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Escolas preferem que desconfinamento comece pelo 1.º ciclo

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Os directores das escolas públicas querem que, no sector da Educação, o plano de desconfinamento, que será anunciado pelo Governo na quinta-feira, comece pelo 1.º ciclo do ensino básico. Na reunião do Infarmed desta segunda-feira, uma das especialistas defendeu que as creches e a educação pré-escolar deviam ser as primeiras áreas a reabrir, mas para os directores os impactos das aulas à distância são mais problemáticos nas crianças do 1.º e 2.º anos, pelo que deviam ser essas as prioritárias.

O presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), Manuel Pereira, entende que o confinamento “está a ter impacto em todas as crianças” e que seria importante “que regressassem o quanto antes às escolas” tanto as que estão em idade de frequentar creches e a educação pré-escolar como as do ensino básico. No entanto, a ter que escolher alguém, “a prioridade deve ser dada ao 1.º ciclo”, afirma o mesmo responsável.

Os alunos “que estão a ser mais prejudicados” com o confinamento e o ensino remoto são os do 1.º ciclo, “em particular os dos dois primeiros anos”, prossegue Manuel Pereira, que há duas semanas já tinha dito ao PÚBLICO  que é “difícil ensinar a ler e escrever à distância”.

Na reunião do Infarmed desta segunda-feira, Raquel Duarte, da Administração Regional de Saúde do ​Norte e do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, apresentou uma proposta para um plano de redução das medidas restritivas devido à covid-19 que prevê, numa primeira fase, a reabertura das creches e do pré-escolar, além dos locais de trabalho sem contacto com o público e a venda ao postigo. Segundo este plano, as medidas deverão ser avaliadas a cada duas semanas, o que poderá permitir a abertura dos 1.º e 2.º ciclos apenas 15 dias depois do início do plano de desconfinamento.

A decisão final é do Governo e será anunciada na próxima quinta-feira, depois do Conselho de Ministros. O Ministério da Educação não avança qualquer pormenor sobre o regresso ao ensino presencial até lá. As escolas também não têm, até ao momento, “qualquer informação, nem formal nem informal” sobre o plano de desconfinamento que está a ser trabalhado pelo Executivo, afirma Filinto Lima: “Estamos todos à espera do dia 11 de Março.”

Em qualquer dos casos, as escolas “estão em condições de abrir, assim que o Governo disser que o devemos fazer”, assegura Filinto Lima, lembrando que, neste momento, há mais de 1000 estabelecimentos de ensino em funcionamento, recebendo mais de 18 mil alunos por dia, entre filhos dos profissionais essenciais, alunos com necessidades educativas especiais ou estudantes para quem o ensino à distância estava a ser ineficaz. Ou seja, as escolas “nunca pararam”.

Também Manuel Pereira, da ANDE, garante que os estabelecimentos de ensino “estarão prontos, em todos os aspectos”, caso o Governo entenda que deve haver aulas presenciais em alguns níveis de ensino já a partir de segunda-feira ou na semana seguinte, ainda antes da pausa lectiva da Páscoa — que foi reduzida a quatro dias. “Cada dia a mais que eles puderem estar na escola é um dia que se ganha”, defende.

Público

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