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Era Uma Vez Os “Zecos” Na Assembleia Da República

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A comunicação social e sindicatos pouco ligaram aos “zecos”, mas os “zecos” sabem bem o que fizeram e vão fazer. A brilhante Anabela Magalhães diz exatamente aquilo que penso e sinto…


As Verdadeiras Medalhas dos Professores

Isto é o que conta.

Bem sei que nos querem a toda a força fazer pensar que é o contrário. Mas não é. A nossa função é fundamental num qualquer país civilizado ou a civilizar e a população portuguesa sabe disso.

Nós amparamos os filhos desta Nação. Nós secamos lágrimas, incentivamos, acarinhamos, ralhamos, amparamos, ensinamos, explicamos, partilhamos, escutamos… os filhos dos portugueses.

Eles, em sala de aula, chamam-nos mãe, pai, tio, tia, madrinha… e isto só para enunciar o que a mim já me chamaram .

Por isso vos digo, senhores políticos e senhores comentadores da treta, uma mentira repetida mil vezes nunca deixará de ser uma mentira nem que a torçam toda para ela parecer verdade.

Ontem, numa qualquer área de serviço onde tardiamente jantávamos no início do caminho para o Norte, e onde visionávamos em alta voz as filmagens da nossa intervenção na Assembleia da República, escutámos, com alguma surpresa, palavras de apoio da pessoa, relativamente jovem, que jantava sentada na mesa ao lado e que fez questão de as proferir e de as partilhar connosco.

Ontem, durante as nossas deambulações pela Casa da Democracia, e acreditem que foram muitas!, fomos acompanhados por uma jovem licenciada em Relações Internacionais que fez questão de frisar o quanto admirava o trabalho tão difícil dos professores portugueses e o quanto estava ao nosso lado nesta luta.

Por isso, continuem, senhores políticos de todos os quadrantes, continuem a fazer gato sapato dos professores portugueses como se não houvesse amanhã.
E tenham a certeza, há amanhã. E a História vos julgará.


 

Audição na CEC da Comissão Representativa da Iniciativa Legislativa de Cidadãos

Ontem, chegamos onde queríamos chegar, chegamos a quem queríamos chegar, dissemos exactamente o que queríamos dizer, escutamos as belas palavras de apoio à causa da contagem integral do tempo de serviço dos professores, vindas de todas as bancadas parlamentares, excepto do PS, não interrompemos quem quer que fosse, pelo contrário, fomos nós os interrompidos… pelo PS, seguimos os tempos protocolares à risca, nem um minuto a mais, nem um minuto a menos e tivemos que “gramar” um deputado relator do PS a misturar duas funções, a de deputado e a de relator, a exceder-se no tempo, a falar o dobro do tempo do previamente estipulado e a falar chamando a si as suas duas posições sendo que não estava sequer prevista qualquer intervenção para o relator numa clara  subversão das regras democráticas, que não foram elaboradas por nós e foram elaboradas por eles.

Foi uma honra poder, ontem, estar presente na Assembleia da República Portuguesa, na Casa da Democracia desta nossa Nação, numa comissão chamada Comissão da Educação e Ciência, representando mais de 22 mil cidadãos que confiaram na nossa iniciativa e que a apoiaram com actos, neste caso com as respectivas assinaturas.

Não é de somenos importância frisar este facto – Nós representamos milhares de pessoas, milhares de professores, bem mais do que muitos sindicatos de professores todos somados mas atrelados a uma Plataforma Sindical que, apostando tudo na via negocial… ah ah ah… que via negocial?!!!!!… nos trouxe ao sítio onde nós estamos hoje, em que temos belas palavras de apoio de quase todas as bancadas parlamentares e uma mão cheia de nada para mostrar.

Ontem foi o meu momento mais alto enquanto cidadã activa, participante e crítica deste país. Tenho a noção, e assumo, que pertenço a uma elite intelectual deste país que, frequentemente, se demite do exercício da Cidadania, o que também nos traz ao ponto em que estamos hoje. A Cidadania não deve ser uma disciplina imposta e inventada pelo ministério da Educação para ser leccionada meramente nas escolas portuguesas. A Cidadania pratica-se e só assim há verdadeira Cidadania. Pratica-se através das palavras ditas e escritas, pratica-se através das posições assumidas e defendidas, pratica-se através da acção, acção esta que tem de ser exemplar.

Ontem, em plena  Comissão de Educação e Ciência, senti orgulho ao olhar para o lado, para os meus colegas de profissão que esta luta aproximou, de todo o país, e em poder ver-me em tão excelente companhia.

Ontem, em plena  Comissão de Educação e Ciência, senti orgulho pelos restantes três membros desta comissão que não puderam estar presentes mas que nunca, em momento algum, foram por nós esquecidos.
Ontem, em plena  Comissão de Educação e Ciência, senti orgulho por todos os apoios generosamente prestados a esta causa que diz respeito a mais de 120 mil professores, cerca de 80% mulheres, e às suas famílias e que chegaram não só de professores mas também da sociedade civil… por exemplo de pais de alunos que já foram nossos um dia. Nunca o esquecerei! Nunca o esqueceremos!

Ontem, sentada em plena Comissão de Educação e Ciência, senti orgulho em mim própria, nas lutas que já travei, nesta luta que coerentemente ainda travo e que, por certo, será das últimas, será talvez mesmo a última que travarei no que diz respeito à minha profissão.

Finalmente, ontem, sentada lado a lado com as senhoras deputadas e os senhores deputados da Nação, de todos os quadrantes políticos, não pude deixar de pensar que, se não fôssemos nós, eles nunca chegariam ali e que nós somos seus credores duplamente – devem-nos a sua condição e devem-nos 9 anos, 4 meses e 2 dias do tempo de serviço que efectivamente trabalhamos e do qual jamais abdicaremos.


A exceção…

Professora de Viseu foi à AR defender a contagem integral do tempo de serviço docente.

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