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Especialistas defendem ensino misto para os alunos mais velhos

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Muitos países começaram a lidar com um aumento significativo de casos, alguns até mesmo com uma segunda onda, ainda antes da reabertura das escolas. Em Portugal, o regresso às creches e aulas presenciais no ensino secundário em maio não resultou numa subida de infeções nem alterou os padrões de transmissão. E estes são dois dos argumentos usados pelos especialistas para provar que as escolas não têm um risco de contágio maior do que outros espaços semelhantes. Ainda assim, não há consenso entre os peritos e há quem defenda regras diferentes consoante os grupos etários ou discorde do ensino presencial para todos.

“A escola é o ambiente mais controlado que temos. E o aumento de casos na maior parte dos países não tem a ver com a escola. A questão é que voltámos a ver a família, a estar com amigos, e esse aumento da circulação, também gerado pelo regresso às aulas, mas não necessariamente com origem direta nas escolas, leva ao aumento de casos”, diz ao Expresso Carla Nunes, diretora da Escola Nacional de Saúde Pública e uma das especialistas que participaram na reunião com políticos na passada segunda-feira. “Com as medidas adequadas, provavelmente as escolas não serão ambientes de propagação mais eficazes do que outros com semelhante densidade de pessoas.”

Saber se as crianças transmitem o vírus tanto quanto os adultos tem sido uma das grandes dúvidas dos últimos meses. “A taxa de transmissão parece ser menor nas crianças mais pequenas. E não são elas que habitual­mente infetam os adultos dentro de casa”, afirmou, na mesma reunião, Maria João Brito, responsável pela Unidade de Infecciologia do Hospital D. Estefânia, em Lisboa. “Este vírus não parece transmitir-se como a gripe, na qual são as crianças que contagiam os adultos, maioritariamente. E isto pode ser reconfortante na decisão de reabertura das escolas.”

Um estudo feito na Coreia do Sul com 19 mil crianças reforça essa ideia ao concluir que os mais novos podem transmitir a infeção, mas que ela ocorre de forma diferente entre grupos etários. “É imperativo ponderar a idade das crianças e jovens no planeamento da abertura do ano letivo”, defendeu Maria João Brito, explicando que abrir infantários, escolas secundárias e faculdades são três situações distintas.

“A escola é o ambiente mais controlado que temos”, diz a diretora da Escola Nacional de Saúde Pública

Manuel Carmo Gomes, professor de Epidemiologia na Universidade de Lisboa, considera que ainda não há certezas científicas sobre essa menor transmissibilidade do vírus por crianças até aos 10 ou 12 anos (ver entrevista a Manuel Carmo Gomes). “Os artigos cien­tíficos que dizem que as crianças mais pequenas transmitem menos e que os adolescentes transmitem como os adultos não sabem em que faixa etária se dá o momento de viragem, que pode ser entre os 10 e os 15 anos. É futurismo fazer comentários, até porque ainda não vimos as escolas a funcionar a 100% e as que abriram estiveram a meio gás.”

APREENSÃO COM ENSINO PRESENCIAL

Manuel Carmo Gomes também concorda que as regras não devem ser iguais para todos os níveis de ensino. “Discordo que se adote o ensino presencial por defeito para todos. Admito que, em certas áreas e idades, sobretudo entre os mais novos, seja melhor. Mas para jovens mais crescidos, e em certas matérias, não vejo justificação para ter o presencial como defeito. Tem de haver flexibilização”, defende, confessando estar “apreensivo” com o ensino superior.

Perante a falta de distanciamento dentro das salas de aula, “perigosa em termos de contágio”, Carmo Gomes reforça a importância da ventilação frequente. “Recomendo ventilar a sala antes da aula e ao fim de uma hora fazer um intervalo de cinco minutos para ventilação. Quando terminar, voltar a ventilar.” E se for impossível abrir janelas, a solução é ter sistemas de substituição do ar.

Expresso

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