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Escolas Que Melhor Incluam Os Alunos Terão Melhor Avaliação

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Concordo com o secretário de Estado João Costa quando diz que a avaliação das escolas não se deve remeter aos exames. Uma escola é muito mais do que isso, e uma escola com resultados medianos pode realizar um excelente trabalho.

Porém, é preciso ter algum cuidado para não tornar a inclusão num processo facilitista ou de integração forçada com alunos ditos normais. É também necessário evitar que o decreto 54º seja um monstro burocrático e de difícil interpretação.

E depois temos o problema da falta de meios da Inspeção Geral de Educação, que ainda recentemente denunciou a sua situação precária. Se a IGEC vai ficar responsável pela “fiscalização”, então é necessário reforçar os seus recursos.

Tal como o processo da flexibilização, as ideias parecem-me boas, mas a prática pode tornar uma boa ideia num pesadelo educativo.

Alexandre Henriques


O novo ciclo da avaliação externa das escolas, que se iniciará em Maio, vai ter na inclusão “o indicador-chave” para a análise das práticas dos estabelecimentos de ensino, anunciou nesta quarta-feira o secretário de Estado da Educação, João Costa.

Será o terceiro ciclo da avaliação conduzida pela Inspecção-Geral da Educação e Ciência (IGEC), um procedimento que se iniciou em 2006 e que, segundo João Costa, para além dos resultados nos exames, vai passar a integrar o trabalho desenvolvido pelas escolas no âmbito das novas políticas educativas iniciadas pela actual tutela, bem como os novos indicadores que têm sido desenvolvidos pela Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC).

“Uma escola é muito mais do que o resultado dos exames”, frisou o secretário de Estado. Para existir inclusão, “não basta aprender, é preciso que todos aprendam” e que estas “aprendizagens sejam reais”, afirmou. João Costa adiantou que para “medir” a inclusão já existem indicadores que foram desenvolvidos nos últimos anos pela DGEEC, como é o caso dos chamados percursos directos de sucesso.

Através deste indicador, com base no qual o PÚBLICO tem feito, anualmente, um ranking alternativo que acompanha a ordenação tradicional a partir das notas dos alunos nos exames, é possível constatar, por exemplo, se uma escola tem como prática reter os estudantes, de modo a só levar os melhores a exame e assim obter um lugar de destaque na listagem por notas nas provas nacionais. Ou também avaliar se à entrada dos ciclos de ensino selecciona os alunos com base nos seus resultados académicos anteriores. Por via destas duas práticas, uma escola terá provavelmente um lugar de destaque nos rankings tradicionais, mas sairá mal no retrato produzido pelos percursos directos de sucesso e, a partir de agora, sairá mal também na avaliação feita pela IGEC.

João Costa lembrou que, com os dados já existentes, é igualmente possível comparar os resultados de alunos de contextos socioeconómicos semelhantes. Esta radiografia tem estado na base de más notícias quanto ao desempenho das escolas, uma vez que tem confirmado que o sucesso escolar continua a ser determinado em grande medida pelo meio de origem das crianças e dos jovens.

O secretário de Estado adiantou que para avaliar a inclusão terão de ser desenvolvidas “métricas qualitativas” que funcionem a par dos indicadores estatísticos existentes e que permitam, por exemplo, apurar o trabalho que é desenvolvido pelas escolas com alunos de outras etnias. Segundo João Costa, a avaliação da IGEC terá assim também de ser feita muito com base “na observação das práticas seguidas pelas escolas e não numa análise apenas documental”.

O objectivo final, sublinhou, continua a ser o que presidiu aos outros dois ciclos de avaliação: induzir as escolas a adoptarem melhores práticas. Com uma diferença, no período intercalar entre avaliações, serão desenvolvidos “mecanismos para acompanhar as escolas com uma avaliação menos satisfatória”. Não foram especificados quais.

As equipas de avaliação para além dos inspectores da IGEC deverão também passar a integrar “pessoas que já exerceram funções em escolas”, numa lógica de “avaliação entre pares”, comunicou João Costa.

Fonte: Público

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3 COMENTÁRIOS

  1. As declarações do secretário de estado são absolutamente miseráveis. Colocar a IGE ao serviço da sua ideia do que deve ser a Escola Pública é de fazer corar um Bolsonaro! Acrescente-se a este desiderato a criação de uma espécie de comissão de sábios que levará as ovelhas mais tresmalhadas ao redil…
    Na visão do senhor secretário de estado os professores são um feixe de paus mandados ao serviço dos seus desígnios ideológicos. Intrometer-se deste modo na autonomia dos agrupamentos, e dos docente,s é caso novo na nossa Democracia… A a esta vergonhosa autocracia chamam alguns autonomia e flexibilidade: só por ironia!
    Quanto ao facto das escolas baixarem o nível, digo baixarem muito, o nível das aprendizagens, não é uma presunção, um desejo de não querer, uma questão futura, caro Alexandre Henriques, isso acontece nesse momento. Acontece com os meus filhos! Ou você, caro Alexandre Henriques, não sabe, a partir deste espaço, o que se vai passando nos agrupamentos??? Neste primeiro período, e sei-o a partir de vários colegas, a pressão nos conselhos de turma já foi uma verdadeira vergonha! É isto a inclusão??? Subir notas, fazer umas encenações de uma suposta escola participativa, baixar os níveis de exigência de toda a vida académica? E não, não me refiro apenas aos testes…
    Da minha parte, e como encarregado de educação, já manifestei o meu extremo desagrado como foram feitas as avaliações dos meus filhos. Tiveram avaliações excelentes ! Foram tão excelentes??? Não, foram apenas enganados! Enganados porque alguns professores foram obrigados, repito, obrigados, pela imposição burocrática do 54, a alargar a rede, a diluir os critérios, a calar para não terem chatices! É uma vergonha! Gostaria eu de saber quantos professores são a favor destas medidas… É que encontro muito poucos… Os que genuinamente tinham alguma esperança foram esmagados pela hecatombe burocrática a que obrigou a nova legislação os obrigou…
    Pagaremos muito caro esta diatribe. A escola de qualidade ficará para os ricos… Com tristeza o digo; nunca pensei ter saudades do professor Nuno Crato, de quem fui, e sou, um crítico feroz…
    Há muita mágoa guardada, também pelas questões da carreira, com esta tutela. E não, não é o doutor Tiago Rodrigues o responsável por muitas destas desgraças, como já todos percebemos, o responsável chama-se João Costa! Espero que os professores, também nos agrupamentos, defendam a qualidade da Escola Pública e que ajustem todas as contas nas eleições de outubro!

    • Não vou argumentar consigo quando a sua visão está claramente bloqueada por questões familiares.
      A sua realidade é a sua realidade, a minha realidade é a minha realidade… Tb sou pai, também sou professor e também falo com outros colegas e pais…

  2. Não está bloqueada por questões familiares. É apenas um exemplo concreto. A questão é de principio a questão pessoal ilustra-o. O essencial não é o meu problema e a minha argumentação não é sobre mim nem sobre os meus.

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