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Escolas de sucesso, o que fizeram para o atingir?

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Curiosamente, hoje surgiram três notícias de escolas diferentes que arregaçaram as mangas, deram corda aos sapatos e fizeram das fraquezas força para atingir o sucesso. Falo da Escola Secundária de Gouveia (Guarda), EB2 da Pampilhosa (Mealhada) e Escola Básica 123 do Curral das Freiras (Madeira). Após ler as três notícias surge-me à cabeça duas palavras: determinação e resiliência. A gestão destas escolas simboliza bem a essência do funcionalismo público. Um espírito de missão, altruísta e de elevada responsabilidade.

O sucesso é possível e existe, e não implica ser o melhor dos melhores para merecer umas palmadinhas nas costas. Salvar uma criança da pobreza certa, dando-lhe autonomia para uma vida honesta e digna é tão nobre com um aluno que atinge uma média de 19 valores.

A Educação precisa de ser uma prioridade nacional e são notícias como estas que provam a sua importância. A Escola Pública tem exemplos de excelente qualidade e tendo em conta as condições e recursos disponíveis, esta bate aos pontos a escola privada.

Ficam algumas dicas e tirem as vossas próprias conclusões…

Secundária de Gouveia: sucesso com aulas partilhadas e envolvimento dos pais

“A escola tem condições e os professores são bons

“ninguém fica sem os mínimos indispensáveis ao bom desempenho: material escolar e refeições

“em se notando um problema os professores reúnem e cuidam de o resolver”

Os pais “partilham as preocupações e envolvem-se na vida escolar. Já o corpo docente beneficia da estabilidade da colocação e da partilha de experiências porque nalgumas disciplinas temos dois professores, o titular e um colega que vai ajudar e partilhar experiências num trabalho colaborativo que envolve todos os docentes”

EB2 da Pampilhosa: Os resultados são bons mas falta gente

A aposta continua a passar pelo acompanhamento personalizado dos alunos e pelos cursos vocacionais.

“Temos uma grande quantidade de problemas sociais que se refletem na escola, mas temos recursos humanos muito empenhados e sobretudo os alunos têm-se empenhado para melhorar os resultados. Rankings são rankings, mas é sempre uma satisfação estar nos primeiros lugares”

“um ótimo trabalho de orientação vocacional, em relação a alunos para quem não se entrevia um horizonte bem-sucedido no que toca à frequência regular”.

Não é por terem repetido um ano, que no ano seguinte são melhores, pelo contrário, continuam a ser os piores. Isto significa que algo no sistema não funciona e quer dizer que as alternativas de percurso escolar têm de ser seriamente consideradas, porque funcionam como funcionaram aqui”

Escola da vila mais pobre da Madeira é uma das melhores do país

“É bom estudar aqui. Todos se conhecem, somos amigos, temos boas condições e sentimos que os professores acreditam em nós

“Foi isso que quis desmistificar, quando cá cheguei. A ideia de que filho de lavrador tem de ser lavrador”, diz o director da escola, revelando o discurso que faz aos professores no início de cada ano lectivo. “Estes alunos têm sonhos, têm direito a ter todos os sonhos do mundo e cabe a nós ajudá-los”, conta o director, numa espécie de adaptação da Tabacaria, de Álvaro de Campos.

O grau de exigência foi elevado – “porque estes alunos, pelo contexto social onde vivem, só têm uma oportunidade” -, com a componente saber (conhecimento da matéria) a passar a contar 90% contra os 10% do estar (comportamento, assiduidade, participação). Antes, a proporção era de 60/40, mas esta exigência não significa uma pressão acrescida sobre os alunos.

A escola não tem campainha. A que existia avariou, e não havia dinheiro para uma nova. Agora que há, continua sem haver toques. “Há uma maior responsabilização, e acabaram-se as tolerâncias”, explica. As turmas são pequenas, por falta de alunos e todas têm apoio inserido no horário lectivo. Não há trabalhos para casa – “os miúdos têm de ter vida para além da escola” -, e os métodos de ensino são adaptados a cada um deles. “Nem todos podem ser doutores, mas todos podem e devem sair daqui preparados para enfrentar o mercado de trabalho”, argumenta, enumerando as dificuldades que os alunos enfrentam para vir à escola. “São verdadeiros heróis.

Numa vila com uma orografia difícil, a única forma dos jovens irem à escola é de autocarro. “Nós alteramos os horários, adaptando-os às horas dos autocarros, tendo em conta as necessidades dos alunos”, diz o director. Por isso, a taxa de abandono é reduzida.

Em resumo:

– Boas infraestruturas;

– Professores de qualidade, motivados, interligados, dedicados e com estabilidade profissional;

– Turmas pequenas, alunos empenhados, com acompanhamento personalizado, métodos de ensino adaptados aos alunos, pouca utilização das retenções e critérios de avaliação que primam pela exigência;

– Restrição da carga letiva ao horário escolar,

– Horários ajustados à realidade dos alunos;

– Lideranças fortes, estáveis e reconhecidas pelos seus pares.

Também é assim na vossa escola?

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