Home Rubricas Está Caladinho ou Levas No Focinho

Está Caladinho ou Levas No Focinho

1067
4

«Se a memória não me atraiçoa, há cerca de uma década uma professora da Carolina Michaelis foi filmada a ser maltratada por uma aluna, por lhe ter retirado o telemóvel. Foi uma onda de choque na comunicação social, sempre em toada sensacionalista, gerando na opinião pública um misto de surpresa e de repugnância. Não houve do Estado, do governo do Estado, como deveria ter havido, uma reprovação rápida e inequívoca do ato abjeto. Bem pelo contrário: assistimos a declarações pífias de um governo liderado pelo “inginheiro”, coadjuvado pela famigerada Maria de Lurdes Rodrigues.
Hoje, a opinião pública assiste resignada à divulgação dos casos de agressões aos professores e assistentes operacionais, não havendo dúvidas de que a violência sobre estes agentes educativos se normalizou. A família e a Escola, os pais e os professores, sendo insubstituíveis na formação moral de crianças e jovens, constituem a reserva moral de qualquer Estado. Perdendo-se o respeito pela figura de uns e de outros, abre-se uma caixa de pandora na ordem social.
Os casos de violência sobre os professores sucedem-se em proporção inversa ao seu impacto mediático. Agora, terá chegado a vez dos profissionais de saúde…!
(…)
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.
Bertolt Brecht

P.S. (salvo-seja): Não resisti e vou partilhar o que escreveu o Francisco Teixeira
“15 professores e 5 funcionários não docentes agredidos no primeiro período. Em três meses, portanto. E do Governo? Nada.
Dois médicos agredidos no último mês, o que mesmo multiplicado por três (se aceitarmos fazer uma média) dá “apenas” seis, e já anda tudo a berrar por apoio do Governo (que também não mexe uma palha).
Os médicos são uns mariquinhas…”»

Texto do colega Miguel Pinto

 

4 COMMENTS

  1. Vale aqui a citação do poema do Pastor Luterano Martin Niemoller, preso num campo de concentração Nazi:

    Primeiro vieram buscar os Comunistas,

    e eu não disse nada,

    porque eu não era Comunista.

    Então vieram buscar os Judeus,

    e eu não disse nada,

    porque eu não era Judeu.

    Então vieram buscar os Católicos,

    e eu não disse nada,

    porque eu era Protestante.

    Então vieram buscar-me a mim,

    e nessa altura,

    já não havia ninguém para falar por mim.

    Esvaziaram a escola da sua função, esvaziaram o professor da sua função, esvaziaram as famílias da sua função. Há anos que esta verdade perigosa, gritante e obscena é denunciada em todos os quadrantes e todos ficam quietos e calados, também obscenamente, quando os professores, na linha da frente, foram o primeiro alvo a abater, todos ficaram calados. Agora assistimos ao alastrar deste fenómeno como fogo em palha seca. Não se respeita a autoridade do conhecimento nem a autoridade moral. A única surpresa é a velocidade com que se espalha este fenómeno, pensei que poderia demorar mais tempo a normalizar-se este tipo de violência e a contagiar outros meios sociais. Veremos quando chega a vez dos pais serem alvo de filhos educados de forma egocêntrica, dos políticos serem alvo de cidadãos alimentados a populismo e dos empresários serem alvo de “justiça de Fafe” por terem sentimento de impunidade e assediarem moralmente os seus trabalhadores.

      • Comungo da mesma opinião. É na Educação, na Saúde, nas forças de Segurança, no Futebol, e será muito em breve nos políticos… Mas esses, merecem pois são os culpados deste estado de coisas!!!

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here