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Educação – Notícias do Dia 8-9-2016

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jornaisEste post constituirá a minha primeira colaboração no ComRegras, neste ano lectivo de 2016/2017 que se iniciou no passado dia 1 de Setembro. Aproveito-o desde já para expressar publicamente os meus agradecimentos ao Alexandre Henriques pela renovação da confiança que em mim depositou no ano lectivo anterior, para garantir que tudo farei para não defraudar esta confiança e que procurarei colaborar de forma mais regular, tal como me foi solicitado e proposto. Espero estar à altura da responsabilidade que esta colaboração implica já que o ComRegras tem-se afirmado quotidianamente no panorama da blogosfera docente sendo já um blogue de referência a nível nacional dedicado à problemática, complexa, da Educação em Portugal.

O Público de hoje é fértil e generoso no tratamento de temas ligados à Educação, todos pertinentes e adequados à época por nós vivida, em pleno começo de um novo ano escolar, mesmo em cima do arranque das actividades lectivas nas escolas portuguesas.

Por opção minha, refiro o artigo da autoria de , intitulado “Exaustos, desiludidos ou baralhados. Um terço dos professores sente-se assim” que nos dá conta dos resultados de um estudo pertença da Fundação Manuel Leão, coordenado por Joaquim Azevedo e que contou com a colaboração de José João Veiga e Duarte Ribeiro. Este estudo foi realizado através de inquéritos aplicados a 2910 professores de todos os níveis de ensino que não superior, de 130 escolas distintas, públicas e privadas, entre os meses de Maio e Julho passados, inserido no projecto “As preocupações e as motivações dos professores”. Note-se que este estudo só será apresentado ao público amanhã, dia 9 de Setembro, em Vila Nova de Gaia.

Refiro este artigo e destaco os seguintes dados dele retirados: «Um terço dos professores preferia deixar de dar aulas num futuro próximo, em vez de continuar na escola.

(…) 35%, dizem-se exaustos, desiludidos, baralhados ou (mais residualmente) desesperados ou com outros sentimentos negativos quando lhes é pedido para descreverem a sua relação com o trabalho.

(…) 64%) acham que a educação piorou em Portugal nos últimos anos (17,5% acham mesmo que piorou muito). Mais de 80% entendem que a sociedade não valoriza esta profissão, que o Governo também não valoriza, que perderam tempo e condições para reflectir sobre as suas práticas, que a sua autonomia encolheu e cresceu a carga de trabalho.

(…) 60%) sentem que os alunos estão mais desmotivados do que no passado. E lamentam que os pais “não se preocupem com a educação dos seus filhos”. Consideram que a desmotivação e a falta de apoio das famílias são os dois “principais problemas” das crianças e dos jovens com quem trabalham. Estarem “desatentos” nas aulas é o terceiro mais mencionado.

(…) O que lhes causa mais “insatisfação no trabalho” em geral é a “falta de reconhecimento profissional” (57%).

(…) O que é mencionado como trazendo mais “dificuldades” no dia-a-dia é a indisciplina na sala de aula (52%), seguido da extensão dos programas (30%). Especificamente na relação com os alunos, o que causa mais insatisfação é a “falta de respeito” (58,9%).»

Destaco ainda uma conclusão “É como se um pessimismo endémico tivesse tomado conta da educação escolar”; e a elevada percentagem de professores (68%) que afirmam sentirem-se motivados para trabalhar o que, na aparência, pode parecer uma contradição com a conclusão apresentada anteriormente, mas que, para quem é professor e para quem habita as escolas portuguesas, não constitui, por certo, uma surpresa. Porque basta estar minimamente atento à sala de professores e aos seus arredores para constatar que a classe docente, apesar de envelhecida, de desgastada, de desiludida, de descrente, é uma classe sui generis e, já o afirmei por escrito há alguns anos atrás, até um pouco masoquista, pois, apesar de castigada e fustigada durante anos a fio por sucessivas tutelas desrespeitadoras e perseguidoras – algumas quase pareceram abrir uma espécie de caça ao professor – continua a dar o seu melhor, o melhor que pode e de que é capaz num esforço muitas vezes digno de registo que leva muitos profissionais ao limite das suas forças, ao osso, ao tutano.

Neste arranque de ano lectivo, quero destacar, por último, a palavra-chave escolhida pelos professores para a sua actividade docente – paixão – palavra mágica que ajudará, por certo, a compreender como é que uma classe profissional, em que prevalece a desilusão e onde o desejo de aposentação está muito presente, continua a desempenhar, na generalidade com elevado profissionalismo, é minha convicção, a sua nobre tarefa de preparar as próximas gerações que, obrigatoriamente nos substituirão e nos sucederão.

O artigo é bastante mais extenso e apresenta dados importantes. Leiam-no, se desejarem. E leiam também os restantes artigos sobre Educação saídos hoje e para os quais deixo o link.

Não é que contenham dados que sejam novidades absolutas para qualquer um de nós, mas a verdade é que é sempre bom quando alguém externo se debruça sobre estes assuntos tão importantes para o país e divulga estes dados. Dados que devem deixar as campainhas de alarme a soar por todo o lado… e a soar especialmente alto dentro das instalações da 5 de Outubro. Porque a resiliência de toda uma classe profissional, neste caso docente, tem limites. A resiliência de cada um de nós, pequenas peças do mecanismo, também tem limites.

Termino desejando a todos um excelente e feliz ano lectivo de 2016/2017. Que assim seja para bem de todos nós.

Exaustos, desiludidos ou baralhados. Um terço dos professores sente-se assim

Ainda pode ler:

O triste cenário a que chegamos

“Confiamos-lhes os nossos filhos durante 18 anos”, mas não os valorizamos

O (des)acordo dos pais na vida escolar dos filhos

A mesma opinião é defendida pelo professor do ensino básico e secundário Alexandre Henriques. O também autor do blogue Com Regras, que tem promovido inquéritos semelhantes entre professores, diretores e pais, lembra que a indisciplina é um problema referido por todos estes elementos. “Os pais apontam os problemas de indisciplina em casa, os diretores e professores dizem que a indisciplina está a crescer”, refere. E nas salas de aula não há espaço para inovar nos métodos, porque as metas a cumprir são muito rígidas, acrescenta.
Anabela Magalhães

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