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Especialistas Não Conseguem Encontrar Um Único Caso De Crianças Que Transmitam O Vírus A Adultos

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As imagens que se seguem mostram claras diferenças na forma como os países estão a encarar o regresso às aulas.

China

Dinamarca

Ambos acreditam estar a fazer o melhor pelas suas crianças, fruto de raízes culturais bastante profundas, mas que naturalmente terão consequências emocionais e de saúde pública diferentes.

Por cá, há quem receie o preço a pagar por um isolamento protocolar que estudos recentes indicam não se justificar, pois segundo esses mesmos estudos, as crianças pouco ou nada contribuem para a proliferação do vírus.

A Psicóloga e Mãe Ana Rita Dias, tem estado na linha da frente na proteção das (suas) crianças, tendo recentemente tomado as rédeas do Ensino à Distância na sua casa, justificando-o num artigo que se tornou viral em Portugal e não só.

“Eu, mãe de dois filhos pequenos, trabalhadora, decidi DESISTIR hoje do ENSINO À DISTÂNCIA”

É importante vermos os dois lados da questão, pois neste momento não sabemos qual dos lados terá razão.

Partilho por isso algumas postagens da Drª Ana Rita Dias que fundamentam a sua visão e que devemos registar.


A Suiça acabou de alterar recomendações relativamente ao contacto dos netos com menos de 10 anos com os avós, na sequência de estudos recentes que alegam que as crianças não têm potencial de contágio aos adultos e que as transmissões se estão a dar de adultos para adultos. Mais uma vez, o tempo irá mostrar o impacto da diversidade de decisões que estão a ser tomadas pelo mundo fora. Felizmente ainda há espaço para que as medidas não sejam todas iguais numa época em que se assume facilmente que só há uma verdade. E temos muito a agradecer aos investigadores que todos os dias tentam saber mais sobre este vírus. Muitos erros e falhas serão cometidos mas chama-se a isso viver.

Os avós podem abraçar com segurança menores de 10 anos, dizem os suíços


” Nenhuma criança foi encontrada para ter passado coronavírus para um adulto, encontrou uma revisão das provas em parceria com o Royal College of Pediatria.
Estudos principais sobre o impacto do COVID-19 nas crianças pequenas sugerem que “não desempenham um papel significativo” na propagação do vírus e têm menos probabilidade de se infectar do que adultos.
Embora os especialistas insistem em que sejam necessárias mais provas, eles notam que não houve um único caso de uma criança com menos de 10 anos que transmite o vírus, mesmo no rastreamento de contacto realizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
Oficiais de saúde pública na Suíça anunciaram que menos de 10 anos podem abraçar os avós novamente porque não representam risco.
Agora, uma revisão em parceria com o Royal College of Pediatria and Child Health (RCPCH) encontrou a evidência ” demonstra consistentemente a infecção reduzida e infectividade das crianças na cadeia de transmissão “.”

Especialistas não conseguem encontrar um único caso de crianças que transmitam o vírus a adultos

A nível mundial, foram relatadas relativamente poucas crianças com a COVID-19


Há 11 anos estava a trabalhar num agrupamento de escolas da zona da Amadora. À direita um bairro social. À esquerda um bairro ilegal de barracas.
Num dia uma miúda estava com muitas dores de dentes. Já vinha a acontecer mas naquele dia piorou muito. Veio ter comigo ao gabinete, eu era uma referência securizante para ela, numa escola onde se sentia perdida, acabada de chegar a Portugal e à violência das mudanças culturais.
Chorava à minha frente. Os pais mal conseguiam falar Português. Tentei perceber pelo telefone se já tinham ido ao hospital e não consegui decifrar se sim ou não. Os cheques dentista ainda não tinham chegado. A escola não tinha forma de resolver o problema. Surge-me, mais uma vez, a razão e o coração.
“Agarro” na miúda, “meto-a” no carro e levo-a à minha dentista. Não pedi autorização, saí na minha hora de trabalho, ela faltou às aulas. Não ia correr o risco de perder tempo em coisas como “isso é abrir um precedente” ou “há mais crianças aqui que precisam” ou então “não pode andar com uma aluna no seu carro”.
Estava disposta a arcar com as consequências, que não sabia quais eram ou sequer se existiam mas não ia ficar nem mais um minuto a vê-la assim. Decidi, em consciência, tomar as rédeas da situação.
Quando chego à dentista, ela fica estupefacta com o estado da boca da miúda e diz-me: “Rita… isto é no mínimo 10 consultas”. Eu fiquei um bocado sem reacção e só lhe respondi “eu posso pagar 40 euros, foi por isso que a trouxe, mas não posso pagar 400 euros.” A dentista cala-se, pensa durante uns segundos e depois diz-me: “sabes…estou comovida com o teu gesto, isto nunca me aconteceu, por isso nem estes 40 euros vais pagar. Eu vou oferecer todas as consultas até ela ficar tratada.”

E assim foi, uns meses depois a miúda tinha a boca impecável e um sorriso maravilhoso. Esta foi uma de várias outras coisas menos consensuais que decidi fazer nesse meu local de trabalho.
Partilho isto por uma razão muito simples, objectiva e que imagino também pouco consensual mas somos todos diferentes e esta é a minha visão.
Que independentemente das normas que venham a ser aplicadas no regresso das crianças às creches, aos JI e às escolas, há coisas que, no quotidiano só vão depender de uma coisa: de nós mesmos.
Se uma criança com 2 anos de idade, em plena ansiedade de separação, estiver a chorar compulsivamente porque a mãe ou o pai o levou à creche depois de estar meses em casa, é a pessoa que vai receber essa criança que vai decidir o que fazer. Se vai decidir seguir um eventual protocolo que exija o máximo de distanciamento ou se vai dar colo à criança e limpar-lhe as lágrimas.
Porque há uma coisa que são os decretos-leis. E depois há outra que são a forma como escolhemos decretar a nossa própria vida.

Ana Rita Dias

1 COMMENT

  1. O caso da professora da Amadora é um caso de imperativo moral, é a consciência e a inteligência moral que decidem. Se alguém se estiver a tentar suicidar, atirando-se de uma ponte, embora seja proibido parar o carro numa ponte, corre-se o risco de parar o carro para ir salvar essa pessoa. As leis existem e são importantes para regular o nosso comportamento e defender-nos a todos mas, depois, a inteligência moral de cada um sopesa, decide e assume.

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