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Em Stº. António

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antonioEm dia de Stº António um texto que nada tem a ver com o santo padroeiro de Lisboa (e de outros tantos municípios).

É final do ano letivo. As aulas chegaram ao fim e agora restam os normais afazeres de um qualquer fim do tempo escolar, reuniões de avaliação, exames, constituição de turmas, elaboração de relatórios (muitos relatórios) e preenchimento de questionários, formulários ou o que seja (físicos ou virtuais, reais ou imaginários).

Todos estamos cansados. Todos mesmo, docentes, alunos, pais/encarregados de educação funcionários. Foi ano intenso, cheio, preenchido com quase tudo e de tudo. Para todos os gostos, para todos os campos da política ou dos partidos, dos gostos e mesmo dos desgostos. Foi a mudança do titular da pasta a meio do percursos, em novembro. E não dá para dizer que não se deu conta da mudança por que se deu e se dá conta da alteração, do que foi e tem sido o vendaval de ideias, medidas e, muito particularmente, discursos em posição, oposição ou contraposição.

A própria blogosfera disso deu e tem dado conta, de um tempo antes, de Nuno Crato e de um depois, de Tiago Rodrigues. Esta dicotomia, entre um antes e um depois, tem tornado algo complexa que a análise dos acontecimentos e das opções, como em romar posição – ou ser oposição. Mas permite, clarificar ideias e posições, fazer entender que a escola (mas não só nem exclusivamente) é feita de ideias, valores, modelos que se confrontam, debatem, se afirmam ou infirmam. Umas vezes são predominantes outras minorias latentes ou simplesmente insinuações. Ideias e valores que ganham densidade em função dos tempos e dos modos de ação escolar e pedagógica. E isto repercute-se nas escolas.

O ano termina e com ele tudo o que implica e carrega. Relações, afetos, momentos de tensão quanto de fartura. De regozijo e reconhecimento, como de impaciência. Foram práticas repetidas a despeito de novos públicos ou, apesar de permanecerem os mesmos, terem crescido e a relação com eles. Ou novas práticas, assentes numa qualquer experiência que se insinua, quando ganhamos ousadia e atrevimento.

Todos – pelo menos muitos – estaremos envolvidos em elaborar relatórios de (in)sucesso, (in)disciplina, disto e daquilo, para isto e prá’quilo. Preocupados em compilar números, calcular taxas, determinar rácios, elaborar gráficos simpáticos, coloridos. Tabelas, gráficos que escondem, omitem os rostos daqueles números. Os nomes daquelas oscilações gráficas, escondem afetos, as emoções sentidas das conquistas feitas e conquistadas naquele esforço derradeiro.

Todos – ou pelo menos muitos – estaremos ocupados a pensar estratégias de remedição, compensação, apoio, etc coisa e tal. Isto é, a preencher grelhas e mais grelhas como se a realidade escolar e pedagógica fosse passível de encaixar numa qualquer tabela de dupla entrada.

Muitos, mesmo muito, estaremos ocupados em dar cumprimento a formalismos idiotas face aos tempos que correm, por que desajustados, desusados. Mas que alguém não consegue mudar por que simplesmente não sabe, não quer ou por que não, ponto.

Pergunto-me, não seria mais simples, prático e rápido se colocássemos numa qualquer folha (física ou virtual) simples pensamentos individuais e particulares sobre o que resultou? Por que resultou? O que não resultou? Por que não resultou? Qual a minha ideia sobre o meu trabalho e sobre os modos como estava/foi organizado? O que penso ou retiro do meu trabalho e do trabalho em contexto de turma/conselho de turma grupo, de departamento de escola?

O que ganho com isso? Provavelmente nada. Ou muito, consoante o ponto de vista – ou, como diria amável Professor, a vista do ponto.

Manuel Dinis P: Cabeça

13 de junho, 2016.

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