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Ensino profissional está em grande expansão

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Teresa Damásio é a embaixadora da Semana Europeia da Formação Profissional, que este ano vai decorrer em formato virtual em novembro, em Berlim, Alemanha. Pelo segundo ano consecutivo, a Comissão Europeia nomeou a administradora do Grupo Ensinus, que vai igualmente representar Portugal no evento. Algo inédito.

Pela sua experiência e por ser uma referência na área do ensino profissional, pedimos a Teresa Damásio que nos dissesse como está atualmente este ensino em Portugal e a resposta foi que “está num momento de grande expansão e pela primeira vez na história da democracia portuguesa os diplomados do ensino profissional têm uma via especial para o acesso ao ensino superior”, dignificando todos os envolvidos neste ensino, sejam professores, alunos, quadro técnico e auxiliar.

É inequívoco que são vários os benefícios de frequentar os cursos de formação profissional. Teresa Damásio resume esses benefícios de forma simples: “A grande vantagem é que estamos a formar, a qualificar, para o emprego.” E aqui é decisivo o facto de o ensino profissional em Portugal e na União Europeia ter uma “estreita ligação com as associações de empregadores para qualificar as profissões existentes no País, designadamente, daquilo que em Portugal se chama o Catálogo Nacional das Profissões, da responsabilidade da ANQEP Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional”.

Por isso é sem surpresas que se reconhece que os alunos que terminam o secundário após frequentarem o ensino profissional têm mais facilidade em se adaptarem ao mercado laboral. “É o que os estudos nos indicam”, afirma Teresa Damásio. “É o que a própria OCDE demonstra nos estudos publicados acerca da VET Vocational Education Training e naturalmente toda a metodologia e aquisição de competências de aprendizagens no ensino profissional é feita no sentido de o aluno estar permanente a ser avaliado e a ser posto à prova”, explica, descrevendo: “Passando pelo facto de ter de fazer estágio desde o momento em que entra na escola, passando pelo facto de que este está desde o primeiro dia de aulas a preparar-se para a sua PAP Prova de Aptidão Profissional, e que irá defender perante um júri no final do seu curso. Bem como pelo facto de estar em permanente contacto com o contexto empresarial na medida em que os estágios fazem parte obrigatória e essencial de qualquer curso profissional.”

Questionada se o número de jovens que frequentam o ensino profissional em Portugal tem crescido ou decrescido nos últimos anos, responde que “tem aumentado”. “E há uma tendência clara para continuar a crescer. Nós temos cada vez mais alunos menores de idade a entrar no ensino profissional, o que significa que se trata, naturalmente, de uma primeira escolha. Antigamente, o ensino profissional tinha outro perfil de alunos, ou seja, o estigma em relação ao ensino profissional já não existe.”

Aplausos para o Governo

Quanto ao objetivo governamental de pretender que mais jovens saídos dos cursos profissionais ingressem no ensino superior faz com que Teresa Damásio fique muito satisfeita, deixando mesmo um “vivo aplauso” para esta medida.

“O Governo já tinha tentado anteriormente, no ano letivo transato, implementar esta medida, não conseguiu. Este ano conseguiu. Uma palavra também de aplauso para a ANESPO Associação Nacional de Escolas Profissionais, que teve aqui um forte empenho, tanto no Ministério da Educação como no ensino superior. Souberam dar, se quisermos, um enorme salto civilizacional”, refere.

País atravessa momento importante

Indagada sobre qual é a importância deste ensino para o futuro e o desenvolvimento de Portugal, a embaixadora da Semana Europeia da Formação Profissional responde que “é estruturante”. “Quando iniciámos o ensino profissional em Portugal, na maioria dos Estados-membros já o ensino profissional tinha um percurso completamente consolidado”, recorda.

“Estamos atrasados”, continua Teresa Damásio. “Mas quer do ponto de vista do ordenamento jurídico, quer do ponto de vista do ensino, quer do ponto de vista do empenho dos governantes, dos empregadores e dos dirigentes, dos sindicatos, das negociações que se fizeram com a ANESPO, porque importa referir que esta tem o princípio da negociação coletiva com os sindicatos e, portanto, os professores membros desses sindicatos que lecionem no ensino profissional têm acesso a uma convenção coletiva de trabalho que lhes dá condições favoráveis e isso diz muito. É um momento importante que o nosso país atravessa neste domínio e que deve orgulhar portuguesas e portugueses.”

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