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Escola, lazer e família: Saber gerir para garantir o sucesso das crianças e adolescentes.

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Quem nunca ouviu uma criança expressar-se através de um desabafo como: “agora só falamos na escola” ou ainda “quando estou de férias é que é bom”?

Evidentemente, as crianças e adolescentes, tal como os adultos, apreciam o seu período de férias onde a flexibilidade de horários é maior, as responsabilidades e desempenho avaliados menores e, por fim, o tempo para as atividades de lazer é o que impera.

Quando se começa a preparar o início do ano lectivo, sabemos que existe um grande entusiasmo por parte da maioria das crianças no seu regresso à escola. Este recomeço está associado ao reencontro dos amigos e professores, expectativas positivas quanto aos novos conteúdos escolares e de um modo global, tentar descobrir o que o novo ano tem reservado para elas. No entanto, à medida que as responsabilidades aumentam e particularmente aquando das épocas de avaliação, tendem gradualmente a sentir-se mais preocupadas, com todos os afazeres relacionados com a escola, diminuindo assim o tempo que teriam para fazer aquilo que é natural gostar-se nesta idade: brincar com os amigos, estar com a família, explorar novas atividades e jogos.

Por esta razão, durante o período escolar, deve existir um equilíbrio entre a necessidade do estudo, para a aquisição de competências fundamentais, a prática de atividades de lazer com e sem amigos e os momentos com a família, que são por vezes os mais escassos, mas que também são muito importantes.

Como consequência deste “corre corre”, o pouco tempo que atualmente pais e filhos têm para estar juntos é o final de tarde ou apenas à hora da refeição (o jantar). Sem nos darmos conta, aquele tão aguardado momento pelas crianças para brincar ou simplesmente relaxar com os pais, é interrompido e destinado ao assunto escola e avaliações. A longo prazo, se este tema passar a dominar lá em casa, poderá surtir um efeito paradoxal face aquele que seria o objectivo máximo por parte dos pais – garantir o bom desempenho escolar por parte dos filhos. Este processo pode desencadear nas crianças e adolescentes uma perceção negativa relativamente à preocupação legítima dos pais, quando o foco de atenção alusivo ao rendimento escolar é demasiado persistente. Por sua vez, esta perceção, desperta em muitas crianças sentimentos de desmotivação, medo de fracassar e uma sensação de incapacidade face às suas expectativas individuais e familiares, o que se pode traduzir em comportamentos como: adiar o estudo (especialmente se for uma disciplina na qual tem dificuldade por exemplo) com o receio de se confrontar com as suas próprias dificuldades, ter medo dos momentos de avaliação e verbalização de comentários negativos.

É fundamental que os momentos em família sejam repartidos entre aquele que é o tempo destinado a assuntos escolares, como ajudar na revisão da matéria escolar, verificar alguns trabalhos da escola e estar-se atento às suas necessidades, mas não podemos em momento algum, descurar a importância que as gargalhadas, as brincadeiras e o estar simplesmente ao lado dos nossos filhos enquanto eles vêem os desenhos animados possuem no seu desenvolvimento positivo.

As crianças e jovens são muito mais do que um valor numa pauta e a sua educação, a vontade e curiosidade de aprender e a sua dedicação e comprometimento vão depender em grande parte daquilo que observam e experienciam ao longo de toda a sua vida, como tal, esteja sempre presente para ensinar-lhe o que de melhor há.

Cecília Santos

Psicóloga Clínica

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