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Eduardo Sá agradece aos professores

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Agradeço, enquanto professor e cidadão, este miminho que nos foi dado, principalmente numa fase tão difícil e desgastante do ano. Porém, o texto que se segue está carregadinho de um romantismo pouco realista. Existe um desgaste muito grande no corpo docente, principalmente naqueles que têm visto a reforma fugir-lhes das mãos…

Muito obrigado, Senhores Professores!

Por terem pegado os nossos filhos pela mão e os fazerem crescer um pouco mais, todos os dias

Só os jovens são capazes de insistir em se espantar. Em pegar nalguma coisa que já  conhecem e a desmanchá-la, a agitá-la e a virá-la do avesso até que fique, enfim, mais familiar, mais amigável e, até, mais simples. E, no entanto, há pessoas crescidas que não deixam, insistentemente, de o fazer. Assim serão os professores. Quando repensam aquilo que sabem e o repartem. Quando pegam os nossos filhos e os levam, pela mão, das dúvidas que eles ainda nem sequer imaginaram até a um planalto (e a mais outro) de onde se vê mais longe, com mais claridade, e mais além. Talvez seja por isso que, bem vistas as coisas, só os professores sejam capazes de nunca deixar de ser jovens.

É verdade que é estranho que se consiga ser jovem quando todos ficamos com a sensação de que a escola, ao contrário da paixão dum professor, promove, sobretudo, o burburinho. Na cabeça, claro. Uma espécie de “hora de ponta” quase permanente, com um tráfego de conhecimentos amigo da bulimia que gera, todos os dias, estados parecidos a congestionamentos ou a engarrafamentos dentro de quem aprende. Vendo bem, fornecer conhecimentos ou convidar a consumi-los e a conhecê-los não é, de todo a mesma coisa. E um professor sabe-o, aliás, melhor que mais ninguém. Aliás, os professores – porque são jovens, por dentro – sabem que não há como conhecer seja o que for sem que, mutuamente, nos ousemos a dar a conhecer. Mas, raramente, a escola dá o tempo que quem aprende precisa de ter para aprender. E menos, ainda, dá o melhor daquilo que a escola tem para oferecer: os professores.

Ser-se professor não é bem uma profissão; é um estado de espírito. Ser professor é ser perguntador. E provocador (amigo da voz, portanto). E agitador de todos os sossegos. E desafiador. “Incomodador”. E encantador, enfim. Talvez a função mais preciosa dum professor seja desafogar. Abrir trilhos e atalhar. Desconcertar. Desarrumar. Regenerar. E repensar. Um professor é um repensador. E é por isso, sobretudo, que só os professores são capazes de nunca deixar de ser jovens.

Ao chegarmos ao fim de um ano lectivo, nunca é demais agradecermos a todos os professores que pegaram os nossos filhos pela mão e os levaram a crescer um pouco mais, todos os dias. Num mundo em que os “fazedores de opinião”, os “mentores”, os “influenciadores” e os “seguidores “ se multiplicam, todos os dias, existirem, simplesmente, professores devolve-nos – com aquilo que eles dão aos nossos filhos – à esperança de todos termos o direito às cavalitas. O direito que quem nos ama nos confere quando, depois de nos passar dos seus olhos para o seu colo, nos eleva até aos seus ombros. E nos encaminha a ver mais alto que o olhar de quem nos dá o mundo a ver. Só possível quando alguém nos coloca sobre os seus ombros e nos leva, com bondade, a espreitar, aconchegadamente, tudo aquilo que nos falta enxergar para vermos mais longe.

Muito obrigado, senhores professores!!!

Fonte: Eduardo Sá

 

2 COMMENTS

  1. Obrigada Eduardo Sá por saber o que é um professor. Há muito tempo que na casa do Ministério da Educação não passa ninguém assim. Ás lides da coordenação da educação só chega quem pensa que a escola é uma fábrica de salsichas.

  2. “…os professores são capazes de nunca deixar de ser jovens.”

    Esta frase, que se repete ao longo do texto, é uma grande verdade.
    Como não o ser quando se lida todos os anos com crianças e jovens pré-adolescentes e adolescentes, com os seus problemas, sonhos, músicas, hobbies, e tantas , tantas actividades que nos vão ensinando?

    Mais ainda, há professores “mais jovens” do que alguns alunos – que os questionam, que lhes dizem não saberem tudo mas que vamos saber em conjunto, que se riem de si próprios e com os outros.

    Obrigada, Eduardo Sá.

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