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Entrada com o pé direito – Filinto Lima

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O arranque do ano letivo mereceu nota positiva, como era, a meu ver, expectável, atendendo à reorganização diligente operada nos espaços escolares por parte das direções executivas, no âmbito das suas funções.

As regras e procedimentos adotados pelas escolas, a sensibilização para o seu cumprimento realizada junto dos alunos, bem como a participação ativa das associações de pais nestas ações preparatórias revelaram-se decisivas para assegurar a confiança geral, imprescindível para o decurso, o mais normalizado possível, de um ano que se antevê como o mais atípico das nossas vidas.

Concordando com Marcelo Rebelo de Sousa, devemos assumir com humildade que haverá sempre aspetos a melhorar ou a corrigir, como já se verificou necessário no período que antecedeu o início do ano letivo, e se constituirá imprescindível sempre que as circunstâncias o aconselharem.

Desde logo, o comportamento de alguns (poucos) alunos no exterior do espaço escolar, por se revelar contrário ao evidenciado, nestes primeiros dias, dentro da escola: o distanciamento social nem sempre foi respeitado e o uso da máscara pontualmente negligenciado.

E, no mesmo sentido, alguns encarregados de educação persistiram na manutenção de uma rotina que lhes é cara, com maior tradição nas escolas do 1.º Ciclo: após a entrada dos seus educandos, permaneceram numa conversa amena e prazerosa nas imediações dos estabelecimentos de ensino, contribuindo para os indesejáveis ajuntamentos, de todo desaconselhados nos tempos que correm.

Comportamentos tidos e sentidos, outrora, como salutares, revestem-se de caráter menos positivo quando se almeja o evitamento da disseminação deste vírus que nos ameaça e priva da normalidade desejada. Mas, por ora, é importante fazer concessões, abdicar temporariamente desses momentos de partilha para ganharmos o futuro, e isso só será exequível se se estabelecerem sintonias e alianças.

Aos alunos, pede-se que priorizem a consciência cívica, num esforço elevado que alavanca uma constância de atuação, adotando os mesmos procedimentos dentro e fora do espaço escolar. Aos encarregados de educação, compreendendo a ansiedade e os receios que os assolam, que confiem nas escolas, dos lugares mais seguros onde se pode estar. Por conseguinte, devem dirigir-se para os seus empregos ou respetivos lares (ou outros destinos…) com a celeridade que se impõe em tempos de pandemia, desimpedindo espaços, muitas vezes exíguos, potencializando riscos evitáveis.

À Escola-Segura – excelente programa promovido pelo Ministério da Administração Interna e Ministério da Educação – pede-se o reforço da sensibilização junto dos diversos agentes das comunidades educativas para o cumprimento de normas essenciais no combate ao Covid-19. Estou ciente de que a sua intervenção será fundamental para que as atitudes acima exemplificadas sejam mitigadas, ou mesmo debeladas.

Estamos todos a iniciar a jornada de um novo ano letivo, com passos seguros, conscientes de que, embora inexistindo “risco zero”, há claramente o desiderato de tudo fazer para que o ensino seja o mais possível, e sempre que possível, presencial, no garante máximo da igualdade de oportunidades e da equidade, de modo a que a Educação seja efetivamente o “elevador social” almejado por todos.

As responsabilidades são comuns e devemos atuar em função das mesmas, contribuindo, individualmente, para o bem-estar coletivo, assim o queiramos, pois, afinal, ele está ao alcance de todos.

Excelente ano letivo!

Fonte: TSF

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