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Estamos sempre ligados e gostamos disso(?).

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Costuma ter o telemóvel ligado à Internet quando está em casa? Provavelmente a resposta é sim, mas não se assuste, estar ligado é apenas o novo “eu” e somos cada vez mais os que permanecemos ligados, seja no trabalho seja em casa.

Apesar de criticarmos os nossos filhos por estarem vidrados nos telemóveis, nós adultos não somos muito diferentes… Apesar de já termos sido ultrapassados pela geração mais tecnológica de todos os tempos, convém lembrar que essa ultrapassagem só aconteceu pois a permitimos.

Os adultos estão viciados nas redes sociais e respetivos joguinhos associados a essas mesmas redes sociais. Quando existe uma pausa kitkat, surge um ato quase instintivo de pegar no “gingarelho” e surfar pela net fora. Também o sinto, acreditem, e por isso não julguem que escrevo em tom moralista mas sim em tom de purgatório…

Há quem defensa que a Internet deve passar a ser um direito fundamental, não só pelo prazer que nos traz, mas pelo conhecimento que nela vive. Em tom de brincadeira costumo dizer que vou perguntar a Deus quando tenho alguma dúvida, esse Deus não passa do motor de busca da Google…

As nossas ligações laborais expandiram-se para o horário de descanso. Quem é professor sabe, que a sua profissão sempre esteve conectada a uma forte carga laboral em ambiente doméstico, mas a partir do momento que a Internet dominou os nossos lares,  essa ligação fortaleceu-se e é quase banal receber emails de trabalho a horas impróprias. Juro que me faz confusão constatar de manhã quando ligo o telemóvel, que há quem envie emails às duas e três da manhã…

O problema é que estamos a abdicar de muito tempo em família pelo prazer tecnológico. Ou esse prazer tecnológico será apenas um upgrade familiar? Estará a família a evoluir para um novo conceito, como foi com o aparecimento da rádio e da televisão? Quantas vezes já não brinquei com a minha filha a jogar bowling, ténis ou a descer uma montanha a alta velocidade na PlayStation… Podia fazer ao ar livre? Claro e também o faço, mas dantes só o podia fazer ao ar livre…

O ser humano precisa de comunicar e precisa de estímulos constantes para se sentir motivado, a Internet veio colmatar essa necessidade de uma forma tão acessível e prática que contaminou o mundo inteiro…

Se a banalização tecnológica chegou a todos nós e se todos nós gostamos dela, será algo assim tão mau, algo tão errado?

Cada um dará a sua resposta, alicerçada no grau de felicidade que habita dentro de portas, uma família tecnológica pode sentir-se feliz assim. Há seguramente quem critique, quem aponte o dedo e lamente o destino desta “nova” família, mas esta “nova” família também pode apontar esse mesmo dedo e dizer que a família “tradicional” está a perder experiências nunca antes possíveis…

Afinal, o que é a felicidade? O que é comunicar? O que é a harmonia familiar?

Que os nossos juízos não se tornem leis e respeite-se as decisões de cada um em se ser feliz à sua maneira. Haja bom senso e equilíbrio, seja esse tecnológico ou não…

Alexandre Henriques

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