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Escolas a Tempo Inteiro – Paulo Prudêncio

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É sensato interromper as aulas a cada quatro semanas para recuperar energias; mais ainda em tempos de pandemia. É um modelo usado em muitas regiões da Europa onde há mais sociedade para além da escola a tempo inteiro.

Com a subida exponencial de infectados no grupo etário entre os 10 e os 19, tornou-se consensual e mais evidente a dificuldade em assegurar os tais 3 c´s em escolas e salas de aula lotadas (uma turma de 20 contacta com 800 pessoas em 48 horas); e no exterior, nos transportes e nas habitações. Portanto, os jovens podem fazer o percurso com o vírus da escola para casa ou vice-versa com o registo de infectados quase sempre contabilizado como “no seio da família”. Para além disso, as turmas numerosas inscrevem uma exigência suplementar inteligível para quem lecciona e perceptível sem esforço para os restantes. E a exaustão dificulta o rigor. Por tudo isso, também se torna menos compreensível o calendário escolar português que legislou mais dias lectivos e menos dias de interrupção como única adaptação a uma mais que provável segunda vaga. Ainda estamos a tempo de um ajustamento.

Paulo Prudêncio – Correntes

1 COMMENT

  1. Parece-me sensato repensar o funcionamento das escolas. O cansaço que costuma ocorrer no final do ano já começa a fazer-se sentir. A questão está em saber se será possível esperar mudanças.

    Com as substituições que muitas escolas resolveram implementar, apesar de os alunos permanecerem sozinhos nas salas durante os intervalos, aumenta-se risco de contágio, potenciado pelos espaços fechados, para professores e alunos. É possível, cumprido o horário semanal, que muitos professores passem 25 horas a gerir tarefas que envolvem diretamente alunos, o que contraria a filosofia subjacente à redução da carga horária inerente à idade.

    A questão que se impõe é saber como garantir a saúde, física e mental, até ao final do ano. Este desafio é particularmente relevante para uma classe envelhecida, ainda que alguns dos mais novos se mostrem menos resilientes.

    As escolas, incapazes de reagir em função das evidências que se vão conhecendo, tentando ensaiar um pensamento divergente, vão-se arrastando até ao dia seguinte, comprimidas entre o dever, a burocracia e a crónica falta de organização portuguesa que, mais uma vez, nos lançou no regaço problemas acrescidos… e sem respostas…

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