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Em 10 anos, quem perdeu mais professores, Público ou Privado? Qual o ministro que cortou mais professores?

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Como agora tenho algum tempo livre resolvi aproveitar o estudo publicado ontem pela Direcção-Geral das Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) sobre o perfil do professor, para fazer uma análise sobre a evolução do número de professores.

Na grelha em baixo podem constatar a variação anual do número de professores e a variação relativa a 2004/2005.

evolução professores 2004_2014

 

Conclusões:

Durante uma década, houve uma redução de 23% dos professores do ensino público e 14,4% do ensino privado, o equivalente a 43596 professores e 4714 professores. Curioso que durante a vigência do governo PS, ocorreu uma diminuição do número de professores, seguida de uma recuperação, indo ao encontro do período pré-troika de maior investimento.  

Mas fica claro que foi o ensino público que mais sofreu comparativamente com o ensino privado. A associação da escola pública a classes económicas média/baixas e a escola privada a classes económicas médias/altas não é por acaso e quando os cortes ocorrem, os primeiros a sofrer são os que menos têm. Além disso, temos a questão das escolas privadas com contratos de associação, que englobadas no “bolo” privado viveram confortavelmente durante anos, enquanto as escolas públicas perdiam cada vez mais material humano. Não se trata de uma competição de quem sofre mais, mas é elucidativa a realidade entre duas escolas tão distintas.

E o Ministro da Educação que mais cortou professores em Portugal foi Nuno Crato do governo PSD. Fica também claro que no seu mandato os cortes no ensino privado foram mais incisivos, acompanhando o ensino público.

Nota: a Troika chegou a Portugal a 17 de maio de 2011, durante o mandato de Nuno Crato.


Tem sido afirmado com insistência que a culpa da redução dos professores é da demografia. Quem anda nas escolas constata que essa é apenas parte da verdade, a restante é visível no gráfico seguinte e que mostra a evolução da relação aluno/docente num período de 10 anos.

evolução relação prof_aluno 10anos

Como podem constatar, o número de alunos por docente aumentou nesse espaço de tempo, provando que o corte do número de professores não resulta apenas da diminuição demográfica.


Por fim um gráfico que mostra a evolução dos professores contratados em Portugal.

Evolução professores contratados

O gráfico revela que é no 2º ciclo, 3º ciclo e secundário, onde existem mais colegas contratados, tendo atingido o pico em 2010/2011. Infelizmente a redução de professores contratados não se verifica por uma política de combate ao trabalho precário, poucos têm sido os que entraram para quadro desde 2004/2005. Em tempos de crise, os professores contratados foram os primeiros a sofrer, pois além de gregários das escolas, estes são muitas vezes vistos como “almofadas” dos colegas de quadro, ou seja, “primeiro sai o contratado e só depois saio eu”…

4 COMMENTS

  1. Estudo muito interessante. No entanto, qual é o universo de escolas? Ou seja, qual a proporcionalidade entre o número de docentes e o número de escolas? Uma coisa são, por exemplo, 2 professores num universo de 20 escolas e outra são 2 professores num universo de 10 escolas, se é que me estou a fazer perceber… ou então por número de alunos.

      • Então, penso que será lógico o número de professores do privado ser menor. São muito, mas muito menos escolas. O interessante era distinguir e comparar o número de professores em proporção às escolas para chegar à conclusão final. Como se pode afirmar se foi no público ou no privado que se perdeu mais professores se não há essa separação?

        • Claro Ana, o número de professores no privado é menor, por isso é que a coloquei a redução em %, assim é possível verificar a redução de forma proporcionada ao seu universo. Se em 1000, 10% é 100, em 10, 10% é 1… é uma questão de matemática.

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