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Escola Que Hoje Pede Ajuda À Polícia Ignorou Professora Agredida Há 1 Ano

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Há coincidências que parecem obra do destino… Enquanto preparava a denúncia da professora Lígia Pinto – que em fevereiro do ano passado foi agredida no Agrupamento de Escolas Rodrigues de Freitas – surgiu a notícia de que a respetiva direção solicitou ajuda policial em virtude de acontecimentos recentes.

O Estranho Caso De Invasões À Escola Rodrigues De Freitas (Porto)

Os encarregados de educação dos alunos da Escola Rodrigues de Freitas, no centro do Porto, dizem temer pela segurança dos filhos.

De acordo com os pais, a escola, que acolhe cerca de 1500 estudantes, foi várias vezes invadida na última semana por um grupo de rapazes – que não frequenta aquele estabelecimento de ensino -, com o objetivo de agredir um aluno. Algo que foi facilmente concretizado, dizem os pais, porque os portões estão sempre abertos e sem controlo de entradas e saídas.

O que vão ler de seguida é uma denúncia sobre a forma como a direção da Escola Rodrigues de Freitas tratou a agressão à professora Lígia Pinto e um alerta para a necessidade dos diretores estarem ao lado dos seus professores em momentos tão difíceis. Não vou fazer grandes considerações, peço apenas para compararem as declarações prestadas hoje pela diretora à comunicação social, com o negrito que está mais abaixo…

Mas quero colocar uma questão… O que anda a fazer o Conselho Geral?

Escola Secundária do Porto pede reforço policial após episódios de violência e assaltos

“Estou a fazer tudo o que está ao meu alcance para promover mais segurança na escola. Gostaria que a escola voltasse a ter um vigilante a circular na instituição”, confessa a diretora, lamentando que já haja alunos a sofrer de ansiedade e de medo relacionado com os episódios de violência e assaltos.

diretora do Agrupamento de Escolas Rodrigues de Freitas


“A Lígia Pinto não merecia isto. Tal como tantos outros professores não o mereceram. Na mesma medida existem outros tantos encarregados de educação que não merecem sê-lo.
Ser professor é, cada vez mais, uma profissão de risco, a intolerância às frustrações do foro individual acomete as pessoas de tal forma que a solução mais fácil passa por humilhar aqueles que lutam diariamente para que os seus filhos sejam diferentes para melhor, capazes de se distinguirem positivamente junto dos seus progenitores.
O flagelo irá continuar, as ameaças tornar-se-ão em actos premeditados, gratuitos, desprovidos de qualquer senso comum.
O medo, a insegurança, o desconforto e, acima de tudo, a humilhação infligida, ficarão irremediavelmente presentes daqui para a frente.”

Assim começa o relato sobre a agressão a que fui sujeita, em fevereiro do ano passado, no portão da minha escola, contado pelo meu irmão, que não é professor, mas é um excelente educador e cuidador, de quem tanto gosto e prezo.

A agressão foi brutal, digo eu que a senti na pele, dizem os três professores que me auxiliaram no momento da agressão e dizem os amigos e família próxima que me viram ir ao chão. E se vocês acham que conseguem imaginar o que me aconteceu estão enganados. Podem sentir empatia por mim, por casos como o meu, mas não conseguem imaginar o que eu experienciei.

Foi uma  agressão inesperada de uma mãe de um aluno da minha escola, mas não da minha turma. Era de uma turma com muitos alunos indisciplinados, como todos os professores tão bem sabem que os há em algumas turmas. Aquela mulher, que eu nunca tinha visto na vida, ao agredir-me violentamente fez com que a minha vida desse uma cambalhota tremenda. Inesquecível! Mas logo a seguir, vem outra cambalhota ainda maior e empurrada por quem menos esperava: pela Direção do agrupamento da minha escola. Foi uma agressão ainda mais brutal e que mais feridas provocou em mim até hoje.

O que aconteceu no dia 27 de fevereiro de 2019, dia da agressão.

  • Fui agredida no portão da minha escola pelas 10h50;
  • A Coordenadora da minha escola estava a faltar naquele dia;
  • A Direção teve conhecimento imediato do que tinha acabado de acontecer no portão da escola e NADA fez no sentido de diligenciar auxílio. Repito, Nada!!! Estamos a falar de uma distância de 50 metros da escola onde a Direção tem sede e a minha! Mas não teve pejo de dizer à comunicação social, no dia seguinte, e passo a citar, “ não poder fazer nada porque apenas detém poder sobre os alunos e não sobre adultos que actuam na via pública.
  • Depois desta tomada de conhecimento, foi diligenciada pela psicóloga e educadora social do agrupamento uma reunião com a “presumível” agressora, para o dia seguinte! Ambas incrédulas com a “presumível” agressão.
  • Entretanto, ferida no corpo e alma, fui vista por todos já no interior da escola: alunos, incluindo os meus que estavam a iniciar o seu primeiro ano, professores, técnicos, auxiliares e nesse instante todos acudiram. Todos perceberam que tinha sido muito grave o que ali acabara de acontecer. Fui ouvida pela PSP, que foi chamada por uma assistente operacional, a pedido de um dos professores que assistiu à agressão e me auxiliou sempre (Até hoje! Obrigada, Teresa!). Fui levada para o Hospital de Santo António por uma colega que se ausentou do serviço para me acompanhar. Quando saí do hospital, apresentei-me no gabinete da Direção. Esta assumiu que eu ia apresentar baixa médica e o assunto ficava resolvido. E abafado.

No dia 28 de fevereiro:

  • 09h00 – hora de entrada dos alunos – Ausência da Escola Segura nas imediações da minha escola.
  • 09h00 – Dentro da escola, um pai de um dos meus alunos solicita uma reunião com a coordenadora, que já se encontrava ao serviço. Por arrasto, a psicóloga do agrupamento, que procurava a “presumível” agressora dentro das instalações da escola, participou dessa reunião. Ali, àquele pai foi negada a existência de qualquer agressão e vedada qualquer estratégia futura para evitar o que acontecera.
  • 09h00 – Corajosamente ou não, apresentei-me na escola para comunicar à minha coordenadora que iria ao IML.
  • A psicóloga, depois da reunião com o pai e coordenadora, levou a “presumível” agressora, que se encontrava no interior da escola, para o seu gabinete, na escola sede, para com ela reunir como haviam no dia anterior combinado.
  • Depois de ir ao IML, fui para um hospital da minha residência, onde me é passada baixa médica directa, ou seja, uma baixa que não é provocada por doença natural, mas sim provocada por terceiros.
  • Neste dia, foi enviado o primeiro e-mail à Direção pela Representante de Pais da minha turma a pedir esclarecimentos e estratégias futuras. Este e-mail nunca teve resposta. Este e outros.

No dia 01 de março:

  • Em vez de um cordão humano de solidariedade, como eu vi realizar-se mais tarde a outra professora infelizmente também agredida, saiu o desfile de Carnaval habitual da escola, que constava do Plano Anual de Actividades. Tinha que ser cumprido. Estavam todos felizes, todos menos os que foram obrigados pela Direção em participar no desfile (e aqui reside a desgraça da nossa classe, a falta de união!!!). E houve pais e mães que decidiram em não pactuar com aquele desfile quando algo de tão grave ali tinha acontecido. Decidiram não levar os seus filhos para a escola nesse dia. Palhaçada geral! Até parece uma aventura dos livros de Dan Brown.

Fiquei de baixa directa durante 3 meses, o que a lei permite, e depois andei com apresentações regulares a juntas médicas da ADSE até ao fim de dezembro. Já estou a exercer (outras) funções, numa outra escola, em Mobilidade Por Doença, por mim requerida nos períodos e trâmites previstos na lei.

Passados 34 dias de baixa, a Coordenadora da minha escola liga-me pela primeira vez a perguntar se estava bem… e passados 35 dias, recebo também o primeiro telefonema da Directora do Agrupamento…

Muitas lutas se travaram… muita tinta rolou. Passou este tempo todo e eu não posso deixar de me questionar se tudo isto valeu a pena, a minha luta e a luta de um Agregado Amigo que vos quero apresentar. Um Agregado Amigo que nunca desistiu de estar ao meu lado, do lado certo, do lado do bem, sempre em nome do repúdio deste e de qualquer acto de violência. Um Agregado que quis respostas às questões que colocavam, ora à Direção e Psicóloga do Agrupamento, ora à Coordenadora da Escola, ora à Associação de Pais. O assunto chegou à comunicação social; à Autarquia, ao Senhor Vereador do Pelouro da Educação do Porto, por via de um abaixo assinado deste Agregado e de outros pais que se agregaram à causa; o assunto chegou à DGEstE, também por via deste Agregado; o assunto chegou ao Sr. Secretário de Estado da Educação, pela minha voz e por correspondência trocada entre nós. Que mais era necessário fazer? Até ao Sexta às 9 acabei por ir testemunhar…

Este Agregado Amigo, que teve várias reuniões, que enviou e-mails, muitos sem respostas, que escreveu cartas, que gastou o (seu) tempo, que não se venceu pelo cansaço e pelo desgaste que sofreu, que participou numa manifestação que outros pais da minha  escola  realizaram na última semana de aulas, marcada pela “célebre” frase “Bate no tambor, não batas no professor”, merece da minha parte palavras de agradecimento eterno, porque me fez crer que ainda existem pessoas boas, muito boas, prontas a ajudar o outro e a lutar por causas justas. E qual era a causa afinal? Repudiar a agressão e estar ao lado da vítima desde o início, coisa que a Direção nunca fez!

Se isto tudo serviu de alguma coisa?! Bem, realmente o que conseguimos, nós, pessoas de bem,  na verdade não foi pouco, foi vermos de que fibra somos feitos. Não houve melhor ocasião para nos pôr à prova. Pelo menos dormimos de consciência tranquila.

Agregado Amigo, amigos e família, o meu eterno agradecimento!

Lígia Pinto, Professora do Quadro do Agrupamento de Escolas Rodrigues de Feitas, Porto


(como sempre, se a direção da Escola Rodrigues de Freitas quiser usufruir do direito ao contraditório, este será naturalmente concedido – [email protected]

5 COMMENTS

  1. Sei do que fala, infelizmente … já sofri na pele uma situação muito semelhante – fui agredida por um aluno, o diretor, que nunca estava (e continua a não estar) na escola, foi chamado de urgência (andava de avioneta!!) mas recusou-se a comparecer. Imediatamente acionei os meios de comunicação social que tinha ao alcance – e forma muitos, porque, felizmente, ainda há amigos. Da direção, nem um pio … o escroque ainda fez declarações próprias do mau caráter que é, à comunicação social, quando questionado, alegando que o caso tinha que ser tratado com muito cuidado porque se tratava de uma “criança” … que foi um AGRESSOR … devo confessar que o escroque que ocupa ainda a posição de diretor, porque é eleito por um “conselho geral” (e mais não digo!) não me tinha na lista de sócios do clube de “culambismo” que instituíu, alimenta e protege. Foi um desenrolar de acontecimentos que, tal como a colega descreve, com o corpo e a alma em chaga, não foram suficientes para me deter na denúncia a todas as entidades e isntâncias superiores – do ministério público nem à fava me mandaram … das instâncias superiores, soube, posteriormente por alguém de dentro, que na direção regional guardaram a queixa/denúncia que fiz, na gaveta … até hoje … restou-me uma queixa crime que caíu com … indultos em tempos de eleições. Muito mais teria a dizer … da escola onde estava (felizmente a cujo quadro JÁ não pertenço!!) saíu a quase totalidade do quadro (ficou com o clube de eleição)para outras escolas da cidade e dos arredores … enquanto lá estive ainda tive dois processos disciplinares e um judicial, porque tive a ousadia de publicar um documento extraído do site da IGE, sobre uma ação inspetiva … arrasador sobre a qualidade da gestão do “antro” que nos foi sonegado e escondido … dizia o figurão na queixa crime que eu difamava o bom nome da escola e provocava instabilidade nas relações institucionais com a atitude de ter publicado anonimamente (na plataforma MOOdle, com a minha identificação e foto!!) documentos confidenciais (repito extraído do site da IGE – público!!) – hoje o dito excremento gaba-se de ter “renovado” e ter limpo o lixo do corpo docente – há poucos meses apareceu numa estação de televisão a queixar-se que não tem professores – escusado será dizer que quem lá está são os elementos do “clube” e os que não conseguem lugar de quadro noutros agrupamentos da cidade … de Faro.

  2. Muito triste e injusto o que fizeram à Professora Lígia.
    Deixo o meu filho na escola mas não fico descansada. Estou consciente da agressividade latente/existente…

  3. Não há palavras para classificar a atitude dos responsáveis do Agrupamento, nomeadamente a Diretora e o Conselho Geral.

  4. Há quem não tenha perfil para estar à frente de uma escola!
    É lamentável e preocupante o medo de exercer a autoridade. Foram muitos anos a questionar e a fragilizar a autoridade dos professores, que acabam por estar, em muitas situações, profundamente sós.

  5. Fui professor contratado no Rodrigues de Freitas várias vezes sendo que, da última vez, no ano lectivo de 2013 – 14. Nesse ano, no último dia de aulas do primeiro período de 2013, fui insultado verbalmente durante cerca de 10 minutos, por três alunos da escola (que não eram meus!) enquanto dava a minha aula a um sétimo ano. Ouvi tudo e fui ameaçado de forma bem ostensiva. A Direcção, na pessoa de uma adjunta, porque a Directora é invisível, disse-me que “eles vão ser suspensos”. Ora, os alunos em questão já haviam passado pela figura da suspensão. Eram delinquentes emergentes e todos o sabiam. Restou – me uma queixa formal na esquadra mais próxima e os alunos tiveram de ir a tribunal de menores. Quanto à directora, nunca a ouvi. Quanto à direcção, senti na pele o desprezo pela minha pessoa e pelo meu trabalho. Nesse mesmo ano, fui censurado pela mesma por evitar que alunos invisuais fossem “atingidos” por bolas de futebol dentro dos corredores da escola (porque a anarquia nos corredores é reinante). Nesse mesmo ano, várias alunas minhas (da minha direcção de turma) foram alvo de assédio repetido dentro dos quartos de banho por um outro aluno da escola. Como o mesmo aluno insistia nesse comportamento, fui obrigsdo a conversar com o mesmo e a ameaçá-lo de represálias (foi a única forna de o aluno não voltar a repetir tais atitudes). Fui repreendido pela própria directora de turma do menino que achou que fui, e cito “precipitado”. Não há muitas palavras para descrever o caos desta escola. E não. A culpa não é, de todo, da falta de funcionários.

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