Início Escola entre o passado e o futuro – os problemas do hoje

entre o passado e o futuro – os problemas do hoje

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Este é um artigo que pensei dividir entre a coisa séria e a brincadeira; a partir da sua designação trocar alguns galhardetes sobre os problemas que nos afligem apesar de nos atirarem para o futuro – ou apenas areis aos olhos;

Fico-me pela dimensão mais prospetiva.

escolas-do-futuroA partir de um texto de uma colega de grupo (400, história) e de companhia aqui pelo ComRegras, disponível aqui, ao qual junto iniciativa realizada no passado sábado no instituto de educação, em Lisboa, desta feita tendo como suporte o futuro da escola, aqui disponível, ao qual relaciono ainda e de forma direta a centralidade deste espaço, sobre comportamentos e disciplina escolar, permitam-me contribuir para a conversa sobre a escola (o seu futuro) com algumas ideias sobre o presente.

Primeira nota, antecipar o futuro é, de alguma forma, evitar as moengas do presente. Olhamos em frente esquecendo de perceber onde estamos. Mas vamos lá.

Não tenho grandes dúvidas que uma das questões (causa ou consequência) da alteração dos comportamentos escolares decorre, em grande medida, das práticas pedagógicas inerentes à sala de aula. Gerir um grupo/turma é hoje substancialmente diferente e distinto daquela que era à coisa de dez, 15 ou mais anos atrás. Aí, na configuração das 4 paredes de uma sala de aula, tudo é diferente. A dinâmica da relação do grupo, das relações que se estabelecem, das formas de organizar o trabalho do professor como dos alunos. É diferente a forma de pensar como de organizar o pensamento de uns e de outros. Coisa óbvia e que muito decorre de um tempo e dos dispositivos que temos à mão e pelo qual somos orientados, solicitados, impulsionados. Exemplo claro disso, interessante artigo da semana passada do jornal público. Já não é a geração clike como lhe chamei durante algum tempo, é a geração Z que desliza pelo ecrã de um qualquer gadget.

Mas que importa alterar a dinâmica de sala de aula, disso ninguém tem dúvidas, menos ainda os docentes. As práticas de organização do trabalho em sala de aula não têm estado estáticas, muito pelo contrário. As alterações introduzidas têm-se sucedido de tal forma e a tal ritmo que hoje poucos sabem ou recordam sequer a utilização do retroprojetor ou do simples projetor de slides.

A dinâmica de sala de aula tem mudado quer por via de opções mais ou menos claras por parte dos professores, quer por implicações ou determinações das relações que no espaço das 4 paredes se determina – muitas vezes por via da diferenciação de públicos – percursos alternativos, vocacionais, ensino especial, entre outros.

Ora como será o futuro da sala de aula? Estou certo que grande parte da resposta está no presente e, com alguma impertinência minha, no passado. Entre passado e futuro, considerando o que é hoje, destaco três aspectos que considero determinantes.

O docente ter-se-á de assumir como um mediador e gestor da informação (e social) e não como elemento preponderante menos ainda central da ação em sala de aula. O conhecimento está no nosso bolso, no smartphone, no tablet, na ponta dos dedos. O docente terá apenas de desenvolver, incentivar e assumir dimensões do pensar crítico, da organização e gestão da informação, da resolução de problemas, da dúvida e do questionamento de fontes e origens, processos e modos. (Forma de ultrapassar a seca – ou a missa – que são grande partes das aulas e com implicações diretas nos comportamentos e nas relações).

Os gadjet (sejam eles computadores, tablets ou outros dispositivos) tenderão a complementar dossiers, cadernos e suportes de registo. Serão sempre um meio e não podem, nem devem ser um fim em si mesmos. Caso contrário correr-se-á o risco de seguir as pisadas da antiga modernização administrativa que consistia tão só em fazer a atualização dos computadores. Mas a sua utilização e disponibilização terá de evitar de correr o risco de acentuar diferenças de meio (social ou económico) entre quem tem e não tem acesso ou recursos.

Os processos de diferenciação (segmentação, individualização) acentuar-se-ão mediante a utilização das redes de comunicação enquanto suporte à orientação e ao apoio escolar, seja por via do correio eletrónico ou por via de plataformas escolares, educativas ou pedagógicas. Ou seja, tornar-se-á mais viável (quanto fácil e adequado) a personalização de práticas, problemas e apoios. Já hoje resolvo e apoio muitas situações por via do correio eletrónico. É verdade, consome um outro tempo, compensa noutro, pois a sala de aula acaba por se tornar um espaço de reconfiguração, análise, e debate.

Voltarei ao tema individualizando cada um dos tópicos, mediação, modernização, diferenciação.

Manuel Dinis P. Cabeça

29 de fevereiro, 2016

(imagem daqui)

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3 COMENTÁRIOS

  1. Peço desculpa, mas na minha maneira de ver o que está nos aparelhos é informação.
    Conhecimento é outra coisa, que requer massa cinzenta e vontade e capacidade de a usar.
    Que as maquinetas e as suas imensas potencialidades não nos distraiam daquilo que será sempre o essencial.

  2. Sem dúvida que o professor vai ter que se ajustar a um novo mundo. Não tenho dúvidas que a tecnologia terá de ser parceira se queremos “falar” a mesma linguagem dos alunos. A escola tem de evoluir, precisa de evoluir e o professor não pode ficar retido em memórias saudosistas. Se o fizer, também ele ficará retido, retido em algo que simplesmente já não existe.

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