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“Era giro se o ME obrigasse todos os alunos do secundário regular a fazer um exame prático de soldadura.”

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Um comentário publicado na página de facebook do ComRegras por Jorge Sottomaior Braga ao artigo Maioria dos alunos dos Cursos Profissionais não segue para o Ensino Superior. Motivos?, e que merece ser publicado.

superioridade

Se um aluno fosse um génio a tocar violino (ensino artístico) e no entanto não fosse bom nas disciplinas tradicionais, também era um coitadinho que precisava de esforçar mais? Algum dos comentadores tem a capacidade técnica de avaliar os alunos do ensino profissional na sua profissão escolhida? A maior parte das pessoas constitui a sua opinião sobre o ensino profissional com base nas disciplinas tradicionais. Mas …. e sobre o violino não opinam? Tenho alunos no ensino profissional que são excelentes profissionais após a formação e que se tivessem continuado no secundário dito regular nunca teriam visto o seu talento natural florescer. Tenho alunos do profissional que foram medalha de prata nos Campeonatos europeus de profissões e foram ao campeonato do mundo. Tenho ex-alunos que estão integrados em grandes multinacionais como técnicos. Praticamente não tenho ex-alunos desempregados. E também tenho maus alunos. Perdoem-me mas irrita-me esta superioridade bacoca em relação ao ensino profissional e aos seus alunos. Já alguma vez experimentaram programar um braço robótico ? Os meus alunos já. Já alguma vez utilizaram um PLC? Já alguma vez estudaram música? Então porque é que estão a dizer que o violinista é mau se nunca estudaram música na vida?

E temos que parar com esta mania de que toda a gente tem que ter um canudo superior. Há quem não queira e há quem não precise e até há quem não consiga. A hipocrisia é o portão de acesso ao superior estar formatado para o ensino dito regular após ter havido uma massificação dos cursos profissionais. E agora queixam-se que os do profissional querem ir trabalhar ao invés de ir estudar matemática, que nunca deram, para passar nos exames nacionais? Ou o caso da física que é ainda mais gritante. Se fosse ao contrário até manifestações na rua de professores e pais indignados haveria. Era giro se o ME obrigasse todos os alunos do secundário regular a fazer um exame prático de soldadura. Ou programar um autómato industrial. Ou cortar um cabelo. Ou fazer um soufflé! Havia de ser lindo….

*Sublinhados de minha autoria

3 COMMENTS

  1. Muitos,mas mesmo muitos parabéns pelo seu artigo,caro colega que tem capacidade para pensar o ensino.Iniciei funções numa Escola Industrial e Comercial(Avelar Brotero-Coimbra).Que gosto dava ver os alunos de fato macaco nas oficinas(horror dos horrores).Faziam estágios em boas empresas e logo se interessavam em empregá-los.Vários de alunos meus seguiram para os à época Institutos Industriais ou Comerciais,seguindo depois para as Faculdades a que tinham acesso. Sem apoios pedagógicos nem aquilo a que este ano chamaremos tutoriais.Com ar consternado o estrangeirado Ministro da Educação lamentava o não seguimento para o superior de cerca de 20% de alunos do Secundário. Será isso necessário para ser caixa de supermercado?Haverá na Europa do euro algum país que usando colinho leve todos os seus jovens para as universidades?Fico por aqui,pois já me alonguei demasiado!

  2. …é um caso artificial: não estamos a falar dos antigos estado de Leste, mas de um país de pastores que já nem falam português!

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