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Educare – Menos Vagas Para Quem Ser Professor

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Nos dados divulgados pela DGES, e numa análise ao número de vagas disponibilizadas nos últimos quatro anos, entre 2012 e 2015, verifica-se que a área da formação de professores em Ciências da Educação foi aquela que ao longo desse período mais vagas perdeu: das 1468 vagas disponíveis em 2012 restam agora 1194, uma quebra de cerca de 18,7%

realidade_calvinMais 1194 para o desemprego… Não me espanta que as faculdades abram as vagas, não me espanta que o MEC autorize essas vagas (o ensino superior é um lobby poderoso), o que me espanta é haver alunos interessados nesta área. O desemprego na próxima década é garantido, a carreira está congelada ao nível do nitrogénio líquido, a única réstia de esperança só pode ser a emigração.

Dizem que o sonho comanda a vida, mas os sonhos andam muitas vezes de mãos dadas com os pesadelos…

Fica o artigo.

Menos vagas para quem quer ser professor

A primeira fase de acesso ao Ensino Superior arranca esta segunda-feira com 50 555 vagas disponíveis para 1048 cursos em universidades e politécnicos públicos. A entrega de candidaturas através do portal da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES) fecha a 7 de agosto e os resultados do concurso são divulgados precisamente um mês depois, a 7 de setembro, no mesmo portal. Este ano, há menos 265 vagas no Ensino Superior público nesta primeira fase de acesso, face às 50 820 do ano passado, uma redução inferior a 1%. O número de vagas para aceder aos cursos superiores públicos está em queda desde 2012, depois de em 2011 se ter registado um pico de oferta com 53 500 lugares em concurso. Esta quebra tem sido acompanhada pela diminuição do número de candidatos, tendência que apenas mostrou sinais de inversão no ano passado, o primeiro desde 2008 a registar um aumento nas candidaturas, com 42 455 estudantes a tentar aceder ao Ensino Superior na primeira fase.

Nos dados divulgados pela DGES, e numa análise ao número de vagas disponibilizadas nos últimos quatro anos, entre 2012 e 2015, verifica-se que a área da formação de professores em Ciências da Educação foi aquela que ao longo desse período mais vagas perdeu: das 1468 vagas disponíveis em 2012 restam agora 1194, uma quebra de cerca de 18,7%. Arquitetura e Construção, área onde se incluem os cursos de Engenharia Civil, sofreu uma perda ainda mais acentuada com uma quebra de quase 25% nas vagas disponíveis: 2745 em 2012 para 2073 em 2015. Serviços Pessoais, Jornalismo e Informação e Proteção do Ambiente são também áreas que reduziram a sua oferta nos últimos quatro anos.

No despacho orientador de fixação de vagas para o Ensino Superior para o próximo ano letivo, o Governo recomendou às instituições um aumento do número de vagas nas áreas de Ciências da Vida, Ciências Físicas, Matemática e Estatística, Informática e Engenharia e técnicas afins. Apenas em Ciências Físicas e em Informática não se registou um aumento. Em 2014, Informática deixou por preencher mais de metade das vagas levadas a concurso na primeira fase e tem vindo a surgir, nos últimos anos, como uma primeira opção dos candidatos ao Ensino Superior.

Engenharias e técnicas afins têm 9037 vagas disponíveis, ou seja, 17,7% do total, seguindo-se Ciências Empresariais com 7686 vagas (15% do total) e Saúde com 6656 vagas (13% do total). Estas são as áreas de formação com mais vagas disponíveis. Este ano, 28 242 vagas (56%) são para cursos nas universidades e 22 313 (44%) para cursos nos institutos superiores politécnicos, uma distribuição que se tem mantido estável nos últimos 15 anos. As colocações na primeira fase de 2014 deixaram apenas por preencher 13 168 vagas, menos 1008 do que em 2013. Os candidatos que não consigam um lugar nas universidades e politécnicos nesta etapa têm hipótese de se candidatarem na segunda e terceira fases.

Segundo a DGES, 2358 das vagas que agora estão disponíveis, relativas a 83 cursos, não tiveram qualquer candidato no ano passado. Estes cursos são maioritariamente de áreas de engenharias e tecnologias, alguns em regime pós-laboral ou noturno. Em 2014, o cenário não foi muito diferente com 88 cursos a levarem a concurso 2405 vagas sem qualquer candidato no ano anterior e, mais uma vez, maioritariamente na área das engenharias.

Direito, na Universidade de Lisboa, é o que tem mais vagas disponíveis, 480, e uma média de acesso de quase 14 valores. Segue-se Direito na Universidade de Coimbra com 334 lugares. Em relação a notas de entrada, 16 cursos pedem como média de acesso notas entre os 9,5 e os 10 valores, entre os quais cursos de Enfermagem nos politécnicos de Bragança e Portalegre, ou Ciências da Cultura na Universidade da Beira Interior, na Covilhã. Nas notas mais altas, nada de novo. Os cursos de Medicina continuam a ter as médias mais altas. Há 20 cursos com médias de acesso acima dos 17 valores, ou seja, todos os cursos de Medicina, algumas engenharias como a Aeroespacial do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, Arquitetura na Universidade do Porto ou Design da Comunicação na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, entre outros.

A área formativa de Ciências da Vida é aquela que regista o maior aumento no número de vagas disponíveis na primeira fase de acesso ao Ensino Superior. Um aumento de 110 vagas nas instituições de Ensino Superior públicas em relação a 2014, subindo de 2091 para 2201 vagas. Entre as áreas que cresceram destacam-se também as Ciências Sociais e de Comportamento com um aumento de 3728 em 2014 para 3803 em 2015.

Engenharia regista um aumento de 15 vagas em relação ao ano anterior e tem sido das áreas que, nos últimos anos, menos alunos coloca na primeira fase do concurso de acesso. Em 2014, o presidente do conselho coordenador dos politécnicos, instituições que mais alunos de Engenharia têm perdido, avançava como hipótese para a fraca procura e colocação nestes cursos o facto de as médias nos exames de Matemática, prova de acesso para esta área, serem muito baixas, ficando geralmente abaixo do limiar da positiva. No entanto, a subida para 12 valores da média do exame nacional de Matemática, realizado este ano, poderá facilitar o acesso a estes cursos e levar a alterações no número de vagas ocupadas.

30 cursos com taxa de desemprego zero
Segundo números do Instituto do Emprego e Formação Profissional, apenas 30 cursos, em mais de 1300, não têm diplomados inscritos nos centros de emprego, entre os quais estão Medicina e Enfermagem. Para estas duas áreas, há 3463 vagas, ou seja, 2022 para 22 cursos de Enfermagem e 1441 para sete cursos de Medicina. Dos 1323 cursos que estavam a funcionar nas universidades e politécnicos, no ano letivo de 2013/2014, 2,3% não tinham nenhum diplomado à procura de trabalho através do Centro de Emprego. Medicina, Enfermagem, Teologia ou Línguas e Culturas Orientais são alguns dos exemplos. Entre 2009 e 2013, 5591 alunos concluíram esses 31 cursos com taxa de desemprego zero, sendo que a grande maioria (4375) se formaram em Medicina, a área que continua a garantir mais emprego e a ser o curso mais difícil de entrar.

Entre os cursos que enviaram mais licenciados para o Centro de Emprego surge o de Criminologia, da Universidade Fernando Pessoa, com 68,9% dos diplomados. Os primeiros nove cursos com maiores taxas de desemprego são de instituições privadas: depois de Criminologia surge Arquitetura da Universidade Lusíada de Vila Nova de Famalicão com mais de metade dos diplomados inscritos no centro de emprego, no final do ano passado.

Outra análise permite verificar que os alunos dos institutos politécnicos terminam os cursos com notas mais altas do que os colegas das universidades. Entre os primeiros cinco cursos, quatro são do Politécnico de Leiria e entre as 20 formações com melhores notas apenas cinco são universidades.

A satisfação pelo curso escolhido ou a existência de problemas durante o primeiro ano são outros dos itens que podem ser analisados. Em 2012/2013, do universo de quase 1300 cursos, com pelo menos uma nova turma para caloiros, em apenas 53 nenhum aluno abandonou o Ensino Superior um ano após ter entrado. O abandono não é um problema exclusivo de universidades ou de politécnicos, nem das instituições privadas ou públicas. Dos 73 cursos onde pelo menos 30% dos caloiros terão desistido de estudar estão 30 cursos em institutos politécnicos (4,6% do total) contra 43 universidades (5,7%) e 38 instituições privadas contra 35 públicas. E há 53 cursos em que nenhum aluno abandonou ou desistiu de estudar um ano após a inscrição. Aqui Biologia Geológica do Instituto Superior Técnico está em primeiro lugar. A maioria dos alunos que se candidatou, nesse ano de 2012/2013, não conseguiu entrar no curso da universidade que gostaria, já que, em apenas 23 cursos, as turmas foram constituídas maioritariamente (mais de 80%) por alunos que escolheram aquele curso em primeira opção.

Entretanto o Ministério da Educação e Ciência (MEC) admite prolongar o prazo de candidatura ao programa Retomar, destinado a permitir o regresso ao Ensino Superior de antigos alunos, com menos de 30 anos, que não concluíram os cursos. Em carta aberta ao secretário de Estado do Ensino Superior, José Ferreira Gomes, o movimento associativo estudantil pede o alargamento desse prazo, deixando críticas à pouca divulgação feita. “Tendo em conta que em 2014/2015 o número de vagas disponíveis não foi preenchido e que o período de candidaturas se prolongou até ao início do ano letivo, sem que daí decorressem problemas de ordem processual, entendemos que a prolongação do prazo é essencial para o sucesso do programa e não acarretará dificuldades à gestão do mesmo”, defendem os estudantes.

O prazo de candidatura ao programa Retomar decorre desde abril e termina no final de julho. O MEC está então a estudar a possibilidade de alargar o prazo para a submissão de candidaturas. Ainda durante este mês, irá abordar o assunto na reunião mensal com as associações académicas e de estudantes. A tutela explica que para aceder à plataforma onde se podem candidatar às bolsas, os alunos têm de se registar previamente para obter um código de utilizador e uma palavra-passe, sendo que os registos correspondem a pessoas “potencialmente interessadas” no programa, e os requerimentos submetidos aos candidatos efetivos às bolsas. Para este programa, patrocinado pelo MEC e pelo Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, foi estabelecido o limite de 3000 bolsas anuais, no valor de 1200 euros cada uma – sensivelmente o valor da propina máxima em vigor.

Informações:
http://infocursos.mec.pt/

Sara Oliveira (2015).”Menos vagas para quem quer ser professor”. www.educare.pt/, 20 de junho

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