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Em 10 anos aumentou a relação de alunos por professor.

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Uma pequena pausa nas férias para dar destaque ao artigo que saiu hoje no jornal Público –Escolas públicas perderam quatro vezes mais professores que as privadas. O ComRegras foi o primeiro a fazer referência a esta situação no passado dia 28 de julho, tendo inclusive apresentado um gráfico comparativo.

evolução professores 2004_2014

Os resultados são claros e apesar de serem ligeiramente diferentes do jornal Público (eu incluí todos os níveis de ensino), prova-se que o ensino privado não sofreu as mesmas dores do ensino público e que no mandato de Isabel Alçada, o ensino privado até cresceu com relativa pujança enquanto o ensino público não recuperava e muito menos crescia tendo em conta os níveis de 2004/2005.

Como disse ao jornal Público (essa parte não saiu), naturalmente que as premissas pelas quais se regem as escolas públicas e privadas não são iguais, e os estatutos sócioeconómicos dos alunos são claramente diferentes. Não é por isso de surpreender que a “crise” tenha demorado a atingir o ensino privado, ainda para mais quando os contratos de associação mantiveram um fluxo de alunos do ensino público para o privado.

Mas a questão central é que a Educação continua a ser vista como um mau investimento e os professores uma classe que carrega todo o mal que tem sido feito à escola pública. A questão demográfica, apesar de real, tem sido uma cortina de fumo aplicada vezes sem conta, mas mesmo com essa redução foi possível aumentar o número de alunos por professor. É tudo uma questão financeira…

evolução relação prof_aluno 10anos

Menos alunos por professor é o primeiro fator para aumentar o sucesso escolar e reduzir os elevados índices de indisciplina que existem em Portugal, e isso meus caros é senso comum que qualquer encarregado de educação, professor, funcionário ou aluno vos dirá.

Por fim uma palavra ao jornalista Samuel Silva e naturalmente ao seu jornal por ter dado o devido destaque a esta matéria, pois este foi um assunto que passou despercebido inclusive nesta casa. Apesar das críticas que o Público recebeu com a matéria dos contratos de associação, este é claramente o jornal que mais destaque dá à Educação preocupando-se em fazer investigação na área. Que assim continue!

Ficam alguns excertos das notícia e o meu breve comentário que podia ter sido dito por qualquer professor do ensino público.

Estes são números que não surpreendem o líder da Federação Nacional da Educação (FNE), João Dias da Silva, uma vez que, nos últimos anos, foram tomadas medidas “específicas das escolas públicas” que contribuíram para esta situação. São disso exemplo o encerramento dos estabelecimentos do 1.º ciclo com menos de 25 alunos, a criação de agrupamentos de escolas e o aumento do número de alunos por turma, que contribuíram para a redução do número de docentes.

Filinto Lima, da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), acrescenta ainda como explicação as medidas de austeridade aplicadas sobre a função pública. Os cortes nos vencimentos, o aumento da idade da reforma e o congelamento das progressões levaram muitos professores a saírem do sistema — pedindo a pré-reforma ou mudando de profissão — mais cedo do que seria expectável. “Saíram desiludidos e alguns deles ainda tinham muitos anos para dar”, sublinha Filinto Lima.

Mesmo sem recorrer a estes números, o presidente da ANDAEP refuta que a demografia seja a explicação para a redução do total de docentes: “O que aconteceu é que os professores estão a trabalhar mais tempo do que antigamente.” “Quem anda nas escolas sabe perfeitamente que esta não é apenas uma questão demográfica”, acrescenta Alexandre Henriques, professor e autor do blogue Com Regras. “Nós continuamos a ter turmas grandes e temos muito mais trabalho.”

Continuação de boas férias. 😉

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