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Ensino À Distância – Ana Kotowicz

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Excelente artigo da jornalista Ana Kotowicz, que reflete as diferentes realidades vividas pelas Escolas na tentativa de encurtar distâncias entre os professores e os seus alunos.


Todos os professores foram obrigados a avançar para o ensino virtual mas as experiências divergem muito consoante as escolas e as próprias famílias. Investigadores pedem ao Governo mais regras.

Laura. Leonor. Augusto. Júlia. Sofia. Matilde. Gabriel. Eva. Têm entre 2 e 12 anos, e espalham-se, em dias normais, por salas de aulas do pré-escolar ao 7.º ano. Há duas semanas tudo mudou. Sexta-feira passada teriam regressado a casa com mochilas mais carregadas de TPC para as férias, para gozar a pausa letiva da Páscoa. Mas o coronavírus trocou as voltas às suas quatro famílias. Agora é em casa, com ritmos muito diferentes, que vão recebendo indicações das escolas, a conta gotas ou de enxurrada, e que vão dando os primeiros passos numa sala de aula sem professor.

As escolas fazem o mesmo e adaptam-se à ausência de alunos. Umas ainda estão a meter a primeira mudança, outras já seguem em velocidade cruzeiro, como a Park International School, com quatro colégios em Portugal, ou o agrupamento de Alcanena, onde todas as semanas se afinam os motores.

Os representantes dos diretores, de escolas públicas e privadas, não têm dúvidas: todas estão a fazer a transição para o ensino digital e a pausa da Páscoa vai servir para garantir que o ano letivo termina da melhor maneira, até porque já ninguém acredita que o 3.º período possa ser feito dentro da normalidade. E não têm ilusões: escolas e alunos estão longe de ir todos à mesma velocidade.

Também por isso, Pedro Freitas e Hugo Reis, investigadores na área da economia da educação, pedem ao ministro Tiago Brandão Rodrigues regras claras para todas as escolas, que garantam que nenhum aluno fica para trás. Para já, com base nos números do Instituto Nacional de Estatística de 2019, deixam um alerta: haverá um universo de cerca de 50 mil alunos até aos 15 anos sem acesso a recursos educativos online.

Aqui há computador, mesmo que arcaico

A Laura tem computador. O Augusto e a Leonor também. Mas se esta última, aluna de 11 anos, que frequenta o 6.º ano no Agrupamento de Escolas Conde de Oeiras, já tinha um só para si, o mesmo não se passava com os outros dois estudantes. Depois de o coronavírus lhes bater à porta, as famílias desenrascaram-se com equipamento mais antigo, mas que vai dando para responder às solicitações dos professores.

No caso da Laura, 12 anos, as coisas não estão a correr mal, apesar da carga horária ser demasiada, na opinião da sua mãe. Mas isso não é novidade. Para Vera Vitorino, ainda antes da pandemia, o horário da filha, aluna do ensino articulado de música, era excessivo: 14 disciplinas e aulas de manhã e de tarde todos os dias da semana.

Na turma da Laura, um 7.º ano do Agrupamento de Escolas de Benfica, o fluxo de trabalho está controlado. “A informação chega por WhatsApp ou por email. Os professores informam a diretora de turma, ela envia para a representante dos pais, que sou eu, e em seguida envio para todos os encarregados de educação. Não está a correr mal”, conta Vera que tem a sorte de não receber dezenas de emails por dia.

Juliana, mãe de Augusto, Sofia e Gabriel (10, 7 e 2 anos) não pode dizer o mesmo. O filho mais velho está no 5.º ano na Escola Secundária de Carcavelos e se, ao início, a passagem de informação estava centrada na diretora de turma, alguns dias depois deixou de estar. “A conversa no Google Classroom é constante. O que estão a pedir é demasiado para a disponibilidade que eu tenho. Eles não estão de férias, mas eu também não estou de férias, e não há professores a entrar e a sair cá de casa para esclarecer as dúvidas que eles têm. É só um pai a ajudar nos trabalhos de todos. Até para o Gabriel, que está na creche, recebo emails das educadoras com atividades, e músicas e saltinhos.”

Para ler todo o artigo:

observador.pt/especiais/ensino-a-distancia-diferentes-velocidades-entre-escolas-alunos-sem-computadores-e-pais-sem-tempo-trazem-a-tona-as-desigualdades/?

 

 

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