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Escolas serão as últimas a fechar em caso de subida de infeções

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O debate entre saúde e economia vai dominar a maioria das discussões durante a pandemia. Ao fim de seis meses, é evidente que a discussão pública é marcada por estas duas faces de um problema inseparável. Mortos em excesso vs. queda do PIB, infeções vs. dados do turismo, relatos de hospitais e lares vs. sectores à beira do desaparecimento… Este debate inevitável abafa e esconde a área da sociedade onde os efeitos da pandemia podem ser mais dramáticos: a educação.

Daqui por umas décadas, que grupo etário será conhecido como a “geração covid”? Apesar de serem os que correm maior risco de vida, não serão os mais velhos. Sendo os que estão mais expostos, não serão médicos, enfermeiros e outros profissionais de primeira linha a ter este epíteto. Nem serão as enormes vagas de desempregados a receber este terrível carimbo.

Os políticos estão entretidos com crises inexistentes enquanto se aproxima o ano letivo mais decisivo da democracia

Para o futuro, a “geração covid” será a que engloba os que estudam e os que agora entram no mercado de trabalho, os que vão sofrer de forma mais duradoura e durante mais tempo as marcas da “grande pausa” de março, do mergulho económico a pique e do pára-arranca da pandemia, que já varre a Europa e vai marcar o ritmo do nosso outono.

Em abril, a Dinamarca e a Noruega deram um sinal inequívoco a que poucos países deram a atenção. Depois de terem tido um confinamento duro e baixado fortemente o número de infeções, estes dois países nórdicos começaram a reabertura da economia… pelas escolas. Ali ao lado, a Suécia não chegou a fechar o ensino até aos 16 anos.

Hoje é politicamente consensual que as escolas devem ser as últimas coisas a fechar e as primeiras a abrir em caso de grande subida do número de infeções. Depois de um ano letivo que agravou todo o tipo de desigualdades, nenhum país vai repetir o erro de mandar todos os alunos do país para casa.

Entretidos a discutir crises políticas e todo o tipo de casos, não vejo nem o governo nem a oposição a debaterem de forma séria aquele que será um ano letivo dramático e decisivo. Num país com muito pouca tradição de autonomia escolar, as regras terão que ser quase sempre centralizadas. Sendo que os problemas locais serão imensos, as assimetrias enormes e as respostas potencialmente descoordenadas.

Portugal pensa muito pouco nas gerações futuras. E não está a pensar quase nada na “geração covid”, a mais prejudicada no primeiro embate e à qual menos tempo se tem dedicado num verão que deveria ter sido de preparação. Arrisca ser a geração mais mal tratada da democracia.

Fonte: Expresso

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