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Educação Física “Não É Caso Único” Na Inflação De Notas, Denunciam Professores

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A denúncia do caso de inflação de notas no Externato Ribadouro é claramente a ponta do Iceberg.

A partir de agora saberemos com certeza de mais e mais casos de inflações de notas, seja a EF seja em qualquer outra disciplina, conforme denunciam os professores.

Alberto Veronesi


Assim que teve conhecimento do caso do colégio do Porto que deu notas de 19 e 20 valores na disciplina de Educação Física a 95% dos alunos, num total de nove turmas, ainda antes de o caso ser divulgado num blogue, a Associação de Professores de Educação Física apresentou uma denúncia no Ministério da Educação. Avelino Azevedo, presidente da associação, afirma que a inflação de notas “não é novidade”, que acontece em várias escolas públicas e privadas e a Educação Física “não é caso único”.

Como o Expresso noticiou na sexta-feira, de um total de 248 alunos do 10.º ano do Externato Ribadouro, no Porto, 128 tiveram 20 valores a Educação Física no final do segundo período e outros 108 conseguiram um 19. Ou seja, no total de nove turmas, 95% dos estudantes obtiveram nota máxima ou quase. A situação foi descrita no blogue “Com Regras”, dedicado a temas de Educação e cuja autoria pertence a Alexandre Henriques, ele próprio professor desta disciplina. “Haverá obviamente alunos com mérito, mas o número tão elevado de notas máximas é bastante invulgar”, considera Avelino Azevedo.

“Há outras disciplinas opcionais no Secundário que também não têm exame nacional e onde esta inflação de notas acontece. A Educação Física não é caso único. Espero é que sirva de exemplo para alertar as pessoas”, diz ao Expresso o presidente do Conselho Nacional das Associações dos Profissionais de Educação Física e Desporto (CNAPEF), Avelino Azevedo. ”

Segundo o presidente da CNAPEF, outras disciplinas opcionais, onde também não há exame final mas que contam para a média final de acesso ao ensino superior, podem ser alvo desta mesma situação. Entre uma longa lista de disciplinas opcionais está, por exemplo, Direito, Grego, Psicologia B, Ciências Políticas ou Aplicações Informáticas.

Em reação à notícia do Expresso, esta associação de professores enviou esta tarde um comunicado onde congratula a “resposta rápida do Ministério da Educação”, que fez saber na sexta-feira que a Inspeção-Geral da Educação (IGEC) irá, através de um processo de inquérito, “investigar a situação, bem como identificar os responsáveis por eventuais ilícitos praticados”. A tutela disse ainda que, caso venham a verificar-se atos ilícitos, “agirá intransigentemente”.

“A IGEC TEM DE IR AO FUNDO DA QUESTÃO”

Não é a primeira vez que a IGEC investiga casos de possível inflação de notas nas escolas, tendo já inclusivamente enviado recomendações a alguns estabelecimentos de ensino. Para Avelino Azevedo, não é suficiente. “A IGEC tem de ir ao fundo da questão. Em nome de um sistema de ensino justo e equilibrado, tanto público como privado, há que investigar melhor e dotar a IGEC com meios para poder fazer um trabalho mais aprofundado do que simples visitas às escolas”, afirma.

O Ministério da Educação tem analisado a tendência de inflação de notas pelas escolas. Através do indicador designado por “alinhamento”, é medida a diferença entre as notas internas (dadas pela escola com base em vários parâmetros) e as notas de exame. Mas como é natural que haja discrepância entre essas notas, este indicador destaca os estabelecimentos de ensino que registaram os maiores desvios acima ou abaixo de uma diferença média considerada ‘natural’ entre as notas internas e as de exame, e isso torna estes dados mais consistentes.

É com base neste indicador que se percebe que o Externato Ribadouro, no Porto, se repete como uma das escolas que mais tem inflacionado as notas dos alunos. Entre 2012/13 e 2016/17, o colégio surge sempre entre os estabelecimentos de ensino mais benevolentes. A ele juntam-se outras 15 escolas, como o Colégio de Nossa Senhora do Rosário e o Colégio Luso-Francês, ambos no Porto.

Fonte: Expresso

6 COMMENTS

  1. Antes desta notícia sair publicamente já na minha sala de professores se comentava um caso que, alegadamente, teria acontecido em Coimbra e com a mesma disciplina, assim e a ser verdade tal desiderato seria aconselhável, para bem das instituições, uma “busca” por parte da IGEC, na eventualidade de não ser possível, participe-se a ocorrência ao Ministério Público.

  2. A atribuição de nota 20 depende sobretudo dos instrumentos de avaliação e do critério de exigência, tendo em conta o novo paradigma ministerial e secretarial, os testes deverão ser progressivamente abolidos, porque introduzem desigualdade no sistema, causam stress nos alunos e são discriminatórios, ora, assim, dar 20 a todos parece estar perfeitamente de acordo com a nova brisa educacional que sopra do ME. Então, vão investigar o quê?
    O acesso ao ensino superior torna-se mais injusto e iníquo a cada ano que passa, de contingente em contingente, de excepção em excepção, de inflação em inflação só os tolos dos pobres empenhados, esforçados e resilientes ainda acreditam que vale a pena estudar de forma séria para entrar por mérito próprio na Universidade! Isto é democracia?

  3. Fazem bem os pais em colocar os filhos nos colégios o ensino público bateu no fundo com este governo. A exigência é zero. Alunos que tinham sete e oito negativas, e avaliações de 3 e 4 , em vinte, passaram a ter zero negativas graças à ” viagarice” da nova legislação. Mas já disso não interessa falar… É mais grave, agora subir um valor a um excelente aluno que trabalha muito e se interessa do que subir 5 ou 6 valores a alunos calaceiros e medíocres. Aliás com a nova legislação alunos que trabalhavam e se esforçavam têm a mesma nota que alunos que não fazem nenhum… E há professores a apoiar isto e estão todos contentes… A ideia é nivelar por baixo! Os bons alunos são mal vistos na Escola Pública , são até chamados de ”marrões” … È a mediocridade em estado puro. Estou ”mortinho” por tirar os meus filhos deste pântano e espero que quem possa deixe estar os seus filhos nos bons colégios privados onde o esforço, a boa educação e o conhecimento são valorizados… Só tenho pena dos professores que não querem isto e dos desgraçados dos bons alunos que são prejudicados por esta vigarice que se chama Flexibilidade Curricular… Muito, mas muito triste onde chegou a Escola Pública com estes senhores…
    Agora parece que querem fazer uma caça às bruxas às boas escolas privadas para as tornarem medíocres como o Ensino Público, não era, mas se está a tornar. Lamentável!

  4. Começo por dizer que o colégio do Porto não é o único. Em Braga, no Colégio D. Diogo de Sousa, há dois anos, os alunos do 10º ano, que estão agora no 12º, “conseguiram” 57 níveis 20 na disciplina de filosofia, em 120 alunos. Os restantes foram corridos a 18 e 19. Uma vergonha, na altura a IGEC foi informada e pouco fez. O colégio pertence à igreja que ainda tem, infelizmente, algum poder neste atrasado país. Além disso, nas disciplinas onde se avalia a oralidade, os alunos são todos corridos a 19 e 20. Na disciplina de português, por exemplo, a média interna é de 17,6 e a externa é de 13.
    Por fim, acrescento que muitos dos alunos destes colégios são filhos de professores. Por que será?

  5. A única possibilidade é participar criminalmente o caso aos tribunais. Se porventura a legislação actual não prever tal irregularidade como crime, quer da parte da instituição quer da parte dos professores envolvidos, tem de ser criada legislação que preveja e pune. Que motivação pode existir para alunos, encarregados de educação, instituições de ensino e sociedade quando uns são prejudicados grosseiramente como no curso a seguir, a Universidade a frequentar, as despesas a suportar com universidades, quartos, etc, bem como a remuneração final de cada curso universitários? Será isso que a constituição de Republica Portuguesa apregoa, de igualdade de oportunidades? De não discriminação entre indivíduos?

  6. Tem razão, Pedro Neves. Esta questão é gravíssima. Mas a sociedade não está muito preocupada em resolvê-la. Como disse anteriormente, muitos são os professores que pagam esses colégios para os filhos atingirem as notas desejadas. Não os censuro, totalmente. Se a sociedade o permite. O problema é ser permitido. E ninguém faz nada. Os alunos das escolas públicas não têm tanta sorte. Esses é que se deviam revoltar, bem como os seus encarregados de educação. Conheço brilhantes alunos, que não entraram para o curso que queria por umas décimas, entram outros com notas compradas e depois desistem ou reprovam no primeiro ano. Impossibilitaram outros de entrar e que teriam melhor resultado. Há um estudo feito pela Universidade do Porto que se refere a este facto.

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