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Ensino Profissional Uma Oferta Real!

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formação-profissional1A notícia da aprovação de financiamentos de 885 milhões de euros referentes aos fundos comunitários, através do Programa Operacional Capital Humano, em que cerca de metade vai para a formação profissional, não pode deixar de ser vista como uma boa notícia para o ensino no geral e muito particularmente para o Ensino Profissional.

Todos conhecemos as carências económicas existentes, desta forma é imperioso encontrar mecanismos de financiamento que viabilizem a operacionalidade e possibilitem o investimento nos meios de formação disponíveis no país. Mesmo que isso signifique direcionar os fundos comunitários para o efeito, facto a meu ver pouco sólido pois no médio/ longo prazo reduz a sustentabilidade financeira do modelo.

No entanto, o Ensino Profissional padece de males igualmente dramáticos ao do financiamento e com influência profunda nas opções que os alunos tomam assim como nos resultados que apresentam.

Continuamos a olhar para o Ensino Profissional de uma forma redutora, desvalorizando-o e afirmando-o como o caminho para onde são enviados os que não querem aprender, quem não quer estar na escola e quem não se preocupa minimamente em se valorizar. Acabando as turmas por serem constituídas maioritariamente por quem não teve verdadeiramente uma escolha, mas que foi conduzido para esta via como sendo a sua única opção.

Até posso admitir que esta ideia, que continua a existir, fosse uma realidade no início da afirmação desta via de ensino. No entanto e independentemente da forma como os alunos chegam ao Ensino Profissional, a verdade é que as vias profissionalizantes representam uma fatia crescente da população em idade escolar, sendo atualmente cerca de 40% dos alunos do ensino secundário. Entre 2005 e 2012, quando se deu a maior subida, cresceu de cerca de 12% para aproximadamente 33% e se agregarmos todas as vias profissionalizantes então teremos cerca de 42% dos alunos no profissional e 58% nos cursos gerais Cientifico-humanísticos.

Perante indicadores com esta dimensão torna-se imperativo organizar este ramo de ensino, dando-lhe a estabilidade e dignidade que têm as outras opções. Eu não quero um filho a frequentar um curso de eletricista só porque tem dificuldades na aprendizagem das línguas, mas aceito plenamente se a opção for consciente, por que quer aprender uma profissão, e sabendo que isso não será um impedimento para prosseguir estudos, se assim o entender.

O ensino profissional é a melhor resposta que se pode dar à pergunta que muitos alunos fazem: Para que serve a escola? A escola serve para aprenderes uma profissão!

Uma outra área fundamental para que o Ensino Profissional se valorize e prove a qualidade que vem demonstrando ao longo de anos é a articulação com o tecido empresarial. As necessidades empresariais e da sociedade são a razão da existência desta oferta formativa. Assim sendo, quanto mais próxima for a colaboração entre as empresas e as escolas melhores resultados serão alcançados.

Com o estreitamento das relações, o Ensino profissional pode tornar-se a primeira linha de combate ao desemprego, direcionando os alunos para as necessidades das empresas, promovendo a sua formação em contexto de trabalho e permitindo a sua posterior integração nos quadros.

É também fundamental que as formações tenham um currículo bem definido que promova as aprendizagens técnico-profissionais adequadas à profissão, mas que também promova um tronco comum que viabilize a progressão de estudos. O eletricista, que atrás referi, deve poder prosseguir um curso de engenharia se assim o entender.

Consulte o artigo aqui:

Programa Capital Humano já aprovou 884,8 milhões de euros de financiamento

1 COMMENT

  1. E muito importante que não se queira empurrar os alunos para esses cursos só para aproveitar financiamento Europeu… O Ensino Profissional é algo muito necessário e como dizes precisa de ser dignificado.

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