filho para estar atento ao que este lhe está a dizer e o filho continua no mundo da lua, considera isso um ato de indisciplina?

Quando um pai diz a um filho para fazer uma tarefa doméstica e o filho nada faz por estar no mundo da lua, considera isso um ato de indisciplina?

Sou da opinião que sim, é a chamada pequena indisciplina e não é por esse motivo que se deve colocar em causa a metodologia utilizada…

Já Jorge Ascenção, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), considera que o facto de os professores considerarem que distracção é indisciplina ilude aquela que deveria ser a “questão principal”. “Se estão distraídos por que é que isso acontece e o que se pode fazer para que não seja assim?” — questiona, lembrando a propósito estudos internacionais que dão conta desta característica dos alunos portugueses: gostam da escola, mas não das aulas.

O próprio Estatuto do Aluno atribui como deveres do aluno:

a) Estudar, aplicando-se, de forma adequada à sua idade,
necessidades educativas e ao ano de escolaridade que frequenta,
na sua educação e formação integral;

b) Ser assíduo, pontual e empenhado no cumprimento de
todos os seus deveres no âmbito das atividades escolares;

c) Seguir as orientações dos professores relativas ao seu
processo de ensino;

Existe uma obrigação de conduta e forma de estar na sala de aula e esta deve ser encarada como uma obrigação. Defendo que a escola pode ajudar os alunos a estarem mais focados, mais motivados, mas não tornemos os alunos seres que precisam de ser mimados ao extremo para aprenderem.

Os alunos também têm de fazer o seu trabalho, e o seu trabalho é a escola. Se vamos aplicar o principio que só devemos fazer o que gostamos e que temos de agradar a todos para cumprirem com as suas funções, então que lições estamos a dar aos nossos jovens sobre o que é a sociedade, o que é a realidade…

Alexandre Henriques

7 COMMENTS

  1. Cada vez mais os jovens são orfãos de pais vivos.
    O Ascenço da confap devia preocupar-se com o facto de estudos referirem que um quinto dos jovens sentem pressão dos pais para serem bons alunos e que essa pressão não os ajuda a melhorar.
    O que faz a confap?

  2. Discordo totalmente. Só deve ser considerada indisciplina quando o aluno toma atitudes que colocam em causa a estabilidade da aula. Se um aluno está distraído mas não provoca interferências na turma isso não é indisciplina, embora possa ser frustrante para o professor e eventualmente mau para o aluno. Mesmo parecendo distraído, o aluno pode estar a absorver aquilo que o professore está a dizer. Quantos de nós, adultos, não rabiscamos cadernos ou olhámos pela janela quando os nossos professores falavam e mesmo assim conseguimos ter sucesso na escola? E agora, será que não fazemos também nas reuniões, conferências e palestras chatas a que vamos ou temos de ir? É preciso não esquecer que a escola é uma obrigação e cabe ao professor conseguir fazer com que o aluno se interesse pela matéria e aprenda. É dificil? Claro que é, ainda para mais para grupos de alunos heterogéneos. Mas esse é o trabalho do professor.

  3. mais uma questão bastante complexa… mas entendo que a distração tem sempre uma razão e de facto, cada caso é um caso… porque no mesmo estado mental de «distração» podemos ter vários cenários: ex #1: o aluno que está a milhas da matéria lecionada, não compreende a linguagem e desliga da aula e vagueia no seu mundo; ex #2: o aluno que está à frente da matéria lecionada e está a raciocinar sobre outros aspetos do mesmo assunto; ex #3: o aluno que esteve a jogar playstation até às 6am e está cheio de sono sendo impossível ouvir mais que um zumbido que vem de dentro; ex #4: o aluno que está apaixonado e não tem mais nada na cabeça que a descoberta de um novo mundo de emoções; ex #5: o aluno que escondeu um teste negativo e que está com medo quando chegar a casa porque a DT já telefonou ao pai, que costuma ser violento; ex #6: o aluno que não se alimenta corretamente porque os pais estão desempregados… e por aí fora… é tudo a mesma coisa???? Para mim não é tudo a mesma coisa. Entendo que todos os casos devem ser analisados e tratados de forma particular, entender bem as causas dos comportamentos será, eventualmente, a única forma de prescrever soluções efectivas… que não se conseguem no imediato, mas que são comportamentos a alterar a longo (por vezes, muito longo) prazo, em colaboração com todos (professores, pais, etc)… um professor é um bocado como os médicos: um diagnóstico errado resulta numa prescrição errada… a longo prazo os efeitos revelam-se…

  4. Estar distraído não é indisciplina. Indisciplina é desobediência ou rebelião a uma regra. A distracção é involuntária, não tem intenção de ofender.

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