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E Se O Povo Acusasse Mário Nogueira? – Paulo Baldaia

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Quando as escolas fecharam e o ensino à distância teve de avançar, a Fenprof apressou-se a colar cartazes, afirmando que “nada substitui o professor e nada substitui a escola”. Não esteve sozinha.

Desde o primeiro minuto, alistaram-se imensos voluntários neste movimento de defesa do regresso rápido às aulas presenciais. Para combater as desigualdades entre alunos, que se agravam fora da escola; para permitir um desenvolvimento mais saudável das crianças – a saúde mental também conta – e para proteger o emprego e a carreira dos professores.

A verdade é que, ao mesmo tempo, a Fenprof começou um levantamento (pesquisar notícias de abril, maio e junho) sobre as inúmeras dificuldades para retomar as aulas presenciais. Esse movimento foi mais notório, obviamente, quando o Governo decidiu retomar as aulas presenciais para o 11.º e o 12.º ano, mas nunca tinha atingido o nível de desfaçatez que atingiu na sexta-feira, com a ameaça de responsabilizar criminalmente o Ministério da Educação e a DGS pelo que possa vir a acontecer com os professores.

Não há nada de estranho na ação de um sindicato que defende as melhores condições para os trabalhadores que representa, mas essa luta não pode nunca deixar de atender ao interesse geral e não pode, não deve, ir para além do razoável. Dividir as turmas em duas e contratar o número de professores necessário a esta operação, para garantir o distanciamento de dois metros, não é possível. Mas é possível pensar num esquema misto de aulas presenciais e à distância, como forma de diminuir o risco. Na luta da Fenprof convém que esteja presente a disponibilidade para fazer parte da solução.

Professores e alunos vão viajar em transportes públicos sobrelotados, como já hoje viajam muitos trabalhadores. Isso preocupa o senhor Nogueira ou está convencido de que os professores vão todos em carro próprio para a escola? Entre muitos outros, os caixas de supermercado nunca deixaram de trabalhar; os padeiros nunca deixaram de fazer pão; os trabalhadores de limpeza nunca deixaram de recolher o lixo; os médicos, os enfermeiros e os auxiliares nunca deixaram de atender doentes. Tudo isto foi feito para que nada faltasse ao senhor Nogueira. A ele e a todos nós.

Se a ação de Mário Nogueira levar ao adiamento das aulas presenciais, pode haver aqui matéria para os pais e os alunos acusarem o líder da Fenprof, como “responsável moral e eventualmente material”, por hipotecar o futuro de milhares de jovens e promover a desigualdade.

Paulo Baldaia, in JN, 21/7/2020

4 COMMENTS

  1. hUMMM DEVE ser a primeira coisa certa dita por este direitolas portista. O nogueira continua a espumar ódio e a prejudicar a imagem dos professores. E nós todos a pagar-lhe o vencimento há décadas Por falar nisso . Como não dá aulas será que progrediu assim em filinha? Ou teve quotas e e aulas assistidas

  2. Profs e alunos nas escolas sim, mas em condições de higiene boas.

    Turmas desdobradas, acrílicos entre mesas, sistemas de ventilação antivírus nas salas ( https://tvi24.iol.pt/videos/internacional/chef-frances-compra-sistema-de-ventilacao-igual-ao-dos-hospitais-para-restaurante/5ee3e4120cf29545b5723dfe ), intervalos entre aulas maiores e ao ar livre, mascaras gratis todos os dias, higienizacao dos computadores e canetas de quadro aula a aula, cantinas abertas mais horas ao dia, etc…

    ps- Não venham com a treta do falta €€€€ , senão ouvem umas verdades

  3. O Baldaia? É pá se é o Baldaia só pode ser bom para os professores! Mando o Nogueira para o lado do prato da sopa que o Baldaia só o usa para o acicate e para darem razão ao Baldaia!!!
    O que está em causa é responder à pergunta: as indicações do governo seguem as indicações da Ciência e da DGS em relação à COVD? O Mário Nogueira é o isco de Paulo Baldaia para que se fechem os olhos ao nada que são as medidas de contenção nas escolas! Depois fica sempre bem arrimar com a grandeza do futuro do jovens etc e tal …

    ”Quando Paulo Baldaia falou comigo ao telefone, foi a única vez e foi para me despedir. Era diretor há cinco meses. Disse que eu confundia os leitores do “DN”: havia quem só fosse à página do “DN” por minha causa e ficasse confuso com o resto do jornal, e havia leitores “naturais” do “DN” que ficavam confusos com a minha crónica, e a culpa era minha. Segundo o próprio me disse, o objetivo dele era o de evitar confrontos e agradar “à corte de Lisboa”. Não queria chatices.” In Jornal Sol, entrevista a Alberto Gonçalves.

  4. E se o Baldas prestasse um serviço ao país e pensasse antes de falar, apontando as baterias ao que deve? Mário Nogueira teve razão das duas vezes e cumpriu o seu papel, pelo qual é sempre criticado, embora não o faça que chegue.
    Vejamos: Ponto 1- é uma verdade incontestável que as aulas presenciais, as escolas e os professores são insubstituíveis, se quisermos qualidade de ensino. Mário Nogueira só sublinhou uma evidência, cumpriu o seu papel, destacando a importância dos professores, defendendo o seu emprego e as suas condições de trabalho, que foram completamente espatifadas durante a pandemia, e antecipou a preocupação do trabalho de professor ser substituído pelo de monitor, caso a AI se consubstancie como uma realidade. Além disso, demonstrou inquietação social pela desigualdade de acesso à aprendizagem, que se revelou ser um problema sério do ensino à distância. Dever cumprido!
    Ponto 2- Mário Nogueira, volta a fazer-se ouvir, como era de esperar, no âmbito das suas atribuições, para responsabilizar o governo pela saúde dos portugueses e em particular dos professores, quando determina a obrigatoriedade do ensino presencial, durante uma pandemia, sem garantir condições de proteção suficientes e tendo em conta o potencial de contaminação que a mobilidade de tantos portugueses devido ao início das aulas acarreta. O governo está a cumprir a sua função?, melhor ou pior, está, tenta equilibrar o tabuleiro, sentindo que é preso por ter cão e preso por não ter. Mário Nogueira, está a cumprir a sua função? já vimos que está. Paulo Baldaia, está a cumprir a sua função? está, a de fazer fretes ao governo ou nos termos supraditos “agradar à corte de Lisboa”.
    Declaração de interesses: não pertenço à FENPROF e não conheço pessoalmente Mário Nogueira.

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