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Especial ComRegras – O outro lado do Cerco (2ª parte)

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Na sequência do texto Viver o Cerco, o ComRegras publica uma entrevista exclusiva com o Diretor do Agrupamento de Escolas do Cerco, Manuel António Oliveira.

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É inevitável começar pelo que aconteceu no dia 22 de Outubro (agressão a professora). Tratou-se de um ato isolado ou este tipo de situações é recorrente no agrupamento?

Tratou-se de um ato isolado.

A aluna ainda se encontra a ter aulas com a mesma professora?

Não.

Sobre a agressão, o caso foi comunicado ao Ministério Público?

Sim, mas ainda não houve uma conclusão.

A professora já voltou a exercer ou continua de baixa médica?

A professora exerceu sempre as suas funções docentes.

O facto de ter sido feita uma manifestação à porta da escola com a presença da comunicação social, leva a concluir que a comunidade educativa está apreensiva e sem saber o que fazer. É esse o sentimento atual?

Não foi pelo facto de se ter realizado uma manifestação que a comunidade escolar e educativa não sabe o que deve fazer. A comunidade sabe o que deve fazer não deixando, no entanto, à altura dos acontecimentos de manifestar a sua indignação e a sua inquietude.

Como classifica a indisciplina no seu agrupamento a nível quantitativo e qualitativo?

Existe um projeto de combate à indisciplina que está a ser aplicado e monitorizado e que teve início este ano letivo. A indisciplina ainda se encontra num patamar elevado, quer se fale do ponto de vista quantitativo quer do qualitativo.

Quais as suas causas?

A não valorização da escola, contexto sócio-cultural-económico difícil, frequência da escola por questão de cumprimento das regras do RSI, baixo nível de escolarização dos pais e encarregados de educação, etc.

Recentemente, o ComRegras publicou um texto elaborado por um grupo de ex-professoras da escola eb 2/3 do Cerco do Porto. Que diferenças e semelhanças encontra com o atual Agrupamento?

A diferença reside essencialmente na dimensão do Agrupamento que passou a ser um mega agrupamento incorporando escolas que pertenciam a um outro Agrupamento. Neste sentido aumentaram por razões óbvias as problemáticas. Relativamente às semelhanças o contexto social e cultural permanece acrescido da integração da comunidade cigana.

Então é da opinião que a criação do Agrupamento de Escolas do Cerco, trouxe mais prejuízos que benefícios a nível disciplinar?

Sim. Quanto maior for a organização maior também, à partida, as problemáticas.

Quanto às novas infraestruturas, acha que estas contribuíram para um melhor ambiente escolar e conservação do material?

Acho que sim. A comunidade revê-se nas condições físicas e materiais da escola.

A sua escola estabeleceu um contrato de autonomia com o MEC. Dentro dessa autonomia foi-lhe possível implementar projetos que visam combater a indisciplina no agrupamento?

Sim, através do Plano Plurianual de Melhoria TEIP.

O Gabinete de Intervenção Social, Técnico de Intervenção Local, o Projeto CerCool, o Gabinete Disciplinar do Aluno, a Provedoria do Aluno.

Na generalidade, acha que a comunidade educativa gosta de frequentar o Agrupamento de Escolas do Cerco?

Penso que sim.

Quais são os pontos fortes do Agrupamento?

O reconhecimento da comunidade pelo trabalho educativo e formativo desenvolvido pelo Agrupamento.

A sequencialidade educativa entre a educação pré-escolar e o 1.º ciclo e entre este e o 2.º ciclo, facilitando a transição dos alunos entre estas etapas do seu percurso escolar.

As práticas colaborativas das equipas de docentes que lecionam as turmas ninho e das turmas rede com reflexos na planificação articulada do processo de ensinoaprendizagem e partilha de experiências pedagógicas.

O trabalho desenvolvido nas áreas da música, da pintura de cerâmica e do desporto pelos bons resultados alcançados interna e/ou externamente, contribuindo para a valorização do sucesso e a afirmação do Agrupamento no exterior.

A liderança consistente e partilhada do diretor e da sua equipa, potenciadora do empenho dos profissionais e do envolvimento de entidades públicas e privadas.

A gestão criteriosa dos recursos humanos, com enfoque nas pessoas, que contribui para o bom ambiente educativo.

Criação de grelhas de avaliação comuns.

Diversidade de atividades dinamizadas no âmbito do PA.

Desenvolvimento de projetos próprios e /ou resultantes de adesão a programas e iniciativas locais, nacionais e internacionais.

Visitas de estudo que contribuem para o reforço das aprendizagens.

Participação e dinamização de iniciativas que visam a promoção de comportamentos saudáveis e a erradicação de comportamentos de risco.

Página eletrónica do Agrupamento/ Facebook do Agrupamento utilizado para divulgação de informação relevante para a comunidade educativa e disseminação de atividades e projetos do Agrupamento.

Iniciativas de angariação de bens que promovem o espírito de solidariedade e permitem dar apoio às famílias mais carenciadas.

E os pontos fracos?

A identificação dos fatores internos, designadamente ao nível das práticas de ensino, que ajudem a explicar a persistência de atitudes inadequadas na sala de aula e o insucesso escolar dos alunos

Ausência de recolha de informação concreta sobre o percurso escolar ou profissional dos alunos, após a escolaridade no Agrupamento

O desenvolvimento mais aprofundado das orientações curriculares na educação pré-escolar, de modo a assegurar condições de maior sucesso na etapa educativa seguinte

O aprofundamento da reflexão sobre as respostas no âmbito dos apoios educativos, com vista à sua melhor adequação ao pleno desenvolvimento das capacidades dos alunos

O acompanhamento e supervisão da prática letiva em sala de aula, numa perspetiva de melhoria do desenvolvimento profissional dos docentes

A definição de planos de ação estratégicos, com metas claras e exequíveis, com vista à melhoria do desempenho do Agrupamento

O alargamento e a consolidação do processo de autoavaliação com vista à melhoria organizacional e das práticas profissionais

Ausência de espaços interiores suficientes comuns para convívio dos alunos.

Tem conhecimento de ex-alunos do Agrupamento que agora são casos de sucesso?

Sim. Ex-alunos que se encontram a trabalhar nos media, em medicina, engenharia, etc.

Um estudo recente da Universidade do Minho, revelou que 80% dos professores inquiridos no inquérito, afirmam que a indisciplina aumentou nos últimos 5 anos. Que alterações propunha no sentido de diminuir os índices de indisciplina em Portugal?

Um quadro normativo que repusesse a autoridade dos professores e a comunidade educativa (vulgo sociedade) reconhecesse os professores como atores imprescindíveis na formação dos cidadãos.

Para finalizar, já visitou o ComRegras?

Já visitei.

Qual a sua opinião?

Aborda temas diversificados de interesse para a educação e não só. Apesar de tudo tem um espaço enorme e potencial intrínseco para crescer.

Obrigado Sr. Diretor pela sua disponibilidade.

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