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Em 2020 A Minha Dedicação Vai Ser De 0,3 Por Cento

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Existe uma diferença entre a obrigação e a dedicação. A obrigação baseia-se no cumprimento das funções destinadas em troca de um vencimento. A dedicação é aquela zona cor-de-rosa, onde o amor à camisola surge, fruto do brio, consciência cívica e responsabilidade para com os outros.

Este Governo, tal como o anterior, pregou a bom pregar uma melhoria significativa do rendimento das famílias. A classe média em geral e os funcionários públicos em particular, foram enganados pelas falinhas mansas de quem fala bem, mas pouco faz. O aumento dos impostos indiretos, o pagamento faseado de progressões que vêm com um atraso de uma década, aumentaram o descontentamento de muitos funcionários públicos, neste caso em particular, dos professores. E já nem vou falar no roubo do tempo de serviço, em que o ladrão é conhecido, sabemos onde está, mas nada lhe acontece, pavoneando-se pelo Parlamento, chegando o ponto de votar contra uma condenação pela agressão a uma professora grávida.

Recentemente uma empresa imobiliária norte-americana ofereceu aos seus colaboradores um total de 10 milhões de dólares em bónus de Natal. Quase 200 funcionários receberam entre 50 mil a 250 mil dólares de prémio, consoante o tempo de casa de cada um dos 198 trabalhadores.

No Japão, a Microsoft testou uma semana de trabalho com menos 1 dia, tendo obtido um aumento de 40% de produtividade.

Todas as sociedades modernas e empresas desenvolvidas, reconhecem o trabalhador como peça central da sua engrenagem, os exemplos referidos, provam que é possível dar e receber a dobrar. São exemplos onde existe uma preocupação real para com funcionários, recompensando-os, incentivando-os, motivando-os, a fazer mais e melhor. Ao contrário do que se vê em países de 3º mundo, onde a corrupção e a desvalorização do trabalhador é a imagem de marca.

Portugal não é um país do 3º mundo, mas tem tido Governos de 3º mundo. A desvalorização, direi mesmo desprezo, com que os seus funcionários têm vindo a ser tratados, revelam o muito que ainda falta fazer neste campo.

O próprio discurso das estruturas intermédias, fechadas na pequenez da mensagem de quem está lá em cima, aceita que assim seja e incute horas extraordinárias como se fosse algo que é suposto fazer: reuniões fora de horas, visitas de estudo, etc.

Não é por isso de estranhar que a abstenção seja elevadíssima, a maioria do povo não acredita nos políticos, considerando a política um trampolim para ordenados elevados, onde reina a promiscuidade e corrupção.

0,3 por cento! É este o incentivo que nos querem dar, é esta a dedicação e preocupação que têm pelos funcionários públicos! Um insulto, uma humilhação, uma vergonha (esta é especialmente para si, Ferro Rodrigues!)! Ainda por cima quanto está previsto um superávite de 0,2%

Ontem ficámos a saber que os Partidos livraram-se de pagar centenas de milhares de euros em coimas prescritas (o que diz disto Ferro Rodrigues?), apenas mais uma gota na descredibilização dos partidos que falam em uníssono, sem que se compreenda o motivo de terem tantos deputados, quando todos votam da mesma maneira.

E podia continuar, com os 24 mil milhões de euros que foram injetados na banca nos últimos 12 anos, com o Governo mais caro de sempre, ou com os 27 mil milhões que o Estado tirou aos professores.

Não há maior motivação que ver reconhecido o seu trabalho e a sua dedicação. Se a consideração que têm pelo meu trabalho é um aumento de 0,3 por cento, depois de 10 anos congelado, depois de 2 anos a receber uma progressão de forma faseada, depois de ter perdido 6 anos de serviço, a minha resposta, o meu amor à camisola, será também ele, de 0,3 por cento.

E isto também é educar as gerações mais novas. Educar que todos merecem ser tratados com dignidade e que alguns estão claramente a aproveitar-se de muitos.

Os mais novos precisam de perceber que precisamos de outro cravo, pois este há muito que anda a perder as folhas…

Alexandre Henriques

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