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Escolas recomeçam amanhã. Pais, professores e cientistas concordam

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O segundo período escolar arranca nesta segunda-feira, cumprindo-se o calendário letivo definido no início do ano escolar. Ao contrário do que acontece em alguns países europeus que decidiram adiar o regresso às aulas face à ameaça de um agravamento da pandemia da covid-19 resultante das férias de Natal e de Ano Novo, em Portugal o Governo manteve a decisão do regresso normal às aulas.

Uma opção aprovada na generalidade por pais, professores e epidemiologistas. Que justificam com um primeiro período que não correu mal e o facto de ainda se desconhecerem os efeitos do aumento de contactos nas férias de Natal.

Portugal atingiu o maior número de pessoas infetadas com o SARS-CoV-2 em 24 horas no último dia de 2020. Registaram-se nesse dia 7627 casos, o que foi apontado já como um reflexo das festividades do Natal. No primeiro dia de 2021 foram notificadas 6951 infeções, diminuindo ontem para 3241, dia em que Portugal ultrapassou as sete mil mortes por covid (mais 73 ontem).
A oscilação também tem a ver com os laboratórios encerrados nos dias festivos.

Segundo o epidemiologista Carmo Gomes, é ainda cedo para se perceber a dimensão dos contágios ocorridos durante a semana de Natal, quando houve um aligeirar das medidas de restrição. Mas acredita que as limitações no Ano Novo possam quebrar a subida de casos. “Parámos de descer no número de casos, o que era previsível. Na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa estamos com projeções de subida, agora, como estamos confinados nestes últimos quatro dias isso poderá ter impacto”, explica Carmo Gomes.

O epidemiologista acrescenta que o maior número de infetados no final do ano era esperado devido ao aumento de mobilidade e de contactos, que começou a 18/19 de dezembro. A grande questão é “saber se a subida é contínua e durante vários dias”. Sublinha: “Como partimos de um nível muito elevado, e nunca descemos abaixo dos 3500 casos por dia [à exceção de ontem], vamos subir para um nível muito elevado. No entanto, acredito que este confinamento quase total no Ano Novo (até ao dia 4) terá um impacto positivo na diminuição de infeções. Só a partir de quarta e quinta-feira é que vamos perceber a dimensão de novos casos durante este período”.

Perante isto, deveria ou não ser adiado o início do segundo período escolar, como vai acontecer na Alemanha, Países Baixos, Irlanda ou Áustria?

“Nunca advoguei que fechassem as escolas das crianças mais pequenas. Já os adolescentes sempre me suscitaram mais dúvidas, embora a evidência em Portugal seja que as escolas, nomeadamente do Ensino Secundário, não foram foco de transmissão. Mas, para estar mais firme nas convicções, vamos ter que esperar mais uns dias para perceber a situação epidemiológica em que estamos”, responde o epidemiologista da Faculdade de Ciências de Lisboa.
A dúvida tem explicação científica. As crianças – até aos 10/11/12 anos – têm a mesma probabilidade de serem infetadas que os adolescentes e os adultos. “Agora, quando são infetadas, não têm sintomas em geral e, embora transportem o vírus no trato respiratório superior, não têm tanta probabilidade de transmitir como os adolescentes e os adultos”.
Para Mário Nogueira, dirigente da Federação Nacional de Professores (Fenprof), “não faz sentido adiar por adiar. Justifica: “Se considerarmos que os reflexos das situações onde há menos cuidado e mais transmissão do vírus se dão passadas duas ou três semanas, não faz sentido adiar para começar mais tarde numa situação igual ou pior do que aquela em que estamos. Ainda por cima, quando há défices gravíssimos que vêm do ano passado”.

Outra coisa seria adiar para fazer um plano estruturado de combate ao novo coronavírus. o que o dirigente sindical entende que não fez o Ministério da Educação. Dá alguns exemplos: “A Assembleia da República aprovou a 18 de dezembro uma resolução que recomenda rastreios na comunidade escolar, que é uma exigência dos professores desde o início do ano letivo. Existem casos nas escolas, algumas pessoas ficam de quarentena, mas não existem testes a quem esteve próximo das pessoas infetadas como acontece com os ministros, conselheiros, etc. O adiamento seria útil se fosse para que se fizesse um grande rastreio; para reduzir e dividir as turmas, para encontrar soluções onde há falta de professores e de auxiliares”.

Jorge Ascensão, o presidente da Confederação Nacional de Pais, também não vê justificações para adiamentos. “Quem tem acompanhado o processo educativo, sabe que as escolas estavam preparadas e foi onde as coisas correram melhor. As situações de covid-19 aconteceram fora da escola. E temos de pensar que nem todos os alunos têm as mesmas condições, nomeadamente educativas e socio-económicas, a quem o encerramento das escolas muito afetou no último ano letivo”.

Fonte: DN

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