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Esmiuçando o descongelamento das carreiras.

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Pelo menos desde o ano 2000 que os funcionários públicos perdem poder de compra todos os anos. A exceção foi o ano 2009, onde José Sócrates abriu os cordões à bolsa e atribuiu um aumento de 2,9%.

No ano 2000 o aumento também foi generoso (2,5%), mas este foi engolido pela inflação de 2,9%.

Em 2011 chegou a Troika e todos sabemos o que isso trouxe… as preocupações deixaram de ser os aumentos e a taxa de inflação e passaram a ser o congelamento e os cortes salariais.

Esta geração de funcionários públicos tem sofrido a bom sofrer os erros dos nossos governantes. Porém, as agonias da Troika não trataram os funcionários públicos da mesma maneira. Pelos vistos existem funcionários públicos de primeira e outros de segunda.

Ora vejam o gráfico:

Imagem: http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/salarios_na_funcao_publica_quem_esta_a_recuperar_mais

Pois… ser diplomata ou polícia de segurança pública teve os seus privilégios, quanto aos professores, é só reparar onde está a setinha verde. E o que dizer dos guardas prisionais???

Mas sejamos justos, ao analisarem o gráfico em baixo, vão reparar que o ordenado médio dos professores (seta verde) é superior ao ordenado médio dos polícias de segurança pública, mas se estiverem no 1º escalão da carreira como quem vos escreve, onde o vencimento bruto ronda os 1500 € (seta vermelha), podem constatar que ser funcionário público não é sinónimo de grandes fortunas.

Imagem: http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/salarios_na_funcao_publica_quem_esta_a_recuperar_mais

Esmiuçando um pouco mais os gráficos anteriores, constatamos que ser diplomata ou magistrados é bom… muito bom… pois além de apresentarem os salários mais elevados, em 2016 foram premiados com grandes aumentos. Mas a memória é curta e os magistrados ameaçaram hoje com uma greve por motivos “compreensíveis”…

As reivindicações dos magistrados passam, segundo o Público, por um aumento do suplemento salarial por exclusividade de funções, como também pelo aumento das progressões na carreira, pela adaptação do estatuto profissional à nova organização dos tribunais e pelo reforço dos mecanismos que garantem a independência dos magistrados.

Juízes não descartam hipótese de greve

(Observador)

É preciso ter lata, ou é mesmo total falta de vergonha.

O Governo já veio anunciar que as carreiras serão descongeladas de forma progressiva a partir de 2018. Não sabemos se o descongelamento será feito por profissão ou por índice remuneratório, apenas sabemos que o sol não brilhará para todos e o Governo não o nega, reparem:

Considerando que o Programa do XXI Governo Constitucional contempla, entre as medidas elencadas no seu ponto I.1., o descongelamento das carreiras dos trabalhadores que exercem funções públicas, aspeto que é reiterado no ponto III.6 do mesmo documento, incluindo no objetivo genérico de valorização do exercício de funções públicas, prevendo-se, em 2018, o início do processo de descongelamento das carreiras e de limitação das perdas reais de remuneração, mediante a prévia avaliação do respetivo impacto orçamental.

“Os mecanismos e as condições de promoção/progressão nas carreiras serão avaliados para que as expetativas de evolução profissional sejam articuladas com os instrumentos de avaliação e recompensa do mérito e compatibilizadas com os recursos orçamentais disponíveis.

Ou seja, avaliação e progressão andarão de braço dado, e mesmo assim nada é garantido pois dependerá sempre dos recursos orçamentais disponíveis. Mas digo mais, se a lógica de 2016 imperar em 2018, então caros colegas professores, bem podem aproveitar a estadia do Santo Padre para lhe pedirem um pequeno milagre. É que pelo andar da carruagem, cheira-me que o descongelamento poderá não significar uma progressão efetiva, principalmente para quem tem ordenados superiores a 1500 € brutos.

Aguardemos, mas pelo sim pelo não acendam uma velinha 😉

Despacho Conjunto – Descongelamento de Carreiras

1 COMMENT

  1. Estou convencido que os escalões mais altos à beira da reforma serão dos primeiros a serem descongelados sem prejuízo de achar que também não se justifica que se encontrem em escalões baixos colegas com 20 e mais anos de serviço. De outra forma seria uma injustiça gritante ser-se penalizado duplamente: congelados até ao fim da carreira contributiva e depois condenados a reformas indignas.

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