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Ensino: escolas públicas, escolas privadas e manuais escolares…

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chequeExistem podres tanto no ensino público como no ensino privado. Agora referindo-me à escola pública, se os encarregados de educação pagassem uma quantia no ato da matrícula do aluno (nem que fosse uma quantia pequena e simbólica…), talvez dessem mais valor ao ensino e educassem melhor os filhos. As pessoas não valorizam tudo o que é dado e arregaçado. Os meninos nunca podem adquirir um livro, mas há sempre dinheiro para telemóveis de marca. Eu até acho graça quando observo as pessoas que usufruem dos escalões na fila para levantarem os livros… Muitos tinham um iphone na mão muito mais caro do que o meu.
Quando as pessoas vão ao hospital ou ao Centro de Saúde, não pagam taxa moderadora? Pagam e não bufam! Quem quiser ter acesso aos hospitais privados, também tem de pagar ou fazer um seguro de saúde…
A saúde é um bem e um direito universal, mas paga-se. Deste modo, deveria ser igual com o ensino. Porque é que tem de ser o Estado a aguentar com tudo? Se há dinheiro para telemóveis topo de gama e para ir comer ao McDonalds, as pessoas também poderiam contribuir com 10€ no ato da matrícula. Aqueles que desejam usufruir de uma escola privada também deveriam pagar, tal como se faz com os hospitais privados. Esta subsidiodependência e esta mentalidade de que tem de ser o Estado a sustentar tudo não ajuda nada o país a equilibrar as finanças.
Se o ensino é de borla, os manuais escolares, em contrapartida, são caríssimos. Quem terá coragem de por fim a este lobbie da indústria livreira? Existe o Movimento pela Reutilização dos Livros Escolares (reutilizar.org) que promove a sua partilha. No entanto, todas as escolas deveriam participar nesta iniciativa, disponibilizando um banco de livros, ao qual as famílias que não têm poder de compra para adquiri-los e que usufruem dos escalões deveriam recorrer. Findo o ano escolar, devolvê-los-iam para que os livros possam ser reutilizados no ano seguinte. Isto tem mais lógica do que ser o estado a financiar a aquisição de manuais que não são devolvidos nem reutilizados. Para que essa reutilização seja possível, deveriam ter em conta o artigo 4º da lei 47/2006 que definiu um período de vigência de seis anos para os manuais do ensino básico e secundário. Isto implica uma reapreciação das alterações posteriores a esta lei, as quais determinaram que a duração dos manuais poderá ser inferior, caso haja uma evolução do conhecimento científico, uma alteração ou revisão do conteúdo dos programas ou uma imposição de novas metas ou orientações curriculares…
Dados da OCDE (no relatório “Education at a Glance”) revelaram que, entre 2000 e 2010 em Portugal, a despesa das famílias com a educação aumentou cinco vezes… Com certeza que estas  despesas familiares incluem os custos implicados com os manuais escolares.
Um Ministro da Educação diferente implica sempre novas reformas no ensino. Em cada mandato há sempre uma alteração dos currículos e das orientações a nível curricular. No entanto, não se assiste à implementação de medidas consistentes que contribuam para a criação de um ambiente estável tão essencial à aprendizagem dos alunos. Como é que o ensino poderá ter credibilidade? Muitas das pessoas que trabalham neste setor apenas zelam pelos seus próprios interesses no lugar de lutarem por um bem comum: um ensino de qualidade. Há quem faça do ensino um negócio …
Cristina Leitão

2 COMMENTS

  1. Subscrevo a totalidade deste artigo.Há “pobrezinhos”de faz de conta.Os outros,os verdadeiros,são honestos.A implementar,já no próximo ano,uma caução, com a finalidade que sugere.

  2. Não me choca minimamente que exista uma penalização financeira a cair nos subsídios ou em sede de IRS para todos os pais com filhos em situação de abandono escolar ou que tenham sido alvo de medidas disciplinares sancionatórias.

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