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escrevo sobre o quê

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duvidasÚltimo dia do mês de outubro. Depois de algumas peripécias este sítio volta ou regressa à sua normalidade. escrita daqui e dali, ideias e apontamentos soltos de cada um presos à educação e à escola.

Em fim de semana que bem que podia ser comprido, penso sobre o que poderia ou deveria escrever. Penso e repenso, temas, assuntos, ideias, objetivos. Não direi que nada me assola ou justifica, mas não gosto de nenhum, nenhum é tema que considere prender a atenção de quem por aqui circula, umas vezes de forma rápida e casuística, outras com tempo e atenção. Tenho sentido isso nos comentários que me fazem chegar, nas observações que, de quando em quando me deixam no meio de conversas. É assim que percebo que sem entrar em rankings há quem comente o que escrevo.

Mas persiste a questão escrever sobre o quê por esta altura do campeonato? Reuniões intercalares e como elas se tornam obsoletas em função da pressa de final de dia, do cansaço acumulado, da impaciência que se já se foi? Das licenciaturas que os senhores assessores não têm e de como isso mostra que o canudo é um bem precioso e que estudar é sempre objetivo? Da re constituição dos grupos de homogeneidade relativa (porque estamos a meio do período e há que circular) e onde, no interior alentejano, a turma reduzida fica com mais gente que a turma de origem? Escrever sobre as diatribes de um ou de outro diretor, das birras do seu isolamento, da indiferença ao outro e dos ouvidos moucos às circunstâncias e às situações que o rodeiam? Falar do hallowen e de como a escola portuguesa se torna veículo de difusão de culturas alheias e as integra em práticas sociais coletivas como se tivesse sido sempre assim? E se esquece de tantas e tantas celebrações nacionais e/ou locais com plenas capacidades de integração nos currículos locais. Escrever sobre o facto de sentir muitos colegas cansados, isolados e de sentir algum receio de me isolar, de me distanciar de perder a noção do espaço e do local?

Ou não escrever sobre nada disso e dar conta de quanto aprecio ver, a partir da janela da sala de aula, o pessoal empenhado na disputa do jogo da bola, a saberem (a seu modo e em pelo processo de aprender) gerir regras e comportamentos, discussão e argumentos? Ou escrever como aquele cigano me entra sala adentro apenas para poder estar com o amigo e que eu convido a estar e a ficar e ele se recusa para não incomodar?

E de repente, apenas por pensar em escrever dou comigo com uma página cheia e penso que não vale a pena incomodar nada nem ninguém em véspera de feriado, em tempos de recordar os que partiram, de brincar com medos e fantasmas.

Manuel Dinis P. Cabeça

coisas das aulas

31 de outubro, 2016

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