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Escolas fechadas não garantem que população fica em casa, defende Confap

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“Fico perturbado quando vejo quem fala sobre a necessidade de achatar a curva só fala nas escolas”, sem considerar os “impactos negativos” da suspensão das actividades presenciais, “nomeadamente ao nível da saúde mental das crianças”, acrescenta ainda o líder da Confap.

E eu fico perturbado por ver gente com elevada responsabilidade dizer disparates deste género, colocando a educação à frente da saúde.

Esta opção volta a ser elogiada pelos directores das escolas públicas. “Se a população em geral seguisse o exemplo das escolas, a situação não seria a que temos no país”, vinca Manuel Pereira, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares. A ideia é partilhada de Filinto Lima, da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, que alerta, porém, que o aumento do número de casos a nível nacional tem “aumentado o desconforto dos professores”.

Os representantes dos diretores continuam a achar que a escola não é um lugar de contágio.

Já suspenderam as aulas de Educação Física onde os alunos andam sem máscara?

Estão a controlar o que se passa no portão das escolas?

Estão conscientes que há alunos que se alimentam dentro da escola ao pé de outros alunos?

Estão conscientes que todos os dias existem ajuntamentos nas salas que não respeitam a distanciamento social?

Estão conscientes que 9 em cada 10 casos não é possível identificar a origem do surto.

E expliquem-me lá como se tivesse 5 anos… Como é que em 3 semanas ou 1 mês os alunos têm graves problemas mentais ou de aprendizagem numa escolaridade com 12 anos?

Ascenções, Filintos e Manueis, ao serem cúmplices das decisões do Governo, devem também assumir a responsabilidade quando a partir do dia 7 de fevereiro não houver camas nos hospitais para mais ninguém, covid e não covid. Quero ver o que vão dizer nessa altura…

Há muita gente que devia visitar os hospitais e falar com os médicos, precisam de levar uma “chapada” da realidade com urgência.

Fica a notícia.


Onze dias depois da primeira declaração sobre o novo confinamento, a posição do primeiro-ministro mantém-se: as escolas mantêm-se a funcionar normalmente. A decisão continua a ter o apoio dos directores e pais. O exemplo do fim-de-semana mostra que não é por causa das aulas que as pessoas continuam a sair de casa, defende Jorge Ascenção da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap).

O combate à pandemia de covid-19 precisa de “uma mudança de atitude” da população, que não passa pelo encerramento das escolas, entende Ascenção. “Basta ver o que aconteceu no fim-de-semana”, com as concentrações em zonas de lazer, por exemplo, “para perceber que não é garantido que, com o fecho das escolas, as pessoas não saiam de casa”.

“Fico perturbado quando vejo quem fala sobre a necessidade de achatar a curva só fala nas escolas”, sem considerar os “impactos negativos” da suspensão das actividades presenciais, “nomeadamente ao nível da saúde mental das crianças”, acrescenta ainda o líder da Confap.

O representante dos pais considera “acertada” a decisão do Governo. Na conferência de imprensa em que anunciou novas medidas restritivas de combate à pandemia, o primeiro-ministro voltou a sublinhar que o encerramento das escolas “não justifica do ponto de vista sanitário o custo social e nas aprendizagens” dos alunos.

Esta opção volta a ser elogiada pelos directores das escolas públicas. “Se a população em geral seguisse o exemplo das escolas, a situação não seria a que temos no país”, vinca Manuel Pereira, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares. A ideia é partilhada de Filinto Lima, da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, que alerta, porém, que o aumento do número de casos a nível nacional tem “aumentado o desconforto dos professores”.

A Federação Nacional da Educação, que no início do 2.º período tinha defendido que os alunos do ensino secundário deviam avançar para um regime de ensino misto, vai agora mais longe considerando que “o brutal agravamento dos números de infectados e de óbitos” devia levar à suspensão das actividades lectivas presenciais, posição que foi, entretanto, também assumida pelo Sindicato de Todos os Professores (Stop).

A Direcção-Geral de Saúde fará a actualização do número de surtos activos em escolas na conferência de imprensa semanal que acontece esta terça-feira. No último balanço, feito há uma semana, havia 63 surtos activos em estabelecimentos de ensino, num total de 467 infecções.

O número de novos diagnósticos de covid-19 está há quase duas semanas na ordem dos 10 mil por dia. Esta tendência na população geral tem tido reflexo nas escolas onde, desde o início do 2º período, “tem aumentando” o número de alunos e profissionais de educação a quem é dada ordem de isolamento profiláctico, reconhece Manuel Pereira, da ANDE. No entanto, “as informações das autoridades de saúde continuam a ser no sentido de que quase todas as infecções acontecem fora do contexto escolar”.

No agrupamento de escolas de Ponte da Barca houve 260 alunos enviados para isolamento nos últimos dias. No agrupamento de Portela e Moscavide, em Loures, são 520 estudantes e 12 professores confinados, por causa de 19 casos “positivos”. O caso mais complicado é o da escola Lima de Freitas, em Setúbal, onde cerca de 40% da população escolar está em casa – 20 das 52 turmas e 44 dos 120 professores estão em isolamento. Um impacto deste nível junto do corpo docente é caso único nas escolas públicas, segundo os presidentes das associações de directores. O número de professores em isolamento raramente passa da ordem da meia dezena em cada agrupamento.

“Regra geral” o isolamento dos professores e alunos da escola de Setúbal foi decretado “devido a casos que têm origem nas famílias”, garante o sub-director João Costa. Há, no entanto, cinco casos em que há suspeitas de que a infecção ocorreu dentro da escola e que estão a ser acompanhados pelas autoridades de saúde. Aquele responsável afirma também que a situação foi resultado dos primeiros dias do 2.º período: “Até Dezembro, não tínhamos nada disto.”

Nas outras escolas de Setúbal, as aulas “têm decorrido dentro de alguma normalidade”, garante o director da Secundário du Bocage, Pedro Tildes. São “muito poucos” os casos de infecção entre alunos e ainda menos entre professores: apenas três. De acordo com os contactos que este dirigente mantém diariamente com outros directores da cidade e da região, o caso da Lima de Freitas parece ser único.

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