Início Rubricas “Eles” serão mais superficiais que “elas”

“Eles” serão mais superficiais que “elas”

138
0

keep-calm-and-quem-comeu-comeu-quem-não-comeu-nao-come-mais-2Não sendo algo que minimamente me agrade, ouvir as conversas alheias tal como não ver telenovelas, telejornais e coisas “tais” nas televisões, por vezes em espaços pequenos e fechados é menos fácil que assim não aconteça, até por hoje se falar muito alto.

Estando a ler num desses locais, por norma “calmo”, e talvez com necessidade de desanuviar os olhos por algum cansaço de leitura, parei e olhei em volta. Quando ia a retomar a leitura, na mesa pequena mesmo ao lado, estavam duas jovens, pelos 19/20 anos, bom aspecto, universitárias pela conversa em tom baixo, mas impassível de não se ouvir.

Já ali estavam, fazia algum tempo, mas só nessa altura é que não consegui retomar a leitura, não estava interessado em as ouvir, mas aconteceu.

Uma dizia à outra que de facto eles – na sua terminologia os gajos – desenvolvem-se mentalmente mais tardiamente que elas – as gajas.

Talvez fosse esse um dos temas que já conversariam.

Pensa-se – não os próprios, evidentemente – que hoje os jovens fazem passar a ideia de que falam pouco, andam sempre e só “agarrados tecnologias de contacto”, não tendo tempo nem interesse, para mais que isso fazer. Mas por outro lado, sabe-se – estatisticamente, mais que não seja – que elas têm muito mais sucesso escolar, terminam mais licenciaturas superiores, e apesar de infelizmente a maioria das vítimas de violência doméstica ainda serem mulheres, já são 17% os homens, agredidos e que apresentam queixa.

Bem, voltando à conversa que continuava, a segunda disse estar totalmente de acordo com a primeira, e esta para concluir o seu raciocínio, utilizou uma expressão que antes só era usada por eles, nós: “ Já comi alguns gajos, não te vou dizer quem, e…” aqui aparece o que ela queria afirmar, “depois lavamo-nos e nada mais. Não que tenhamos que fazer promessas de amor eterno, mas ter conversas sérias e com conteúdo, sobre o que fizemos, porque o fizemos, e até sobre outros assuntos, que não de esperar pela “próxima vez que nos comamos”, ou ligar a televisão por mais nada haver a fazer.”

De facto, sempre “elas” tiveram um desenvolvimento mental mais rápido que “eles” – nós – não é de hoje, se é que hoje ainda assim se passa, mas depois pelos 18/20 anos nos equiparávamos. Hoje como parece que a adolescência acaba aos 35 anos, talvez possa ser diferente, ou não!

E hoje, tantos de nós sessentões – onde se inclui quem isto escreve- não achamos de forma alguma que no “nosso tempo” é que era bom, dado que não é verdade, mas também parece que hoje não será. E, mesmo nunca havendo que retroceder, nem pensar, mas melhorar o hoje e o agora com a aprendizagem do que “antes” foi mau, sem ter que fazer tudo forçosamente ao contrário. Só por que sim!

E hoje se as “gajas” medem o seu desenvolvimento pelo número de “gajos que comem”, como nos anos sessenta “eles” o faziam quanto a “elas”, continuamos numa época de troféus, e de facto não é isso que se espera de Mulheres e Homens que se supõe serem o “ser superior” que existe à face da Terra, não equiparável a qualquer outro animal, que por norma só acasala para se reproduzir e continuar a espécie.

Mas quando se ouvem conversas destas, mesmo que inadvertidamente, ainda fica a esperança que talvez comece a haver uma abertura ao pensamento, à reflexão, com conteúdo implique que a relações sexuais não sejam uma mera uma competição de “quem come mais ou quem é mais comido”, mas de algo que se faz com carinho, com amor, com respeito, com dignidade, que mesmo que não seja para a vida, não passe do acto e da pós -lavagem! E venha outro, ou outra!

Augusto Küttner de Magalhães

COMPARTILHE

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here